perspectivas

Quinta-feira, 8 Março 2012

A ‘ciência’ diz que ‘um tarado sexual só pode ser heterossexual’

Filed under: A vida custa,ética,Ciência,cultura,Esta gente vota,homocepticismo — O. Braga @ 7:52 pm
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« There indeed are persons who organize their lives around their sexual orientation. But to claim for all human persons that “sexual orientation encompasses an individual’s sense of personal and social identity” is remarkable both conceptually and scientifically. »

via Logos: The social sciences cannot settle the moral status of homosexuality – by Stanton L. Jones.

Imaginemos um indivíduo, que não sendo homossexual, faz do seu desejo sexual a sua própria e exclusiva identidade: estaríamos em presença daquilo a que se convencionou chamar de “tarado sexual”.

Um tarado sexual é um indivíduo cuja vida orbita em torno das idiossincrasias do seu subjectivo desejo sexual: por exemplo, não pode ver uma mulher sem a provocar sexualmente, não passa por uma única mulher sem a “comer com os olhos” e “mandar umas bocas”, todas as suas conversas descambam em assuntos sexuais, vê a mulher como um mero objecto sexual, etc..

Um tarado sexual é um indivíduo com problemas mentais e a precisar urgentemente de internamento psiquiátrico.
Porém, quando os homossexuais fazem da sua “orientação sexual” a sua única e exclusiva identidade, a “ciência” diz que se tratam de pessoas absolutamente normais.

Portanto, não estamos em presença de ciência: em vez disso, estamos em presença da afirmação de uma certa mundividência ética e política que manipula a ciência [cientismo].

9 comentários »

  1. “Porém, quando os homossexuais fazem da sua “orientação sexual” a sua única e exclusiva identidade, a “ciência” diz que se tratam de pessoas absolutamente normais. ”

    Aí está uma coisa que eu não compreendo no Olavão. De um lado ele escreve isto:

    “A identidade heterossexual é a simples tradução psíquica de uma auto-imagem corporal objetiva, de uma condição anatômica de nascença cuja expressão sexual acompanha literalmente a fisiologia da reprodução. Ela não é problemática em si mesma. Já a identidade homossexual é uma construção bem complicada, montada aos poucos com as interpretações que o indivíduo dá aos seus desejos e fantasias sexuais. Ninguém precisa “assumir” que é hetero: basta seguir a fisiologia. Se não houver nenhum obstáculo externo, nenhum trauma, a identidade heterossexual se desenvolverá sozinha, sem esforço. Mas a opção homossexual é toda baseada na leitura que o indivíduo faz de desejos que podem ser bastante ambíguos e obscuros.

    A variedade de tipos heterogêneos abrangidos na noção mesma de “homossexual” – desde o macho fortão atraído por outros iguais a ele até o transexual que odeia a condição masculina em que nasceu – já basta para mostrar que essa leitura não é nada fácil. Trata-se de perceber desejos, interpretá-los, buscar suas afinidades no mundo em torno, assumi-los e fixá-los enfim numa auto-imagem estável, numa “identidade”. Não é preciso ser muito esperto para perceber que esse desejo, em todas as suas formas variadas, não é uma simples expressão de processos fisiológicos como no caso heterossexual (descontadas as variantes minoritárias deste último), mas vem de algum fator psíquico relativamente independente da fisiologia ao ponto de, na hipótese transexual, voltar-se decididamente contra ela.

    A conclusão é que o desejo em si mesmo, o desejo consciente, assumido, afirmado – e não o desejo como mera manifestação passiva da fisiologia –, é a base da identidade homossexual. Mas uma identidade fundada na pura afirmação do desejo é, por sua própria natureza, incerta e vacilante, porque toda frustração desse desejo será vivenciada não apenas como uma decepção amorosa, mas como um atentado contra a identidade mesma. Normalmente, um heterossexual, quando suas pretensões amorosas são frustradas, vê nisso apenas um fracasso pessoal, não um ataque à heterossexualidade em geral. No homossexual, ao contrário, o fato de que a maioria das pessoas do seu próprio sexo não o deseje de maneira alguma já é, de algum modo, discriminação, não só à sua pessoa, mas à sua condição de homossexual e, pior ainda, à homossexualidade em si.”

