perspectivas

Domingo, 18 Março 2012

A Esquerda é anti-científica

Um dos sinais do retrocesso na cultura intelectual contemporâneo, que se reflecte na cultura antropológica, é o total desprezo pela lógica.

As elites contemporâneas desprezam a lógica, e com orgulho!. E esse desprezo pela lógica, que caracteriza a cultura das elites (por exemplo, dos intelectuais orgânicos da Esquerda) tende a ser o factor mais importante para a imposição de uma dissonância cognitiva cultural em larga escala, e imposta às “massas”.

A Esquerda é hoje, mais do nunca, anti-científica. Hoje, alguém que se diga “cientista” e simultaneamente de esquerda, revela uma contradição em termos. Normalmente, um “cientista de esquerda” é anti-ciência.

O sintoma evidente da cultura intelectual anti-lógica é a eliminação, no discurso político-cultural, das categorias lógicas emanadas de Aristóteles — e até mesmo a erradicação das categorias de Kant que reflectem a tábua dos juízos possíveis segundo a lógica formal, ou seja: as categorias de Kant traduzem, em última análise, a lógica de Aristóteles.

A cultura intelectual contemporânea parte do pressuposto segundo o qual “os princípios da lógica progridem e evoluem”, o que é a negação da própria lógica.

A aplicação das categorias lógicas ao entendimento é essencial ao conhecimento objectivo da realidade.
Por exemplo, colocamos uma formiga em uma determinada categoria, e um canídeo em outra categoria, baseando-nos em diferenças ontológicas e morfológicas fundamentais e essenciais. Parece-nos lógico que uma formiga não é um cão, e por isso classificamos estes dois animais em diferentes categorias. E depois descemos mais fundo na análise ontológica e morfológica de cada um dos seres categorizados, e descobrimos outras diferenças específicas em cada categoria: por exemplo, descobrimos que existem diferenças fundamentais e específicas entre o cão [macho] e a cadela [fêmea], e assim fundamentamos uma sub-categoria ou uma categoria intrínseca à espécie que é objecto de conhecimento objectivo.

Portanto, as categorias aplicadas aos seres vivos reflectem as diferenças ontológicas e morfológicas fundamentais entre os seres concebidas segundo um juízo universal, e em função da realidade objectiva, por um lado. E, por outro lado, as categorias agrupam os seres vivos em função de semelhanças ontológicas e morfológicas fundamentais. E quando essas categorias lógicas são aplicadas ao ser humano e à vida humana, surgem as instituições que são características do único ser vivo que tem uma cultura: o ser humano.

Em suma: o desenho dos fundamentos da sociedade não existe de uma forma aleatória, arbitrária e/ou acidental; mas antes obedece a uma construção que se baseia nos primeiros princípios lógicos e axiomáticos.

Quando o transsexual “Jenna Talackova” é aceite como “candidata” ao concurso de Miss Universo no Canadá, temos um exemplo concreto da demonstração do desprezo e repúdio das categorias da lógica por parte das elites contemporâneas. As elites decidiram que “a lógica evolui” em função da divinização da sua vontade de elite; as elites consideram-se criadoras dos axiomas lógicos; as elites neognósticas assumem-se como substitutos de Deus.

A Esquerda é hoje, mais do nunca, anti-científica. Hoje, alguém que se diga “cientista” e simultaneamente de esquerda, revela uma contradição em termos. Normalmente, um “cientista de esquerda” é anti-ciência.

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