perspectivas

Domingo, 15 Abril 2012

Darwin está morto!

“Natural selection is the gradual, nonrandom process by which biological traits become either more or less common in a population as a function of differential reproduction of their bearers. It is a key mechanism of evolution.

Variation exists within all populations of organisms. This occurs partly because random mutations cause changes in the genome of an individual organism, and these mutations can be passed to offspring.”

via Natural selection – Wikipedia, the free encyclopedia.

Freud foi o primeiro a morrer quando Karl Popper demonstrou que a psicanálise não é ciência. Karl Marx está hoje enterrado sob os escombros do muro de Berlim, quando a realidade dos factos demonstrou que a sua teoria estava errada. E Darwin também jaz morto e arrefece, mas a cultura da modernidade continua em estado de negação — não quer acreditar no seu “falecimento”.

Com as mortes de Darwin, Karl Marx e Freud, a modernidade e o naturalismo deixaram de fazer sentido; toda a filosofia moderna terá que ser repensada, o que corrobora a ideia segundo a qual a filosofia está longe de ser redundante.

Sem entrarmos na ciência biológica propriamente dita, e escorando-nos apenas na lógica, podemos afirmar que o darwinismo não está apenas em crise: em vez disso, podemos dizer que o darwinismo é hoje obsoleto. No entanto, as nossas crianças continuam a estudar, nas escolas, a Árvore da Vida, segundo Darwin, o que reflecte o estado de negação da nossa cultura contemporânea: perante a realidade do morto, recusamo-nos a acreditar que ele está morto.

O trecho supra da Wikipédia acerca do darwinismo diz-nos duas coisas: a primeira, que as mutações genéticas são alegadamente aleatórias; e a segunda, que a selecção natural não é aleatória mas resulta do processo aleatório de mutação genética: ou seja, a selecção natural é alegadamente um processo gradual, não aleatório de acumulação de mutações genéticas aleatórias.
O darwinismo parte de um princípio de negação radical de qualquer teleologia no aparecimento e no desenvolvimento da vida — nega a existência de um determinado fim que não seja a sobrevivência dos mais fortes.

Porém, a “irredutível complexidade” existente em dezenas de milhares de organismos vivos “matou” a teoria de Charles Darwin: não é plausível uma teoria de mutações aleatórias em face da microscópica complexidade irredutível dos organismos vivos, porque se teria que explicar como essa irredutível complexidade surgiu, em primeiro lugar.
Perante a morte anunciada de Darwin, zoólogos como Richard Dawkins entram em estado de negação; “bioéticos” e “filósofos”, como por exemplo Peter Singer, Daniel Dennett, Christopher Hitchens, Sam Harris, Julian Savulescu, Anthony Cashmore e outros, que defenderam a substituição da teoria marxista pelo darwinismo — fazendo com que a nova esquerda adoptasse o darwinismo em lugar do defunto marxismo —, fazem agora de conta que os dados da ciência não existem, e transformaram o darwinismo em uma espécie de doutrina religiosa.

Com a “morte” de Karl Marx, os marxistas, e materialistas em geral, correram para o último refúgio da modernidade: o neodarwinismo. Com a “morte” de Darwin, entraram agora em estado de negação e transformaram a ciência em religião política.

É hoje comummente aceite pela ciência que a tese do mecanismo de selecção [mutações genéticas + selecção natural] é falsa, o que significa a presunção de existência de uma qualquer teleologia. Existem basicamente duas teses diferentes: a tese da teleologia imanente ou internalista [que junta a biologia à física quântica para justificar uma certa finalidade lógica inerente à vida], e a tese da teleologia externalista [que prevê um desenho de uma inteligência exterior à vida natural]. Em ambos os casos, prevê-se uma qualquer finalidade lógica e, portanto, a recusa de uma aleatoriedade pura e simples tal qual defendida pelo cadáver de Charles Darwin.

Anúncios

11 comentários »

  1. “O darwinismo (…) nega a existência de um determinado fim que não seja a sobrevivência dos mais fortes.”

    O Darwinismo, como é visto actualmente, defende que os genes mais adaptados ao mundo actual são os que têm mais probabilidade de se transmitirem à geração posterior. Não é uma questão de força ou “fim”.

    “É hoje comummente aceite pela ciência que a tese do mecanismo de selecção [mutações genéticas + selecção natural] é falsa” – Nunca li isto em publicações científicas.

    Comentar por umbraebelfagor — Quarta-feira, 18 Abril 2012 @ 11:41 am | Responder

    • 1. Você não percebeu o que está escrito, mas eu explico. Veja bem:

      “O darwinismo (…) nega a existência de um determinado fim que não seja a sobrevivência dos mais fortes.”

      Quando você escreve :

      O Darwinismo, como é visto actualmente, defende que os genes mais adaptados ao mundo actual são os que têm mais probabilidade de se transmitirem à geração posterior.

