perspectivas

Domingo, 1 Abril 2012

A política do “cristão bonzinho” que gosta de levar no corpo

O movimento ateísta internacional conseguiu juntar 8.000 pessoas em Washington, em uma marcha contra o Cristianismo. Um dos slogans ateístas ofensivos, agressivos e de convite à violência contra os cristãos, foi o seguinte: “demasiados cristãos e poucos leões”. Perante esta realidade, muitos cristãos compartilham a opinião que se deve tolerar a violência dos ateístas, como, por exemplo, neste trecho:

“Admittedly, there are Christians who have not done much more than mock when responding to atheists. However, as a strategy for persuading someone seriously to consider your beliefs, it’s not very effective to ridicule, mock and show contempt. Dialogue, discussion and respectful debate are more like to have a positive effect.”

É a defesa da política do “cristão bonzinho” que gosta de levar no corpo.

É a defesa da posição calvinista do século XVI, segundo a qual o martírio era uma necessidade absoluta para o cristão: quanto mais os cristãos são perseguidos politicamente, mais depressa entrarão no paraíso. Segundo o calvinismo, o martírio de um cristão era o sinal de que este era parte do povo eleito e predestinado por Deus à salvação.

Na minha opinião, o cristão não deve ser o “bonzinho que gosta de levar no corpo”. Se os argumentos, o diálogo e a razão não forem respeitados pelos ateístas; se estes optarem por uma linguagem agressiva e por um discurso de convite à violência física, então o cristão não pode ser bonzinho, porque o que está em causa é um combate civilizacional que afectará certamente as gerações vindouras, e não só a putativa salvação da alma do cristão bonzinho.

Karl Popper dizia que “não devemos tolerar os intolerantes”. Karl Popper não se referia, nesta frase, à intolerância que pode surgir em função de um debate racional.

Por exemplo, eu sou intolerante em relação ao comportamento de um assassino porque racionalizei a acção homicida, e cheguei à conclusão de que não a posso tolerar; mas isto não significa que defenda a ideia de lançar o assassino aos leões — e por isso é que eu sou contra a pena-de-morte. Este tipo de intolerância racional, não só é positiva, como é até desejável.

O que Karl Popper refere como “intolerantes” são aqueles que apelam publicamente à violência física em nome das suas ideias — como é o caso dos ateístas. Em relação a esta gente, não devemos ser bonzinhos: Quid pro Quod.

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