perspectivas

Quarta-feira, 14 Março 2012

Palavras para quê? É um artista português…

“O professor universitário José Pacheco Pereira alertou hoje que Portugal vive numa ambiente propício ao surgimento de um novo Sidónio Pais montado num cavalo branco, populista e demagógico, que ponha em causa a democracia.”

via ‘A cama está posta para um novo Sidónio Pais’ – Política – Sol.

« “Demagogia” é o vocábulo que os democratas empregam quando a democracia os assusta. »
— Nicolás Gómez Dávila

A democracia irrita a classe política que temos. E por que é que a democracia irrita a classe política? Porque para esta classe política não convém que exista grande espírito crítico no meio da populaça. Para esta classe política, a democracia directa é sinónimo de demagogia. Esta classe política habituou-se ao conceito de “vontade geral” de Rousseau como sendo “aquilo que nos dá na real gana”.

Houve referendo sobre o Tratado de Lisboa? Nem podia haver referendo, porque a “vontade geral” impõe automaticamente o estatuto de ignorância ao povo. Antes, a classe política aposta no “progresso da opinião pública”: o povo burro vai sendo ensinado a comer palha, por uma elite de iluminados.

Houve referendo sobre o Acordo Ortográfico? Claro que não! A novilíngua foi assinada e imposta em 1990 por um secretário-de-estado da Coltura que adorava os “violinos de Chopin”, e por um primeiro-ministro que não fez o liceu e que é hoje presidente da república.

Houve referendo sobre o “casamento” gay? Claro que não! Os referendos custam dinheiro que faz falta para a classe política poder ostentar e gastar aquilo que não possui. E por aí fora… a cultura antropológica de todo um povo vai sendo corrompida em nome de promessas de bem-estar material que ou não se cumprem, ou sofrem agora uma regressão histórica: o povo passa a ter um nível de vida dos anos 80, mas tem “casamento” gay, aborto livre, divórcio unilateral e na hora e, por exemplo, ainda tem que pagar as inspecções periódicas dos automóveis como se fosse alemão.

Portanto, a verdade é que já vivemos em demagogia; José Pacheco Pereira está equivocado. O nosso sistema não é democrático: antes, é demagógico. Democracia é outra coisa.

1 Comentário »

  1. Vários pontos:
    1- Notável a frase de Dávila… tão simples e tão cheia de propriedade! Parabéns pela escolha.
    2- Referendos??? O meu caro Braga é um optimista incorrigível! Lembra-se da Irlanda (?) Quantos se fizerem até se chegar ao resultado pretendido? Isso sai muito caro. O que é preciso é impor a vontade totalitária de uma meia dúzia de burocratas medíocres que a única coisa que têm em mente é a perpetuação do tacho; quanto ao AO, aí é mais o penacho, pois o tacho fica reservado às editoras e afins, e, por fim, no caso do aborto, “casamento” de fanchonos, etc, trata-se apenas de uma deformação mental dessas alimárias; precisam, disso como do ar que respiram.
    3- Nível de vida: lamento discordar de si, pois que o que esses incompetentes gananciosos e corruptos vão fazer, é atirar-nos para os anos 50 ou mesmo os da guerra… dentro de não muito tempo, irá ver que eu é que tenho razão… para mal dos nosso pecados.
    4- O nosso sistema (mais uma vez estou em desacordo consigo) nem é democrático, nem demagógico; é, tão-somente, uma cleptocracia.

    Cumpts

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    Comentar por Inspector Jaap — Quarta-feira, 14 Março 2012 @ 11:06 am | Responder


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