    Do outro, ele diz que a homosexualidade não é um distúrbio mental. Então, seria o quê?

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    Comentar por pedrogarciaburgales — Sexta-feira, 9 Março 2012 @ 12:56 am | Responder

    • Olavo de Carvalho tem razão naquilo que escreveu. Tenho apenas uma pequena objecção: a sexualidade [heterossexual] masculina precisa de um “valor acrescentado” que a heterossexualidade feminina não necessita.

      Nesse trecho, Olavo de Carvalho não diz que a homossexualidade é um distúrbio mental, mas também não diz que não é. O que Olavo de Carvalho diz é que a identidade do gay consiste no seu próprio e subjectivo desejo sexual — e nisso tem razão.

      O que eu quero dizer com este verbete é que se um tarado sexual heterossexual é, por definição, tarado — porque faz do seu desejo sexual a sua identidade social e mesmo psíquica —, não vejo por que razão um gay não seja tarado.

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      Comentar por O. Braga — Sexta-feira, 9 Março 2012 @ 7:54 am | Responder

  2. “Nesse trecho, Olavo de Carvalho não diz que a homossexualidade é um distúrbio mental, mas também não diz que não é.”

    Na verdade ele é enfático ao dizer que a homossexualidade não é um distúrbio mental. Afirmou isto várias vezes no True Outspeak. A minha pergunta “Então, seria o que?” foi sincera. Eu realmente gostaria de saber a resposta.

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    Comentar por pedrogarciaburgales — Sexta-feira, 9 Março 2012 @ 7:03 pm | Responder

    • Em primeiro lugar, há que distinguir um homossexual, do comportamento homossexual. Há homossexuais que não têm um comportamento homossexual.

      Em segundo lugar, se você ler o artigo em epígrafe escrito em inglês pelo tal Jones, a tese é a de que não devemos dizer que “o comportamento homossexual decorre de uma doença mental”, alegadamente porque estaríamos a atribuir à homossexualidade um determinismo genético ou biológico que daria razão aos ideólogos que dizem que “os gays nasceram assim mesmo”. O tal Jones diz que é preferível dizer que “o comportamento homossexual é um pecado”.

      Eu não concordo com o tal Jones, porque existem muitos distúrbios mentais que não decorrem da herança genética ou da vida intra-uterina — por exemplo, o stress pós-traumático. Ninguém nasce com stress pós-traumático, a não ser que exista uma guerra ou uma revolução no útero materno… 🙂

      Um assassino sem remorso pode não ter herdado o seu distúrbio mental, mas antes adquiri-lo pela influência do meio ambiente e por aculturação — e nem por isso podemos dizer que existiu no processo de aculturação uma negação do livre-arbítrio: uma pessoa é sempre mais ou menos livre para não se deixar aculturar.

      A homossexualidade é uma parafilia; o comportamento homossexual é um desvio sexual. Neste sentido é um distúrbio mental.

      Quanto a Olavo de Carvalho, aponte-me um texto em que ele diga, preto no branco, que “a homossexualidade não é um distúrbio mental”, porque eu não posso comentar a opinião de alguém senão quando escorado em factos fidedignos.

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      Comentar por O. Braga — Sexta-feira, 9 Março 2012 @ 7:26 pm | Responder

  3. “Quanto a Olavo de Carvalho, aponte-me um texto em que ele diga, preto no branco, que “a homossexualidade não é um distúrbio mental”, porque eu não posso comentar a opinião de alguém senão quando escorado em factos fidedignos.”

    Como eu disse acima, ele negou que a homossexualidade fosse uma doença mental no seu programa de rádio.

    O Sr. disse:

    “Em primeiro lugar, há que distinguir um homossexual, do comportamento homossexual. Há homossexuais que não têm um comportamento homossexual.”

    E depois:

    “A homossexualidade é uma parafilia; o comportamento homossexual é um desvio sexual. Neste sentido é um distúrbio mental.”

