perspectivas

Terça-feira, 27 Março 2012

José António Saraiva, a mulher, e a urticária mental

Filed under: A vida custa,ética,cultura — O. Braga @ 10:56 am
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A forma como José António Saraiva escreve — e à semelhança de muitos jornalistas e intelectuais portugueses — causa-me urticária mental. Dou um exemplo.

Se estivesse na moda, entre as elites, afirmar peremptoriamente que 1 + 1 = 5, José António Saraiva provavelmente comentaria essa opinião da moda, da seguinte forma:

“Se bem que seja comummente aceite que 1 + 1 = 5, temos que verificar, contudo, que nem sempre é assim; por vezes e em certos casos especiais, acontece que 1 + 1 não é igual a 5. Naturalmente que temos sempre que ter respeito pelas pessoas que são de opinião de que 1 + 1 = 5, porque a opinião das pessoas deve ser respeitada; mas também devemos ter respeito pelas pessoas que pensam, por exemplo, que 1 + 1 = 2.”

Os rodriguinhos de José António Saraiva, ao criticar o politicamente correcto, são politicamente correctos. José António Saraiva utiliza um discurso politicamente correcto para criticar o politicamente correcto. Disto, só um português se lembraria.

Este texto de José António Saraiva é exemplo do que eu afirmei acima: ele critica o politicamente correcto, mas de mansinho e com muitos rodriguinhos à mistura — não vá o diabo tecê-las…!

Não me vou alongar no comentário ao texto de José António Saraiva, mas parece-me lógico que ele parte de um princípio errado: o do putativo benefício da “emancipação da mulher”. Parece-me claro que a mulher não se emancipou, coisa nenhuma. Pelo contrário, o sistema burguês, levado hoje ao seu extremo ideológico hayekiano, escravizou a mulher. Por exemplo, a partir do momento em que a mulher começou a trabalhar fora de casa, o custo da habitação aumentou no mercado para assim absorver as mais-valias provenientes do rendimento familiar acrescentado pela mulher.

Estudos credíveis demonstram claramente que a mulher [em termos gerais e em juízo universal] é mais infeliz hoje do que na década de 70 do século que findou.

Porém, e apesar da urticária mental que possa causar, recomendo a leitura do texto de José António Saraiva.

1 Comentário »

  1. Infelizmente, tenho que concordar contigo. No que me diz respeito, eu encabeçaria a fila de mulheres que dariam “porrada” na dona Beth Friedman e suas idéias brilhantes.

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    Comentar por delfinaguimaraes — Terça-feira, 27 Março 2012 @ 6:43 pm | Responder


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