perspectivas

Terça-feira, 15 Maio 2012

Marxismo cultural em Cuba: a evolução na continuidade

«HAVANA, CUBA, May 14, 2012, (LifeSiteNews.com) – For all the negative backlash it has inspired, Barck Obama’s support for same-sex “marriage” has its share of supporters – such as the daughter of the Communist president of Cuba.

Mariela Castro called Obama’s speech, which cited the Golden Rule as his reason for redefining the family, “humane” and “understanding.” The daughter of Raul Castro and niece of Fidel – who stepped down as president in 2006 – said she hoped the American president’s “words will be taken seriously in the political and legislative decisions made in different states and in the whole world.” »

via Castro’s daughter: Obama should legalize same-sex ‘marriage’ | LifeSiteNews.com.

A sobrinha de Fidel Castro, Mariela Castro, aplaude Barack Hussein Obama por este defender o “casamento” gay.

Recorde-se que os regimes comunistas, como por exemplo o de Cuba ou da ex-União Soviética, reprimiram violentamente – e mais do que nenhum outro regime — a sodomia. Por exemplo, numa célebre entrevista de Álvaro Cunhal, feita por Carlos Cruz na RTP1 há cerca de 20 anos, o líder comunista português referiu-se à sodomia como “uma coisa muito triste” (sic). E eu concordo com ele.

A actual posição política da filha de Raul Castro acerca do “casamento” gay tem dois significados políticos evidentes: o primeiro, a evolução na continuidade do marxismo, ou seja o anúncio do marxismo cultural em Cuba e a continuação de uma politica insidiosa de ataque à família natural; e, por outro lado, a procura do estabelecimento de laços políticos com a Esquerda marxista cultural norte-americana protagonizada por Barack Hussein Obama, no seguimento das reformas políticas que se avizinham em Cuba que pressupõem uma abertura ao investimento norte-americano.

Em Cuba não existem hoje nem uniões civis gay, nem tão pouco “casamento” gay.

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13 Comentários »

  1. Não só a sodomia, mas quase todas as bandeiras da “esquerda moderna” eram combatidas pelos antigos regimes comunistas, o consumo de drogas/entorpecentes também era reprimido. No Youtube ha bastantes videos com as execuções chinesas;.

    Embora a União Soviética, possuíse programas de alienação familiar, os seus dirigentes tinha ciência que dependiam do aparato militar para a sobrevivência do regime, e também se trata de um pais com uma forte queda demográfica. Não havia como o gayzismo entrar nessa fórmula.

    O fato mais curioso, é que o marxismo cultural tenha sido divulgado mais a partir do Estados Unidos. Talvez isso explica por que ele não seja presente em ex-republicas soviéticas, por que foram nações fechadas a influência Ocidental/Americana em décadas passadas.

    Comentário por Marcelo R. Rodrigues — Terça-feira, 15 Maio 2012 @ 4:31 pm | Responder

    • O marxismo cultural surgiu na Europa, no seguimento das ideias de António Gramsci e Georg Lukacs, e por intermédio da Escola de Francoforte. Os membros da Escola de Francoforte fugiram ao nazismo refugiando-se nos Estados Unidos, e depois da grande guerra, Adorno voltou à Alemanha mas uma grande parte do grupo da Escola de Francoforte ficou nos Estados Unidos — por exemplo, Marcuse e Wilhelm Reich.

      Por isso é que a praga do marxismo cultural chegou aos Estados Unidos e foi a partir de lá que se espalhou pelo mundo — assim como as ideias de Aristóteles foram divulgadas na Europa medieval através da influência cultural muçulmana.

      Comentário por O. Braga — Terça-feira, 15 Maio 2012 @ 5:14 pm | Responder

  2. “…assim como as ideias de Aristóteles foram divulgadas na Europa medieval através da influência cultural muçulmana.”

    Dois livros, publicados nos últimos anos na França, relativizaram bastante esta idéia:

    1. Sylvain Gouguenheim: Aristote au Mont-Saint-Michel. Les racines grecques de l’Europe chrétienne, Éditions du Seuil, Paris, 2008

    2. Guy Rachet: Les Racines de notre Europe sont-elles chrétiennes et musulmanes?, Picollec, 2011

    P.S.: Por falar em muçulmanos e na França: Now France is Theirs.

    Comentário por pedrogarciaburgales — Terça-feira, 15 Maio 2012 @ 11:28 pm | Responder

    • É ponto assente que Aristóteles foi conhecido na Europa medieval por intermédio do califado de Córdova, em Espanha. Não vale a pena desconstruir a História, como faz a Esquerda.

