perspectivas

Domingo, 1 Abril 2012

Dilma Roussef e Angela Merkel, às avessas

Filed under: economia — O. Braga @ 12:05 pm
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Eu sempre defendi aqui, desde 2008, — e ao contrário de eminentes economistas, como Miguel Beleza — uma política controlada e limitada de quantitative easing no Euro.

No início da crise da dívida grega, Angela Merkel mostrou-se obstinada e vetou uma política de quantitative easing na zona Euro; porém, à medida que a crise grega se desenvolvia, Angela Merkel foi obrigada, a contragosto, a reconhecer que estava errada.

A verdade é que, ou o Euro é uma moeda exclusivamente alemã, e neste caso os outros países da zona Euro não estão lá a fazer nada; ou o Euro é uma moeda trans-nacional, e neste caso não deve servir só os interesses da Alemanha. O quantitative easing veio servir os interesses de todos os países do Euro, incluindo a França, e excepto a Alemanha.

Se o Euro não é só uma moeda alemã, o quantitative easing [emissão de moeda implicando um ligeiro aumento da inflação] é necessário, embora não na dimensão adoptada pelos Estados Unidos de Obama: nos Estados Unidos, estamos a falar de um exagero. Aliás, a política de quantitative easing do Euro está já a atingir o seu limite, ou seja, não será provavelmente continuada.

«Schwellenländer wie Brasilien haben angesichts der niedrigen Zinsen in den Industrieländern mit starken Geldzuflüssen zu kämpfen. Dadurch werden die Währungen dieser Staaten deutlich aufgewertet – was wiederum die Exporte verteuert und Importe aus dem Ausland verbilligt. Einige Schwellenländer haben als Reaktion darauf Einfuhrzölle erhöht, in Brasilien zum Beispiel für Autos. Rousseff erklärte dies mit der ihrer Meinung nach “künstlichen Abwertung von Währungen”.»

via Finanzspritzen der EZB: Brasilien kritisiert Euro-Geldschwemme – manager magazin – Politik.

O quantitative easing implica uma desvalorização do Euro, o que significa uma valorização do Real brasileiro. Com a valorização do Real, o Brasil de Dilma aumenta as taxas aduaneiras de importação de produtos da União Europeia, por um lado, e exige a eliminação das taxas aduaneiras, nos países do Euro, para os produtos brasileiros, por outro lado. Ou seja, Dilma impõe à União Europeia aquilo que o Brasil não concede aos países da União Europeia. Fazer política desta maneira é muito fácil, porque o Brasil pratica uma política interna de quantitative easing controlada, mas depois vem criticar a mesma política nos outros espaços monetários.

A Angela Merkel que Dilma gostava era aquela que vetou o quantitative easing durante a crise grega [piri-piri no cu dos outros, é chupa-chupa]; mas esta Angela Merkel actual, que cedeu à pressão política dos outros países do Euro, já não agrada ao Brasil.

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