perspectivas

Segunda-feira, 16 Abril 2012

Amina el-Filali clama por justiça para as mulheres marroquinas

Filed under: ética,cultura,feminismo — O. Braga @ 10:21 am
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O caso de Amina el-Filali, uma rapariga marroquina de 15 anos que se suicidou a 10 de Março passado, por se recusar a casar com um indivíduo de 23 anos que, alegadamente, a forçou em relações sexuais, não pode deixar de merecer a nossa atenção em relação ao estatuto da mulher nos países islâmicos.

Ao ler a história deste caso no Washington Post, dei comigo a pensar no absurdo e na injustiça da situação da mulher nos países islâmicos, por um lado, e por outro lado, no oposto radical do feminismo nos países ocidentais. Parece que o estatuto da mulher só subsiste em situações extremas, e que não é possível estabelecer um meio-termo racional que dê à mulher direitos e obrigações. Enquanto que nos países islâmicos, a mulher tem muitas obrigações e poucos direitos, no ocidente a mulher tem cada vez mais direitos e obrigações escamoteadas pelo politicamente correcto.

Em qualquer país civilizado, um adulto que tenha relação sexuais com uma rapariga de 15 anos comete um ilícito punível com pena de prisão. Em Marrocos, e nos países islâmicos em geral, a lei islâmica não pune o criminoso; e pior: obriga a rapariga a casar-se com ele.

Porém, como podemos pedir aos países islâmicos que alterem as leis que regulam o estatuto da mulher, se nós próprios, no ocidente, temos leis que tendem exactamente para o extremo oposto? Como podemos pedir a uma sociedade islâmica que dê mais direitos à mulher, se nós próprios transformamos os direitos da mulher em um instrumento radical de destruição da nossa sociedade? A verdade é que o ocidente não tem a moral necessária para poder exigir a mudança do estatuto da mulher no Islão.

3 comentários »

  1. Diz o caro Orlando:
    “ – A verdade é que o ocidente não tem moral para exigir a mudança necessária do estatuto da mulher no Islão.”
    Na verdade – digo eu – o ocidente não tem moral para exigir, criticar, repudiar, condenar e todos os verbos que aqui queira aplicar, a ninguém em lado nenhum e em nenhum tempo, pela simples razão de que não tem coluna vertebral; não passa, em boa verdade, de um celenterado gigante.
    Cumpts

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    Comentar por Inspector Jaap — Segunda-feira, 16 Abril 2012 @ 10:29 am | Responder

  2. segundo o Professor Marcelo nessa aula( http://www.youtube.com/watch?v=JnfBGdcNUZI ), um viajante islâmico(ou emissário, nao lembro bem) da idade média, ao passar pela peninsula ibérica, paises islâmicos e paises protestantes, elogiou os paises protestantes por serem duros com as mulheres de forma semelhante aos islâmicos, e criticou os católicos da peninsula por serem “liberais” demais.

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    Comentar por Marcelo R. Rodrigues — Terça-feira, 17 Abril 2012 @ 12:28 am | Responder

    • A Reforma luterana começou no século XVI, e portanto já no fim da Idade Média. Na Idade Média propriamente dita, a Europa era toda católica. Portanto, a ser verdade essa história do viajante islâmico, ela ocorreu depois da Idade Média, quando a Europa já tinha luteranos, calvinistas, etc..

      Se os luteranos e/ou os calvinistas eram mais repressivos em relação à mulher do que acontecia nos países católicos — até ao século XIX?

      Em tese, acredito que seja verdade, porque os protestantes retiraram a filosofia grega da religião cristã e aumentaram a influência do Judaísmo.

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      Comentar por O. Braga — Terça-feira, 17 Abril 2012 @ 5:00 am | Responder


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