perspectivas

Segunda-feira, 23 Abril 2012

Aristóteles explica-nos como a ética se distingue da natureza, e porque a ética não pode ser definida pela ciência moderna

Filed under: ética,Ciência,cultura,filosofia,Ut Edita — O. Braga @ 8:33 am
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“A nossa natureza, desde o início, não se afasta igualmente do termo médio, seja em que caso for. Contudo, o facto é que somos menos dados ao gosto pelo esforço e muito mais ao gozo dos prazeres, e o mesmo se passa relativamente à alma.” — Aristóteles, Ética a Eudemo, [1222 a 35]

Por “termo médio” Aristóteles pretende dizer o “justo-meio” que, na maioria dos casos, não se encontra equidistante entre o excesso e o defeito. Por exemplo, a virtude da coragem — que sendo uma virtude faz parte da “recta razão” — encontra-se mais próxima da temeridade [excesso] do que da cobardia [defeito]; a virtude do pudor encontra-se mais próxima da timidez [defeito] do que da impudência [excesso]; etc.

Na medida em que somos menos dados ao gosto pelo esforço e muito mais ao gozo dos prazeres, o ser humano afasta-se naturalmente da recta razão e do justo-meio.

“Além disso, temos por contrário ao termo médio aquele estado em que caímos mais, não apenas nós como também a maioria; o outro estado contrário, escapa-nos, como se não existisse, pois devido à sua raridade, é imperceptível; tal é o caso da ira [excesso] oposta à afabilidade [virtude ou justo-meio], e do irascível ao afável. Por conseguinte, existe também um excesso no ser dócil e apaziguador, bem como na contenção da cólera perante alguém violentamente agredido: homens assim, todavia, são raros, e todos se inclinam mais para o outro extremo, razão pela qual a animosidade não é nada conciliadora.” — idem, [1222 a 40, e 1222 b]

Quando a ciência pretende definir a ética, o que resulta da sua acção é a eliminação — da cultura antropológica — do conceito de “justo-meio” de Aristóteles, na medida em que a ciência procura fundamentar e justificar apenas os excessos e os defeitos [estatística] — porque o termo médio [ou justo-meio, ou virtude, ou a recta razão] não se encontra em estado puro na natureza [humana].

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