perspectivas

Terça-feira, 8 Maio 2012

A ciência que “salva as aparências” [4]

Newton terá sido o maior nome da ciência da Europa depois de Jesus Cristo. Einstein, comparado com Newton e tendo em conta as diferentes épocas e contextos em que ambos viveram, era um neófito. Por exemplo, é costume dizer-se que Einstein foi original porque introduziu o valor do observador independente na investigação científica; contudo, isto é falso, porque foi Newton o primeiro a introduzir o papel do observador independente em ciência.

Poderíamos também falar na genialidade de Leibniz, mas este foi essencialmente um matemático e um filósofo, e não um físico como Newton. Newton acrescentou a física à filosofia e à matemática, e neste sentido foi mais completo do que Leibniz.

A maioria das pessoas que estudou Newton apenas conhece os resultados do seu trabalho — por exemplo, as leis do movimento e a mecânica. Mas desconhece como Newton desenvolveu o seu trabalho e, na minha opinião, esse desconhecimento é promovido intencionalmente pelo ensino. Temos um ensino que pretende esconder dos alunos as causas ou as razões da genialidade de Newton [e não só de Newton]. E há várias razões para essa postura do ensino actual.

Aquilo que a ciência actual considera como sendo uma “teoria” — por exemplo, a teoria do Multiverso —, para Newton era uma “hipótese”.

Para Newton, uma “teoria” é composta por relações de invariância entre termos [conceitos] referentes a qualidades manifestadas na realidade empírica, ou seja, relações deduzidas dos fenómenos mas que não deixam de ter um suporte experimental na realidade dos fenómenos. Em contraponto, para Newton, uma “hipótese” é um conjunto de afirmações sobre termos [conceitos] que designam “qualidades ocultas” para as quais não há [ainda] processo de medida conhecido.

Por exemplo, Newton afirmou que ao ter estabelecido a teoria da atracção gravitacional e o seu modo de actuação, elaborou uma “teoria” da atracção gravitacional. Mas referiu-se às teses cartesianas de explicação em termos de vórtices de éter como sendo meras “hipóteses” que, aliás, não estavam em concordância como o movimento observado dos planetas.

Hoje, a ciência considera qualquer hipótese como sendo uma teoria. Stephen Hawking escreve um livro em que aventa a hipótese do universo ter surgido do Nada, e a ciência refere-se a essa hipótese como sendo uma “teoria”. Em nome da ciência, Richard Dawkins escreve um livro defendendo a ideia de que Deus não existe, e a ciência transforma essa hipótese em teoria. Isto já não é ciência: é política pura e dura.

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