perspectivas

Segunda-feira, 14 Maio 2012

O primarismo do realismo ingénuo da Esquerda

Filed under: cultura,filosofia,Religare,Ut Edita — O. Braga @ 6:45 am
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Uma críticas da Esquerda ao fenómeno de Fátima é o alegado “primarismo das promessas” que implicam o milagre. Mas será que a Esquerda tem um pensamento científico? A ideia segundo a qual a Esquerda possui um raciocínio científico, é falsa. Acreditar exclusivamente naquilo que se vê não é ser detentor de um raciocínio científico: antes, é “realismo ingénuo”, ou seja, é ser estúpido.

Os objectivos da nossa vida, ou os balanços que fazemos dela, exprimem-se em imagens e símbolos que não se encontram em nenhum livro de física ou de biologia.

Se o ser humano não existisse, o universo e a realidade não existiriam? Claro que existiriam!. A essa realidade independente da existência do ser humano, chamamos de “realidade em si”; é uma realidade livre da nossa interpretação.

A “realidade em si” é a realidade independente da nossa interpretação em relação a essa realidade, seja esta concretizada mediante os nossos sentidos [percepção], seja realizada através da nossa intuição. Para S. Tomás de Aquino, “a verdade é a adequação do nosso pensamento à realidade [em si]”, ou seja, aproximamo-nos da verdade quando a nossa interpretação da “realidade em si”, feita por intermédio do nosso software mental, se aproxima desta última.

É verdade que a modernidade é caracterizada pela generalização de um determinado tipo de software mental: o software mental técnico-científico, imposto pela revolução burguesa. Mas este software mental não é o único e nem sequer é necessariamente o que mais se aproxima da “realidade em si”. Temos, por exemplo, o software mental mítico [não confundir com “místico”] que caracteriza a experiência religiosa, não só a actual como a de todos os tempos.

A Esquerda, em geral, também é provida de um software mental mítico, mas de características diferentes do software mental mítico das religiões transcendentais. O “realismo ingénuo”, que consiste em acreditar apenas e só naquilo que os sentidos percepcionam, é uma forma incipiente, primária, embotada, estúpida e básica de software mental mítico semelhante ao do ser humano do paleolítico inferior. Podemos, por isso, falar em “primarismo do realismo ingénuo da Esquerda”.

O filósofo Kurt Hübner tem uma frase lapidar:

“Não existe qualquer motivo forçoso — quer em termos teóricos, quer científicos, quer filosóficos — para rejeitar os elementos míticos fundamentais da fé cristã, dado que a ciência e a filosofia representam apenas uma determinada interpretação da realidade, transmitida historicamente mas que não pode reivindicar ser a única possível.”

A experiência mítica é uma cultura de percepção — ou seja, o tal software mental mítico — que pode ter o seu sentido não só no passado, mas também hoje. Os objectivos da nossa vida, ou os balanços que fazemos dela, exprimem-se em imagens e símbolos que não se encontram em nenhum livro de física ou de biologia. A experiência mítica tornou-se hoje mais rara, em grande parte devido às consequências descritas no Evangelho de S. Marcos, 6-5: Jesus Cristo não pôde fazer milagres nas proximidades da sua cidade natal, porque as pessoas o rejeitavam. Uma sociedade que rejeita a dimensão do sagrado — uma sociedade que não tem fé — não tem direito a milagres.

Os milagres são possíveis por princípio.

O software mental mítico parte do princípio de que o mundo não está fechado em termos deterministas — de facto, o software mental mítico é extremamente actual e actualizado porque está em consonância com algumas das conclusões da física quântica —, sem possibilidade de excepções, a que o realismo ingénuo da Esquerda chama de “acaso”, e o software mental técnico-científico chama de “oscilações”, ou de “irregularidades”, ou ainda de “anomalia” quando a teoria não bate certo.

No entanto, o software mental mítico não implica nem significa que aconteça um milagre ao virar da esquina: o milagre está sempre associado ao encontro com o sagrado, e é neste sentido que podemos definir a fé propriamente dita: a fé é a abertura ao sagrado como mistério fundamental.

5 comentários »

  1. Se o que diz que “a esquerda” disse (não há “A Esquerda” mas pronto! e ser de esquerda não é incompatível com ser cristão ou religioso; mais: os valores da esquerda são, em grande medida, os valores do cristianismo)é estupido, não o é menos usar o “espantalho” e a caricaturização segundo os quais a esquerda apenas acredita no que os sentidos tocam ou veem (isso é materialismo ou, no limite,sob a capa do cientismo, positivismo); ao invés, não é esquerda acusada de idealismo? Idealismo material???!!! O que a esquerda quer é que os valores não sejam colocados num além por vir e quer que, em grande parte, eles sejam actualizados aqui e agora! Nada de muito diferente dos bons princípios cristãos. Depois, claro que o pensamento da esqyerda não é científico! Mais uma vez o “espantalho” – inventa-se uma posição do adversário (que até pode ir ao encontro de algumas ideias do mesmo mas não de todas) e generaliza-se a todos. “A esqyerda! O diabo!”. Ainda: será o seu pensamento científico ó braga? O que lhe dá então a primazia? A fé? O selectivismo científico que o leva a rejeitar pressupostos que a prática científica assume como o darwinismo e a psicanálise e a aceitar tretas da física quaântica que o levam a dizer, risivelmente, que os milagreas podem provados pela ciência? Não se percebe como é que da negação do determinismo se segue a probabilidade sdos milagres por mais atractivo que seja, em termos poéticos (e não estou a ironizar, que “o milagre está sempre associado ao encontro com o sagrado, e é neste sentido que podemos definir a fé propriamente dita: a fé é a abertura ao sagrado como mistério fundamental.”

