perspectivas

Terça-feira, 22 Maio 2012

O naturalismo e o relativismo moral (4)

O descrédito do darwinismo lançou o desespero entre os neo-ateístas. Hoje, ninguém com dois dedos de testa defende a ideia darwinista de evolução.

Por exemplo, um filho meu, que tem um mestrado em bioquímica em uma prestigiada universidade portuguesa, sorri quando lhe falam em “evolucionismo darwinista”. As pessoas que conhecem estas matérias sabem muito bem que a teoria darwinista da evolução chegou a um beco sem saída. No fundo, a teoria darwinista está praticamente reduzida às micro-mutações que nem sequer são aleatórias mas, em última análise, são intencionalmente conduzidas pelo próprio organismo vivo [finalidade natural] que reage em relação às imposições do meio-ambiente, criando nichos naturais onde o organismo se pode impor e assegurar a sua sobrevivência.


Desde a revolução inglesa, primeiro, e depois, a revolução francesa, que o principal objectivo do ateísmo político era o de capitalizar sentimentos anti-clericais e anti-religiosos no sentido de potenciar um projecto totalitário, elitista e neognóstico de poder político. As revoluções totalitárias inglesa e francesa falharam, e a burguesia filistina substituiu, então, a nobreza ou a aristocracia multi-secular. Depois, já no século XIX, surgiram os socialistas franceses e Karl Marx, que tentaram ressuscitar o espírito totalitário das revoluções goradas. Os gnósticos modernos [os revolucionários, ou neognósticos] não desistiram da ideia “furada” da revolução totalitária que veio a acontecer na Rússia em 1917.

Com a recente queda do fatídico muro de Berlim, os neognósticos revolucionários [passo a redundância] começaram sentir a terra a fugir-lhes debaixo dos pés; e, em último recurso, gente como Daniel Dennett, Richard Dawkins, Christopher Hitchens e Sam Harris — que são nitidamente influenciados pelo marxismo —, agarraram-se ao darwinismo para assim poder sustentar um substitutivo provisório e temporário para o marxismo — como aliás claramente defendeu Peter Singer [outro neognóstico]. A crença no marxismo não desapareceu das cabeças dessa gente, mas como o marxismo caiu em descrédito na opinião pública, os cavaleiros do apocalipse revolucionário voltaram-se para o darwinismo como teoria de suporte contra a mundividência religiosa e tradicionalista.

Com a evolução da bioquímica nos últimos 50 anos, e principalmente nas últimas duas décadas, os neognósticos revolucionários sentem, mais uma vez, a terra a fugir-lhes debaixo dos pés: já não podem invocar o conceito de evolução darwinista para fundamentar o seu ódio à religião sem que alguém legitimamente lhes chame de “idiotas”.


Contrariados pela realidade e pelos factos, já não podendo invocar a pretensa “ciência do marxismo” e nem a pressuposta “ciência do evolucionismo darwinista”, os revolucionários entram agora em histeria, disparando irracionalmente em tudo o que mexe, por um lado, e aliando-se à ideologia homofascista, ao individualismo exacerbado e ao primado absolutista do princípio do interesse próprio, por outro lado.

Porém, o princípio que rege a retórica falaciosa dos revolucionários actuais, continua a ser essencialmente idêntica à dos revolucionários de 1789, e depois à dos marxistas de 1917: o ataque ad Hominem. Rotulam o inimigo a abater com insulto, e sem se preocuparem minimamente em fundamentar racionalmente o rótulo aposto; e apelam às emoções das massas, manipulando-as emocionalmente, pensando que assim podem escapar aos problemas colocados pela sua própria irracionalidade.

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