      Existe aqui um fim, uma finalidade: “os genes mais adaptados ao mundo actual são os que têm mais probabilidade de se transmitirem à geração posterior.” A transmissão dos genes é um fim, ou é constituída como sendo uma finalidade, pela teoria darwinista.

      O que não é um fim, no darwinismo, é a mutação genética que é aleatória. Ou seja: a mutação genética é desprovida de finalidade — o que não se passa exactamente com a transmissão dos genes à geração posterior, que constitui um fim e, simultaneamente, um meio de aumentar a possibilidade de sobrevivência da espécie.

      2. Se você só ler publicações científicas que defendem a teoria darwinista, nunca vai ler outra coisa. Trata-se de uma verdade de La Palisse.

      Comentar por O. Braga — Quarta-feira, 18 Abril 2012 @ 11:56 am | Responder

      • Muito obrigado pela explicação.

        Se calhar não estou a compreender a sua definição de finalidade. http://pt.wiktionary.org/wiki/finalidade Aqui diz que é uma acção que se espera alcançar. Os genes não esperam nada . Se atirar um madeiro ao rio e uma pedra, a pedra afunda e o madeiro não. Não existo propósito nisto, nem finalidade. Apenas é resultado da sua natureza.

        A mutação é uma alteração da natureza do gene, que altera a expressão de um gene, fazendo com que ele se transmita ou não.

        Comentar por umbraebelfagor — Quarta-feira, 18 Abril 2012 @ 12:07 pm

    • E qual é a acção que se espera alcançar? Resposta: a transmissão dos genes. Logo, a transmissão dos genes é uma finalidade, porque é a acção que se espera alcançar [independentemente da qualidade ou das características do genes em questão].

      A mutação genética [alegadamente] aleatória é outra coisa. Um sistema aleatório ou “randómico” não tem um fim porque a aleatoriedade se transforma em um fim em si mesma: mesmo assim, podemos dizer que “um fim em si mesmo” não deixa de ser um “fim”.

      Já agora: leia “A Caixa Negra de Darwin”, do bioquímico Michael Behe, disponível nas livrarias em Portugal.

      Comentar por O. Braga — Quarta-feira, 18 Abril 2012 @ 1:04 pm | Responder

      • Não tem lógica o que diz. Os genes são moléculas. Dizer que um gene tem um objectivo de se passar à geração seguinte, é o mesmo que dizer que uma molécula de água quer ser chuva.

        E mesmo que as mutações sejam aleatórias e não tenham um fim. Em que é que isso implica a não aceitação da teoria da evolução?

        Para além disso, as teorias do Michael Behe, pelo que li, não passaram pelo crivo da experiência. Por isso não podem ser verificadas, ao contrário da teoria evolucionista.

        Comentar por carloseduardosilva — Quarta-feira, 18 Abril 2012 @ 1:52 pm

      • Vamos agora definir “finalidade”, que era o que eu deveria ter feito em primeiro lugar:

        Finalidade é carácter próprio do que apresenta um fim, ou seja, um propósito.

        A “finalidade intencional” é o facto de tender para um propósito de maneira consciente [por exemplo, um acto voluntário]; a “finalidade natural” é a conveniência e a adaptação dos meios para um fim nos seres vivos, entendidos em geral.

        Portanto, estamos aqui a falar em “finalidade natural”.

        Você está a confundir “transmissão de genes” — que é um processo vital e, por isso inerente aos seres vivos —, por um lado, com os “genes” entendidos em si mesmos, por outro lado.

        A “transmissão de genes” não é a mesma coisa que “genes”. Uma coisa é “transmissão de genes”; outra coisa, bem diferentes, são os “genes”.

        Um processo vital pode ter uma causa, e um efeito. Se o efeito decorrente do processo [da tal acção] obedecer a um determinado padrão ou paradigma, estamos em presença de uma finalidade decorrente desse processo.

        A partir de agora cobro 25 Euros / hora 🙂 [preço para amigo]

        Comentar por O. Braga — Quarta-feira, 18 Abril 2012 @ 2:22 pm

  2. “Para além disso, as teorias do Michael Behe, pelo que li, não passaram pelo crivo da experiência. Por isso não podem ser verificadas, ao contrário da teoria evolucionista.”

    O princípio da falsicabilidade de Karl Popper aplica-se, exactamente do mesmo modo, na teoria de Michael Behe como na teoria neodarwinista. Você está mal informado; ou melhor: você sofreu uma lobotomia de que não tem culpa.

    Como é que você pode afirmar seja o que for sobre Michael Behe, se nunca leu nada dele? Como é que você pode dizer que determinada teoria está errada, ou que não é falsificável, se não a conhece? Será que você acredita que os seus mentores ideológicos são deuses?

    Comentar por O. Braga — Quarta-feira, 18 Abril 2012 @ 2:34 pm | Responder

    • Em relação às teorias de Behe, tive a oportunidade de ler algumas (desde que mo apresentou) e a conclusão que cheguei é que nenhuma se baseava na experiência física, mas muito mais em filosofia, portanto, para mim, não é conclusiva.