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    Comentar por Custódio David Catarino — Terça-feira, 15 Maio 2012 @ 12:59 pm | Responder

    • 1) Existe “A Esquerda” na medida em que é possível traçar um máximo divisor comum entre as diversas tendências de esquerda.

      2) Ser de esquerda, ou seja, valorizar mais ou menos o marxismo — dependendo do grau de radicalismo ideológico — é totalmente incompatível com o Cristianismo. Não é possível ser marxista e ser simultaneamente cristão: trata-se de uma contradição em termos. Um cristão não pode ter uma mundividência materialista.

      3) O materialismo dialéctico e o marxismo-leninismo diziam-se, deles próprios, “científicos”. Se você não sabe, leia, seu grande burro! Por isso é que eu falei na “esquerda científica”, seu burro!

      4) Não é possível alterar a estrutura fundamental da realidade e a natureza humana sem causar hecatombes humanitárias como as que foram causadas pelo nazismo e pelo comunismo. Não é possível transpor esses “valores” de que você fala para a realidade sem matar centenas de milhões de pessoas, e sem resultado palpável. Você é um doente mental.

      5) Eu não escrevi que “os milagres podem ser provados pela ciência”. Se você não sabe ler, aprenda, seu burro!. Pelo contrário, eu fiz uma clara distinção/diferenciação entre o “software mental mítico”, por um lado, e o “software mental técnico-científico”, por outro lado. Percebeu, seu grande burro?

      6) Se você quiser aprender alguma coisa, coloque perguntas em condições, seu burro!

      7) Sobre a quântica, leia este verbete, seu grande burro:

      https://espectivas.wordpress.com/2012/05/13/a-criacao-do-universo-vista-por-um-eminente-cientista-alemao/

      Aprenda alguma coisa, porque a sua ignorância é fastidiosa! Seu burro!

      8) Você não comenta mais aqui.

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      Comentar por O. Braga — Terça-feira, 15 Maio 2012 @ 4:02 pm | Responder

  2. Caríisimo bracarense, sem tomar como minhas as (supostas) dores alheias sempre lhe digo que vossa excelência é um doente mental não por defender o que defende mas pelo modo como o faz. Você é um inquisidor intolerante, ao pé de si, os esquerdistas radicais do PREC, que diziam ser a social-democracia de direita, são uns moderados.
    É inegável que você quer dar uma caução científica aos milagres a partir da física quântica, não obstante perorar sobre a distinção pensar técnico-pensar mitológico. revejo-me nisso! Continue, caro bracarense! –

    “o software mental mítico é extremamente actual e actualizado porque está em consonância com algumas das conclusões da física quântica ”

    Para além disso, é evidente a sua falta de educação, mascarada por um suposto elitismo. O que você pode criticar de forma pertinente, por exemplo, muitas “causas fracturantes” ridiculas que alguma esquerda suporta, perde toda a razão de ser pelo sectarismo e o ódio ao diferente e à dissensão que as suas posições revelam. Será que você não imagina que um não crente ou não religioso é necessariamente uma criatura do diabo? Ó braga torquemada! e esa do nazismo ser de esquerda não lembra nem aos torquemadas. Você distorce as ideias e a ideologia ao seu sabor. Você é um censor e o raio de um anormal! Proiba-me lá agora também de entrar aí! Você e os seus apaniguados só estão em regime de autofagia. Quem pensa contrário vai para a fogueira. Que culpa temos nós que você tenha sido vítima dos marxistas em pequenino?

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    Comentar por Carla Osório — Quarta-feira, 16 Maio 2012 @ 5:17 pm | Responder

    • Já que você começou o seu comentário com insultos, eu vou seguir o seu exemplo.

      Ó sua filha de uma grandessíssima alternadíssima! Sua grande puta! Você começa um comentário a insultar outrem? Você quer discutir ideias ou dar uma “cambalhota esquerdista”, sem compromisso e a modos que em “one night stand”? Só se for para “encher pneus”, porque não é qualquer merda que me serve…

      Você chega aqui e abre o seu comentário com insultos, e depois acusa-me de ódio?!!! Sua puta! Daqui você pode ir sem esmola, mas não vai sem resposta!

      Depois de lhe ter respondido à letra, vamos ao assunto.

      Se 1+1 = 2, será que é legítimo que alguém diga que “eu me aproveito da lógica para fazer valer os meus pontos de vista”? Será que é legítimo que alguém diga, numa discussão, que a utilização da lógica não é válida?! Será que você não se deu conta do absurdo em relação ao seu argumento acerca da física quântica versus milagres?

      Desde logo, você fala daquilo que desconhece [refiro-me à quântica].

      O software mental mítico, escrevi eu, é actual porque não concebe um universo fechado, tal qual a quântica não concebe um universo fechado! Você não pode induzir das minhas palavras aquilo que não está lá escrito!

      Aliás, seria um contra-senso fazer uma comparação entre a quântica e os milagres, porque se trata de assuntos de esferas diferentes: a quântica diz respeito ao software mental técnico-científico, e os milagres ao software mental mítico. Eu fiz uma analogia: se você não sabe a diferença entre uma comparação e uma analogia, compre um dicionário!

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      Comentar por O. Braga — Quarta-feira, 16 Maio 2012 @ 8:48 pm | Responder


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