perspectivas

Sábado, 28 Abril 2012

Perguntas infantis

Filed under: A vida custa,economia,Esta gente vota,Passos Coelho,Pernalonga — O. Braga @ 7:48 am
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Quando eu era um infante de 5 ou 6 anos, fazia aquelas perguntas infantis típicas: “Ó mãe, o que são as estrelas? E o que é o Sol? Por que é que à noite há luar?”; etc.. A Maria Teixeira Alves [MTA *] também parece estar na “idade dos porquês”.

Um dos problemas da nossa cultura é o presentismo — o corte epistemológico com o passado. Este fenómeno cultural é transversal à sociedade e àquilo a que se convencionou chamar de Esquerda e Direita. E um outro problema da cultura nacional é aquilo a que Fernando Pessoa chamou de “nacionalismo cosmopolita ou sintético”, que no fundo se traduz na negação da nacionalidade — a nacionalidade é considerada um direito negativo.

Pessoas como a MTA não criticam o facto de a Alemanha e a França, por exemplo, protegerem as suas empresas nacionais de distribuição de electricidade; mas já criticam se Portugal lhes seguir o exemplo. Este radicalismo liberal que defende para Portugal aquilo que os países liberais da Europa não defendem para eles, é produto do presentismo cultural e do nacionalismo sintético [segundo o conceito de Fernando Pessoa]. É ser mais papista que o Papa.

Para que se tenha uma ideia: o correios alemães [Deutsche Post] foram aparentemente privatizados em 1995, mas cerca de 30% das acções do Deutsche Post são propriedade de um Banco pertencente ao Estado alemão, o KFW. Trata-se, de facto, de uma privatização fantasma; na realidade, com 30% das acções do Deutsche Post, o Estado alemão pode a qualquer momento fazer uma OPA e nacionalizar a empresa. Porém, a MTA pretende para os CTT portugueses aquilo que os alemães não querem para o Deutsche Post.

Todo o edifício das privatizações das grandes empresas alemãs do Estado, decorridas na década de 90 do século passado, obedece a este esquema, em que aparece um Banco estatal a “controlar” as empresas “privatizadas”. Em França, não passa pela cabeça do liberal Sarkozy privatizar a rede eléctrica; mas a MTA consegue ser mais liberal do que os liberais.

* Por que é que os lisboetas, ou os aprendizes a lisboeta, usam sempre três nomes? Pedro Santana Lopes; Aníbal Cavaco Silva; Pedro Passos Coelho; José António Seguro; etc.

1 Comentário »

  1. Porque, como se diz além-atlântico “size matters”, ou, mais prosaicamente “vive la quantité”.
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    Comentar por Inspector Jaap — Quarta-feira, 23 Maio 2012 @ 5:35 pm | Responder


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