      Os organismos sofrem constantemente mutações, todos os dias. A maior parte delas é corrigida, outra parte são as chamadas “mutações silenciosas”, outra pequena parte transformam-se em doenças que muitas vezes matam o organismo e só uma pequena parte (muito de vez em quando e muito raramente), confere uma pequeníssima vantagem (quase imperceptível) no indivíduo. Este processo repete-se vezes e vezes sem conta, até que a caracterísitca se tornar evidente.

      Ora, isto é verdade porque eu já experimentei e vi acontecer. Organismos a ganhar características novas.

      Aliás, acontece todos os dias em ambiente hospitalar, com as bactérias a ficarem cada vez mais fortes à medida que são sujeitas ao stress dos antibióticos.

      O caso de trissomia 21 (e as outras trissomias todas) são um caso bastante evidente de evolução. Nem todas as alterações aleatórias dão uma característica vantajosa. O importante é haver uma pool genética muito grande, de onde em situações de stress possam emergir indivíduos adaptados.

      Sobre a aleatoriade e finalidade. Posso, por acaso, deixar cair umas moedas no chão e essas moedas serem encontradas por outra pessoa, que estava mesmo a precisar daqueles trocos para ir almoçar. Aqui, um evento aleatório, originou um propósito (permitir que alguém vá almoçar).

      Se o sr Braga desejar, até pode comparar o genoma de vários microorganismos e determinar que mutações deram origem a certas “complexidades supostamente irredutíveis”, tornando-as assim redutíveis.

      Comentar por carloseduardosilva — Quarta-feira, 18 Abril 2012 @ 10:11 pm | Responder

      • Você conhece bem a “bíblia”, mas ainda terá que me explicar como é que a “complexidade irredutível” se concilia com a evolução segundo Darwin: como é que surgem proteínas “prontas a usar” e que dispensam a selecção natural.

        E como você [nem ninguém] não tem resposta para este problema da irredutível complexidade — nem nunca terá —, dispara em direcção a Michael Behe dizendo que “é filosofia”, e sem nunca o ter lido.

        Espero que você continue a ir regularmente à “missa” do darwinismo, se isso lhe dá a confiança necessária para acreditar na sua religião.

        Definição de selecção natural, segundo o darwinismo:

        “A selecção natural é alegadamente um processo gradual, não aleatório de acumulação de mutações genéticas aleatórias.”

        A selecção natural tem dois tempos: um que não é aleatório, e outro que é aleatório.

        Comentar por O. Braga — Quarta-feira, 18 Abril 2012 @ 10:25 pm

      • A lógica do darwinismo

        Segundo o darwinismo, o tipo de organismos que sobrevive e se reproduz, é exactamente o tipo de organismos que sobrevive e se reproduz.

        A razão desta “lógica” darwinista prende-se com o argumento segundo o qual “somente os organismos mais aptos conseguem ter sucesso na reprodução”, por um lado, e por outro lado, o argumento segundo o qual “o que torna o organismo apto é o facto de ele garantir a sua sobrevivência e a sua reprodução”.

        Portanto, para a lógica darwinista, um organismo é um organismo; ou como diz a Lili Caneças, “estar vivo é o contrário de estar morto”. Será que a ciência biológica sabe o que é “tautologia”?

        Comentar por O. Braga — Quarta-feira, 18 Abril 2012 @ 10:28 pm

  3. Boa tarde perpectivas ,por acaso achei seu blog ,hehehehe… mas eu tinha um propósito ,achar uma imagem da arvore obsoleta de Darwin …mentes inteligentes acabam aproveitando alguma coisa ,encima de eventos aleatórios … a mãe natureza está a fazer isto ? Os chaperonas por exemplo ,não passam de moléculas sem cognição,sem inteligência…será mesmo ?

    Os naturalistas parecem viver no fantástico mundo das mutações aleatórias … O Deus aqui é a Santa Aleatoriedade …devem existir um número infinito de universos ,e em um desses surgiu a singularidade [foi aleatório com certeza] esse universo se desenvolveu aleatóriamente[afinal para o naturalismo nele impera a desordem]

    Depois os químicos se uniram aleatoriamente e deu origem ao luquinha,depois o luquinha aleatóriamente deu origem ,tbm por aculo de mutações aleatórias,as demais espécies de seres vivos incluindo os vegetais .

    Depois ,muito depois,bilhões de anos a Santa Aleatoriedade premiou uma espécie de primatas com Inteligência,isto claro foi sem querer,aleatoriamente .Claro que isto é ciencia pura !

    Por último ,vou explorar muito este blog …Se quiser dê uma passadinha no meu.

    Comentar por jephsimple — Terça-feira, 7 Agosto 2012 @ 5:16 pm | Responder


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

AVISO: os comentários escritos segundo o AO serão corrigidos para português.

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.