    Talvez eu não tenha entendido bem. O Sr. quer dizer que o distúrbio mental só se verifica se o indivíduo levar o seu desejo homossexual à prática? Nesse caso, o desejo homossexual reprimido seria o quê?

    “Um assassino sem remorso pode não ter herdado o seu distúrbio mental.”

    Sobre esse assunto: Research Shows Genes Influence Criminal Behaviour.

    Aliás, o Sr. viu essa maravilha aqui: Anna Smajdor.

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    Comentar por pedrogarciaburgales — Sexta-feira, 9 Março 2012 @ 9:22 pm | Responder

    • “Como eu disse acima, ele negou que a homossexualidade fosse uma doença mental no seu programa de rádio.”

      Não ouvi esse programa de rádio, e portanto não posso comentar sobre aquilo que não ouvi. Muitas vezes as palavras são retiradas do devido contexto e interpretadas a bel-prazer.

      “O Sr. quer dizer que o distúrbio mental só se verifica se o indivíduo levar o seu desejo homossexual à prática?”

      Vou fazer uma analogia — que não é uma comparação!

      Um indivíduo com instintos homicidas mas que é capaz de os conter e de não matar, não é a mesma coisa que um outro indivíduo com instintos homicidas mas que mata. Portanto: há que distinguir um homossexual, do comportamento homossexual. Há homossexuais que não têm um comportamento homossexual.

      “Sobre esse assunto: Research Shows Genes Influence Criminal Behaviour.”

      Não existem provas científicas que demonstrem que a homossexualidade tem origem genética. Ponto final. Parágrafo.

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      Comentar por O. Braga — Sexta-feira, 9 Março 2012 @ 9:52 pm | Responder

  4. O primeiro link falhou. Vamos ver se vai agora: Eureka Alert.

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    Comentar por pedrogarciaburgales — Sexta-feira, 9 Março 2012 @ 9:24 pm | Responder

  5. A minha dúvida permanece:

    “Nesse caso, o desejo homossexual reprimido seria o quê?”

    “Vou fazer uma analogia — que não é uma comparação!”

    Se não for incômodo, eu também vou fazer uma analogia, que como no caso citado, não é uma comparação. Um indivíduo com instintos pedófilos mas que é capaz de os conter e de não seviciar crianças, não é a mesma coisa que um outro indivíduo com instintos pedófilos mas que sevicia. No entanto, o instinto está ali presente. O mesmo diga-se do instinto homossexual e do instinto homicida. Daí a minha pergunta:

    “Nesse caso, o desejo homossexual *reprimido* seria o quê?”

    “Não existem provas científicas que demonstrem que a homossexualidade tem origem genética. Ponto final. Parágrafo.”

    O Sr. talvez não acredite, mas não foi o meu propósito fazer essa associação. Palavra de honra.

    E por falar em pedofilia: Child Molestation and the Homosexual Movement.

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    Comentar por pedrogarciaburgales — Sexta-feira, 9 Março 2012 @ 10:52 pm | Responder

    • “Nesse caso, o desejo homossexual reprimido seria o quê?”

      Uma das razões por que eu sou contra a pena-de-morte é a de que um velho de 80 anos, que matou aos 20 anos, provavelmente já não é um assassino. O desejo humano não permanece necessariamente o mesmo durante toda a vida: o desejo muda conforme a experiência do indivíduo.

      Um indivíduo que tem um determinado tipo de desejos aos 20 anos poderá eventualmente já não os ter aos 50 anos. Nicolás Gómez Dávila escreveu o seguinte: “Começamos escolhendo porque admiramos, e terminamos admirando porque escolhemos.” As pessoas mudam.

      É preciso ter cuidado com uma certa visão determinística do ser humano que é característica dos calvinistas. Não existe essa coisa dos “homens eleitos e escolhidos, que já nasceram salvos por Deus”; nem existe essa coisa darwinista dos homens não terem livre-arbítrio e serem uma espécie de animais irracionais comandados pelos genes. Estas duas mundividências coincidem.

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      Comentar por O. Braga — Sexta-feira, 9 Março 2012 @ 11:12 pm | Responder


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