perspectivas

Sexta-feira, 13 Abril 2012

O problema da corrupção é ético, antes de ser político e económico

Filed under: ética,economia,Esta gente vota — O. Braga @ 9:27 pm
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“The greater the state’s controlling role over the economy the more it, respectively those representing the state, are enabled to replace the “invisible hand” by political considerations.”

via Corruption: Paralyzing Vice Or Inventive Social Self-Defense? | The Brussels Journal.

O raciocínio do escriba remete para o seguinte: quanto menos o Estado controla a economia, menos corrupção existe, porque os actos de corrupção deixam automaticamente de ser considerados “corruptos”. Ou melhor: parte-se do princípio de que os actos económicos separados do controlo do Estado são, em si mesmos, impolutos, ou incorruptos, ou, em última análise, desprovidos de moralidade [marginalismo].

Segundo o escriba, a partir do momento em que a política [o Estado] “se mete” na economia, surge a corrupção. Porém, se a política — e o Estado — se afastar da economia, o mesmo tipo de actos e de comportamentos corruptos deixam de ser corruptos, como que por um milagre da “mão invisível”. Ou seja, a corrupção é incompatível com o “laissez-faire”; numa sociedade em que o Estado não intervém na economia, a corrupção deixa de existir porque, alegadamente, o conceito de “corrupção” desaparece.

Este tipo de raciocínio é o que resulta da tentativa de explicação do comportamento humano — neste caso concreto, da corrupção — exclusivamente à luz da economia; é o mesmo tipo de raciocínio que levou Carl Menger [e os marginalistas] a afirmar o seguinte: “é tão útil a oração para o homem santo, como é útil o crime para o homem criminoso”.

Da mesma forma que um biólogo pretende explicar toda a realidade à luz do darwinismo, o economista pretende explicar toda a realidade à luz do “economês”. Naturalmente que tanto um como o outro “dão com os burros na água”.


“Trabalhar para uma sociedade só é bom, se determinarmos previamente que a sociedade é constituída por homens bons.” — Max Scheler

Tuga em Bruxelas

Antes de ser económico, ou político, o problema da corrupção é ético. Quando o cidadão anónimo acredita que a sociedade é constituída por homens bons, passa também a acreditar que trabalhar para a sociedade é uma coisa boa — e a corrupção diminui. Quando o cidadão anónimo sente ou verifica que existe uma elite desonesta que se aproveita, em beneficio exclusivamente próprio e acumulando riquezas obscenas, do trabalho da maioria — seja numa economia controlada pelo Estado, ou não —, então a corrupção generalizada surge como um mecanismo de sobrevivência mediante um efeito de “Trickle-down”.

Sendo o problema da corrupção, ético, tem que ser resolvido através da imposição, por parte do Estado, de uma ética — que é , por natureza, universal. Naturalmente que o Estado não deve substituir-se às comunidades da sociedade civil na imposição dessa ética universal: deve antes apoiar-se em determinadas comunidades da sociedade civil para levar a cabo uma “revolução ética” que possa determinar, a jusante, a política e a economia.

Foi o que se passou, por exemplo, com a Reforma luterana ou com o calvinismo na Suíça. Na Alemanha, a Reforma luterana não afastou o Estado da economia: pelo contrário, o Estado saiu reforçado no seu Poder por via da Reforma luterana. E no entanto, foi essa mesma ética luterana, submetida ao Estado, que marcou a cultura do norte da Europa e que permitiu o milagre económico dos séculos XIX e XX.

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