      Comentário por O. Braga — Quarta-feira, 16 Maio 2012 @ 12:48 am | Responder

  3. Aliás, sobre cuba e homossexuais: Aids Control.

    Comentário por pedrogarciaburgales — Terça-feira, 15 Maio 2012 @ 11:30 pm | Responder

  4. “Não vale a pena desconstruir a História, como faz a Esquerda.”

    O primeiro livro, do Gouguenheim, foi mais de uma vez recomendado pelo Olavão.

    Comentário por pedrogarciaburgales — Quarta-feira, 16 Maio 2012 @ 1:55 am | Responder

    • Olavo de Carvalho não pode ser um argumento utilizado como autoridade de direito para sustentar as teorias mais abstrusas. Se calha, Olavo de Carvalho recomenda o livro por outras razões e não por essa em concreto.

      Só quem não tem a mínima noção da história da filosofia defende outra coisa que não seja a divulgação de Aristóteles na Europa por intermédio do califado de Córdova.

      Podemos fazer um paralelismo com a descoberta da América do Norte: a História diz que foi Colombo que a descobriu; e outros dizem que foram os Vikings. Mas os Vikings não constituíam uma civilização, e portanto não se tratou de uma descoberta sistemática propriamente dita — ao contrário da civilização europeia do século XV e XVI.

      Comentário por O. Braga — Quarta-feira, 16 Maio 2012 @ 2:04 am | Responder

  5. “Olavo de Carvalho não pode ser um argumento utilizado como autoridade de direito para sustentar as teorias mais abstrusas.”

    Olavão disse, causa finita… É claro que a minha intenção não foi essa. Eu mencionei o nome do professor por conta da sua menção ao hábito das esquerdas de desconstruir a história. Se o livro do Gouguenheim tivesse sido escrito com esse propósito o velhote certamente teria percebido.

    “Se calha, Olavo de Carvalho recomenda o livro por outras razões e não por essa em concreto.”

    Eu confio na minha memória.

    Mais sobre o Gouguenheim: The Brussels Journal.

    Comentário por pedrogarciaburgales — Quarta-feira, 16 Maio 2012 @ 6:05 am | Responder

    • Repare numa coisa: eu tenho constatado que existe uma determinada tendência para citar Olavo de Carvalho fora do contexto em que ele escreveu, o que pode levar a más interpretações. Por outro lado, é impossível a Olavo de Carvalho acorrer a todas as asneiras que se afirmam baseando-se em citações dos seus textos.

      Eu não vejo mal nenhum em que se transforme Olavo de Carvalho em uma autoridade de direito — eu próprio o faço — desde que se explique por quê; de outra forma, presta-se um péssimo serviço a Olavo de Carvalho.

      É preciso dizer que as traduções de Aristóteles para o arábico não foram consensuais nem aceites pelo poder político islâmico daquela época. Averróis, por exemplo, foi deportado pelo califa, de Espanha para o norte de África. Portanto, quem diz que o poder islâmico do califado era iluminado, diz asneira. Não podemos é confundir as asneiras interpretativas do movimento revolucionário com os factos históricos.

      Quando falamos em influência de Aristóteles na Europa, falamos em tradução sistemática de livros do arábico para o latim.

      Eu não ponho em causa que tenham existido alguns europeus que tenham tido contacto com a obra de Aristóteles por outras vias que não a via arábica, tal como não ponho em causa que os Vikings tenham chegado à América do Norte antes de Colombo, assim como não ponho em causa que um grupo de ilhéus do Pacífico tenham chegado à costa oeste dos Estados Unidos ainda antes dos Vikings. Mas se eu descubro alguma coisa de novo e guardo essa coisa nova para mim ou para um grupo restrito de amigos, e não transformo essa coisa nova em um combustível civilizacional, não podemos falar em “descoberta” propriamente dita.

      Comentário por O. Braga — Quarta-feira, 16 Maio 2012 @ 2:11 pm | Responder

  6. “Repare numa coisa: eu tenho constatado que existe uma determinada tendência para citar Olavo de Carvalho fora do contexto em que ele escreveu, o que pode levar a más interpretações.”

    Este hábito é feio, de fato. Mas o senhor poderia me dizer o que é que eu tenho que ver com isso?

    “Por outro lado, é impossível a Olavo de Carvalho acorrer a todas as asneiras que se afirmam baseando-se em citações dos seus textos.”

    Eu não citei ninguém, como pode se ver acima. Eu apenas lembrei o título de um livro recomendado por um filósofo.

