perspectivas

Sexta-feira, 4 Novembro 2011

A neurobiologia e a cacofonia do cérebro

«Dr. Gazzaniga, 71, now a professor of psychology at the University of California, Santa Barbara, is best known for a dazzling series of studies that revealed the brain’s split personality, the division of labor between its left and right hemispheres. But he is perhaps next best known for telling stories, many of them about blown experiments, dumb questions and other blunders during his nearly half-century career at the top of his field.

Now, in lectures and a new book, he is spelling out another kind of cautionary tale — a serious one, about the uses of neuroscience in society, particularly in the courtroom

via Telling the Story of the Brain’s Cacophony of Competing Voices – NYTimes.com.

Podemos imaginar uma cena, por um absurdo apresentado como sendo absolutamente racional, em que um assassino em série diz ao juiz, em tribunal:

“Senhor juiz, a culpa dos assassínios não foi minha: a culpa foi dos meus genes!”

O mesmo princípio absurdo do determinismo genético e/ou determinismo neurobiológico tem sido utilizado pelo lóbi político guei que afirma que “um guei já nasceu guei”. E como um guei “já nasceu guei”, todo o tipo de comportamento inerente à “condição inata guei” terá que ser admitida.

E depois, perante a ambiguidade da afirmação do “eventual criminoso em série” (eventual, porque se aguarda a prova genética ou biológica da sua inimputabilidade), o juiz de Direito é afastado do processo de julgamento e caberá exclusivamente à comunidade científica, especializada na “cacofonia do cérebro”, determinar a culpa ou não culpa do réu.

E dada a politização da ciência que existe hoje — que está implícita nesta recusa da liberdade humana, para assim se politizar a ciência —, a decisão da comunidade científica encarregada de analisar a culpabilidade do réu será condicionada pelas influências políticas das elites. No que diz respeito aos crimes previstos no Código Penal, os tribunais seriam, grosso modo, substituídos por laboratórios “científicos”. Ou seja: em última análise, a condenação ou não condenação de alguém passaria a estar dependente de critérios arbitrários e estritamente políticos.

Sem o reconhecimento do princípio do livre-arbítrio, a lei seria, então, destruída nos seus fundamentos. E é para conseguir a destruição da lei e da justiça que trabalham os novos gnósticos, ou seja, os herdeiros do marxismo (ou daquilo que resta dele) — que é essencialmente determinista no que respeita ao ser humano — que inundam as universidades do Ocidente.

O artigo no NYT descreve a opinião do neurocientista e psicólogo americano Dr. Gazzaniga, que denuncia a tentativa de transformar a ciência neurobiológica em uma espécie de “braço armado” do neomarxismo. A neurobiologia deixou de ser ciência: como afirma o Dr. Gazzaniga, trata-se de “fool’s game” (uma brincadeira de loucos).

Em função do que pretende a tendência actual do cientismo biológico, o Dr. Gazzaniga tem algumas afirmações curiosas e pertinentes:

  • A responsabilidade resulta do contrato entre duas pessoas (ou de um contrato tácito entre o indivíduo e a sociedade) e não é uma propriedade do cérebro; e o determinismo não tem sentido neste contexto.
  • A responsabilidade, embora derivada de mecanismos biológicos do cérebro, obedece a leis diferentes desses mecanismos biológicos — tal como as leis que regem a água e o gelo, respectivamente, são leis diferentes!

Os argumentos do Dr. Gazzaniga são auto-evidentes e estritamente científicos; não se trata aqui de metafísica: trata-se de constatar aquilo que é evidente.

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