perspectivas

O escarro ortográfico

Anúncios

“Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada — mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.

Sim, porque a ortografia também é gente.”

— Bernardo Soares [Fernando Pessoa], Livro do Desassossego

A actual classe política conseguiu o desiderato de um duplo desastre: que a estranja invadisse e tomasse Portugal, e que se alienasse a língua portuguesa. Portugal, hoje, não tem pátria: nem a soberania do território, nem a soberania da língua.

Anúncios

Anúncios