perspectivas

Quarta-feira, 2 Novembro 2011

O que eu penso, neste momento, sobre a crise grega

Filed under: Europa — O. Braga @ 8:02 am
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A crise na Grécia é um aviso para a União Europeia acerca da política de alargamento da união e do Euro a leste, tão cara a Ângela Merkel.

É compreensível que Ângela Merkel e os alemães pensem no Euro como uma força económica centrípeta que “suga” as economias periféricas, transferindo recursos económicos e financeiros em massa para os países do centro da Europa; neste sentido, o alargamento da União Europeia a leste e a expansão do Euro é uma forma de “engordar” os países do directório; e em troca do definhamento progressivo e da perda de soberania das economias periféricas, a União Europeia do directório lança programas de transferência de fundos para esses países neófitos, fundos esses que servem para fomentar as importações e alimentar a máquina industrial exportadora alemã, por um lado e, por outro lado, para impor o desmantelamento das indústrias nacionais dos países periféricos.

Depois de dois anos em que o directório da União Europeia (a Alemanha e a nova França de Vichy) andaram a brincar com o caso grego, e depois do anúncio do primeiro-ministro grego Papandreou em anunciar um referendo acerca do novo plano de resgate para a Grécia, a União Europeia protesta com o “credo na boca”.

Desde logo é estranho que esta União Europeia — a começar por Durão Barroso — proteste contra um acto de democracia, como é o caso do referendo grego. Muito estranho, mesmo! Ouvi Paulo Portas dizer implicitamente que nós, portugueses, é que somos bons porque não praticamos referendos democráticos. Existe nesta União Europeia uma cultura política anti-democrática, desta feita de pendor neoliberal, que é muitíssimo perigosa.

A demissão simultânea das chefias de todos os ramos das Forças Armadas gregas pode significar já a existência de uma conspiração para um golpe militar (realizado ao Domingo, como convém, porque os mercados estão fechados). Portanto, um retorno a uma espécie de “Grécia dos Coronéis” não é uma hipótese remota.

O grego não é como o português. Carpe Diem, é a divisa grega: o grego vulgar vive o dia-a-dia, não se preocupa com o passado nem com o futuro: os problemas de amanhã resolvem-se amanhã e não há como se preocupar hoje; vamos viver hoje e amanhã logo se verá. Esta é a mentalidade típica do grego. Ora, esta cultura grega é potencializadora de uma mudança radical à mínima contrariedade; a capacidade de risco através da mudança (mesmo com fortes probabilidades de a situação grega piorar) aumenta geometricamente, quando comparada com Portugal. E, portanto, não me admirava nada que na Grécia existam hoje forças políticas com grande influência na sociedade que pretendam sair da actual situação crísica sem pagar um cêntimo de Euro aos credores.

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