perspectivas

Quinta-feira, 22 Dezembro 2011

Ponto de ordem para esclarecer a minha posição em relação a Passos Coelho

Filed under: Passos Coelho,Pernalonga,Política — O. Braga @ 6:42 am
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Se ouvirem, por exemplo, Bagão Félix, por um lado, e Passos Coelho, por outro lado, a dissertar sobre economia política, encontrarão certamente diferenças objectivas, formais e de conteúdo, nos discursos de ambos. Eu concordo maioritariamente com a forma e com o conteúdo do discurso de Bagão Félix, e discordo muitas vezes com o conteúdo expresso, e na maioria das vezes com a forma, como Passos Coelho vê a economia política. No entanto, dizem-nos que são ambos da Direita.

Não podemos esquecer o facto insofismável de Passos Coelho ter sido, na sua juventude, membro da Juventude Comunista. Estas coisas têm o valor que têm, mas não deixam de ter algum valor. Em contraponto, não estou a ver o jovem Bagão Félix a militar no Partido Comunista.

As diferenças entre Bagão Félix e Passos Coelho não são apenas diferenças justificáveis pelos diferentes sujeitos — não são apenas diferenças subjectivas: antes, são essencialmente diferenças ideológicas no sentido em que ambos terem sofrido, ao longo das respectivas vidas, influências ideológicas diferenciadas: Bagão Félix é democrata-cristão [sofreu a influência da doutrina social da Igreja Católica], e Passos Coelho é neoliberal [sofreu, alegadamente, a influência da teoria ética, política e económica de Hayek].

Não existe, portanto, apenas uma Direita em Portugal; existem [pelo menos] duas direitas que são tão diferentes entre si, como são diferentes o Partido Socialista e o Partido Comunista. Eu não votei no partido de Passos Coelho porque não me identifico com a ética e com ideologia política e económica que este perfilha. Considero que a forma como Passos Coelho e comandita lidam com a economia política é radical e anética — porque existem formas [ou modos] diferentes da de Passos Coelho de lidar com o problema da crise social, económica e financeira em Portugal.

Considero que o Partido Social Democrata de Passos Coelho [sublinho: de Passos Coelho] e o Partido Socialista de José Sócrates são politicamente gémeos heterozigóticos — procedem da mesma vergôntea política e apenas se adaptaram aos condicionalismos políticos actuais; são ambos produtos da mesma moda, vinhos da mesma cepa; fazem parte do problema e não da solução. O actual Partido Socialista de José Seguro entronca na mesma tendência político-cultural.

Por isso, a minha oposição a Passos Coelho tem um valor semelhante à oposição que foi feita a José Sócrates. Os valores e as mundividências de um e de doutro não são tão diferentes que valha a pena notá-los. Por isso, quando me dizem [por exemplo, no FaceBook] que “eu sou sempre do contra” [uma vez que fui contra José Sócrates e sou agora contra Passos Coelho], essas pessoas esquecem-se existem duas Direitas diferentes em Portugal e que uma delas não coincide com o PSD do Pernalonga.

Por último, o argumento “Paulo Portas”. Existe entre as bases sociais e políticas do CDS/PP, por um lado, e Paulo Portas, por outro lado, um acordo tácito e implícito: o partido cresce em apoio popular, e é deixada a Paulo Portas a liberdade política de não ser, de facto, democrata-cristão. O CDS/PP e Paulo Portas “parasitam-se” um ao outro; “uma mão lava a outra”. Do ponto de vista político e ideológico, Paulo Portas ficaria talvez muito melhor situado neste Partido Social Democrata de Passos Coelho do que no CDS/PP. Chegará, se Deus quiser, o dia em as coisas poderão ser diferentes.

1 Comentário »

  1. Eu até diria que há 3 direitas, sendo que esta última, a 3ª, está moribunda.
    Mas será possível considerar o partido do perna-longa de direita? Tenho sérias dúvidas, nem sei bem o que aquilo é.
    Quanto ao CDS penso que ninguém duvidará que realmente é de direita, mas a democracia – cristã está um pouco esquecida, e neste momento, como já o disse no post, Paulo Portas, não se enquadra lé muito bem nessa perspectiva democrata-cristã.
    Mas eu até lhe diria mais, pessoalmente, já não reconheço direita nem esquerda, exceptuando as radicais com barbas e rastas, é tudo um “MIX” muito impróprio, muito confuso, um bocejo interminável e desolador.
    A 3ª direita, a moribunda, se um dia se regenerar, poderá congregar vontades e fazer algo de positivo para o país, mas isso não acontecerá enquanto a grande hecatombe não se manifestar.

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    Comentar por Filipe Crisóstomo (@Skedsen) — Quinta-feira, 22 Dezembro 2011 @ 10:36 am | Responder


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