    Aliás, aqui está a recomendação do Olavo de Carvalho (citação literal): “Procure o livro de Sylvain Gouguenheim, o livro chama-se Aristote au mont Saint-Michel (Aristóteles no monte Saint-Michel). É um livro absolutamente espetacular, que mostra como toda esta idéia de que, após a chamada Idade das Trevas, a civilização européia recuperou o conhecimento que ela tinha da Antiguidade filosófica graças às traduções árabes, isso é totalmente falso. Em primeiro lugar, a maior parte do que chegou já estava traduzida pelos monges do monte Saint-Michel (sabe o monte Saint-Michel? É uma ilha que, quando a maré baixa, dá pra você ir a pé até lá e, quando sobe, só dá pra ir de barco. Em cima tem uma catedral maravilhosa, na França). Os monges de Saint-Michel já haviam traduzido tudo quando chegaram as traduções árabes. Segundo, a maior parte dessas traduções árabes não foram feitas por autores muçulmanos, mas por autores cristãos, porque metade do mundo árabe era cristão naquela época.” (Curso Online de Filosofia, Aula N°. 4, 18 de Abril de 2009). E ele já havia recomendado o livro em outra ocasião.

    O senhor não me conhece, mas eu não tenho o costume de citar ninguém fora do contexto.

    Comentário por pedrogarciaburgales — Quinta-feira, 17 Maio 2012 @ 2:08 am | Responder

    • Eu já estive dentro do mosteiro de Saint Michel.

      A segunda premissa de Olavo de Carvalho é parcialmente verdadeira; de facto, existiam muitos cristãos no califado de oriente, mas o mesmo já não aconteceu no califado de ocidente — ou califado de Córdova. No califado de Córdova não existiam tantos cristãos quanto isso, embora existissem muitos judeus. Mas quem fez a tradução de Aristóteles do grego para o arábico foram árabes. Portanto, o que Olavo de Carvalho diz é verdade apenas para o califado de oriente. No califado do ocidente, ou califado de Córdova, os judeus foram até mais importantes do que os cristãos no trabalho de tradução do arábico para o latim.

      A primeira premissa de Olavo de Carvalho não é substantiva. Por exemplo, é sabido que Aristóteles era já conhecido na Irlanda no princípio do século XI; sabe-se hoje que existiam já, nessa época e em alguns mosteiros da Irlanda, traduções directas do grego para o latim. Mas isso não significa que essas traduções tivessem tido influência na cultura medieval — e foi isso que eu quis dizer com a analogia que fiz com os Vikings que chegaram à América do Norte, e com os polinésios que chegaram à Califórnia, muito antes de Colombo chegar lá. Em termos de civilização, não foram os Vikings que descobriram a América do Norte.

      Foi com as traduções realizadas no califado de ocidente que Aristóteles entrou para a cultura e civilização medievais.

      Comentário por O. Braga — Quinta-feira, 17 Maio 2012 @ 9:27 am | Responder

    • Na Alta Idade Média e na Idade Média, a comunicação era precária. O que se passava, em termos culturais, dentro de um mosteiro na Irlanda, por exemplo, dificilmente chegava aos grandes centros culturais da Europa daquela época, como Paris ou Roma. Por outro lado, os textos de Aristóteles traduzidos do grego directamente para o latim — ou do arábico para o latim — eram, a princípio, considerados pouco ortodoxos pela hierarquia monástica e, por isso, sujeitos a um certo secretismo por parte dos mosteiros. Só na Baixa Idade Média se tornaram parte da escolástica através da influência, por exemplo, de S. Tomás de Aquino.

      Com as cruzadas, a tradução directa, do grego para o latim, dos textos de Aristóteles tornaram-se mais comuns. E foram as cruzadas que também divulgaram as traduções de Aristóteles do arábico para o latim realizadas pelos cristãos do califado do oriente, a que se refere Olavo de Carvalho.

      Não tenho a certeza — é uma questão de verificar — mas tenho a ideia de que as traduções de Saint Michel surgiram depois das cruzadas. Ou seja: é possível que as traduções de Saint Michel tenham sido trazidas do califado do oriente pelos templários, e depois da primeiras cruzadas. É esta a minha ideia, mas pode-se facilmente verificar a sua veracidade.

      Comentário por O. Braga — Quinta-feira, 17 Maio 2012 @ 10:03 am | Responder

    • Por último: eu não tenho que “conhecer” ninguém. Tenho que lidar com comentários e tentar esclarecer ideias. Se você as esclareceu, fica tudo bem.

      Comentário por O. Braga — Quinta-feira, 17 Maio 2012 @ 10:05 am | Responder


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