perspectivas

Domingo, 11 Dezembro 2011

Desconstruindo uma desconstrução

Filed under: ética,filosofia — orlando braga @ 3:11 pm
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O termo “meta-ética” é um neologismo que pretende colocar em pé de igualdade, se não todos, pelo menos os sistemas éticos mais defendidos ao longo da História. E a partir de uma putativa igualdade valorativa a priori entre diversos sistemas éticos, faz-se prevalecer sobre todos os outros, na cultura intelectual, o sistema ético do Zeitgeist — aquele que está na moda entre as elites académicas. O termo “meta-ética” é absurdo, porque se existe uma “meta-ética”, então também poderá existir uma “meta-meta-ética” ou uma “pré-meta-ética”, e assim por adiante até ao infinito.

“Naturalismo ético é uma versão de realismo que declara que os valores morais podem ser identificados com uma dada propriedade natural ou reduzidos a uma propriedade dada natural.”

Aqui, uma “propriedade natural” é considerada como sendo a propriedade de tudo aquilo que tem massa [a matéria tem massa, segundo o Naturalismo], sendo que aquilo que não tem massa não é considerado material, e por isso, não é considerado “natural” pelo Naturalismo. Para o Naturalismo, aquilo que não é material [que não tem massa] é um epifenómeno da matéria.

Por exemplo, 1) os princípios lógicos não são físicos e, portanto, não são naturais [não têm massa] no sentido atribuído pelo Naturalismo; 2) na Função Ondulatória Quântica, a onda quântica ou tem uma massa residual e quase nula, ou não tem massa; em tese, a onda quântica no seu estado puro não tem massa — e contudo, a onda quântica e a Função Ondulatória Quântica fazem parte da Natureza e são, por isso, naturais. E mais: é a partir da Função Ondulatória Quântica, por via da força entrópica da gravidade, que se forma o mundo tridimensional e macroscópico que percepcionamos através dos nossos sentidos. Em suma: aquilo que não tem massa [a onda quântica] está na base da matéria — a matéria que segundo o Naturalismo só pode ter massa.

Portanto, o naturalismo ético é um absurdo, porque ignora ostensivamente a parte da natureza [ou a parte da realidade] que não possui as características exclusivistas atribuídas pelo Naturalismo à matéria.

O problema contemporâneo da filosofia ensinada nas universidades por gente, por exemplo, como Desidério Murcho, está espelhado nesse texto: a filosofia está orgulhosamente desactualizada! Desactualizados, mas com orgulho; e fazendo de conta que os novos dados objectivos acerca da realidade não têm a mínima importância.

Aristóteles dizia que quando um princípio está errado, toda a teoria nele baseada tem grande probabilidade de estar errada; e os pressupostos do mini-ensaio estão errados.

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