perspectivas

Sábado, 25 Fevereiro 2012

Platão defendeu uma forma política de comunismo

Filed under: filosofia — O. Braga @ 9:49 pm
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“As preferências políticas de Platão são conhecidas. Organizaria uma polis do seguinte modo: à sua cabeça estaria o Filósofo-Rei, aquele que é capaz de alcançar a Verdade que habita no mundo das Ideias e apenas ao alcance dos filósofos; os Guardiões assegurariam a segurança interna e a protecção externa; e os Trabalhadores conceberiam os bens e serviços para a sociedade.”

via A Cigarrilha de Chesterton: Estado Ideal.

Não se trata de um “filósofo-rei” — conforme está escrito no trecho citado — mas antes de um “filósofo”. Só. Platão não defendeu, na sua República, uma monarquia: a sucessão do filósofo no Poder não era dinástica. Convém que estes pequenos detalhes sejam claros.


Há uma frase do insuspeito Nicolás Gómez Dávila que reza assim:

“O totalitarismo é a fusão sinistra da religião e do Estado.”

O que varia, nos totalitarismos de todos os tempos, é o tipo de religião. As religiões políticas são formas imanentes de religião.
O movimento revolucionário europeu começou com uma teocracia: a de Calvino; e depois expandiu-se à Holanda e à Inglaterra dos puritanos. Portanto, ser a favor de uma teocracia e ser, simultaneamente, tradicionalista, é uma contradição em termos.

O absolutismo do Ancien Regime [finais do século XVII em diante,ou seja, o advento da Idade Moderna] pouco ou nada tem de tradicionalista. O sistema político feudal e, mais tarde, a tradição associativa, não era absolutista: pelo contrário!: existia naquela época uma boa dose de independência ou autonomia entre os vários poderes políticos.

A ideia da teocracia expressa na ligação supra é chapada da teocracia de Calvino. E entre a teocracia e a democracia que temos — que se diz “representativa” mas que representa exclusivamente as elites — existem sistemas políticos alternativos credíveis que já foram experimentadas historicamente — por exemplo, o tipo de sociedade defendida pelo francês Alexis de Tocqueville: basta ler a sua obra: está lá tudo bem explicadinho.


Platão defendeu uma forma política de comunismo. Portanto, invocar Platão para defender uma aristocracia, é uma contradição em termos.

Platão defendeu a ideia de que família deveria ser totalmente controlada pelo Estado, ou melhor, defendeu a abolição pura e simples da vida familiar.

Segundo Platão, as uniões entre homens e mulheres seriam friamente estabelecidas pelo Estado com vista à procriação de “filhos saudáveis” [Platão e Aristóteles defendiam o infanticídio das crianças nascidas com deficiência], e as crianças seriam criadas e educadas pelo Estado como se fossem uma única família. Esta ideia platónica de família foi parcialmente adoptada por Hitler, Mao Tsé Tung e Estaline, com os resultados que sabemos.

Platão foi o primeiro pensador político a conceber a ideia da necessidade de construção de campos de concentração como solução política para os relapsos políticos.

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