perspectivas

Domingo, 30 Outubro 2011

O problema da produtividade no trabalho

“O tempo de trabalho a mais que o governo quer implementar no nosso mundo de trabalho pouco resolve o nosso maior problema nacional: a baixa produtividade do trabalho. Não que trabalhar mais horas prejudique o trabalho nas empresas no curto prazo. Parece evidente que isso é benéfico. Mas não é a solução do problema da falta de produtividade (quantidade de trabalho produzido por unidade de tempo). Temos é que produzir o mesmo trabalhando menos horas. Essa é a uma das principais formas de a sociedade libertar recursos para poder produzir mais.”

“Quantidade de trabalho produzido por unidade de tempo”. Eis o problema.

Parece-me que existe uma diferença essencial entre produtividade e competitividade, embora os dois conceitos esteja interligados: ou submetemos a produtividade a critérios de competitividade, ou submetemos a competitividade a critérios de produtividade. É na tentativa de encontrar o equilíbrio entre estes dois critérios que está a solução do problema.

Por exemplo, um trabalhador chinês é mais competitivo — porque trabalha mais horas por dia e ganha muitíssimo menos de salário — do que um trabalhador alemão, mas aquele não é mais produtivo do que este último. E é através da produtividade que o trabalhador alemão consegue não só compensar a sua relativa falta de competitividade, como consegue até ganhar vantagens em relação à sua menor competitividade quando comparado com o trabalhador chinês.

É por isso que quando se diz, nos me®dia, que “o trabalhador alemão é mais competitivo do que o trabalhador português”, estamos em presença de um sofisma neoliberal: na realidade, o trabalhador alemão é, em vez disso e apenas, mais produtivo que o trabalhador português, até porque está provado que o trabalhador português trabalha mais horas por dia do que o alemão. O problema é que o trabalhador português está inserido no mesmo mercado aberto do trabalhador alemão.

O aumento da produtividade aumenta automaticamente a competitividade?

Isso depende dos tipos de produtos e do tipo de mercado. Enquanto a Alemanha produz, por exemplo, automóveis e maquinaria pesada com alto valor acrescentado, e a China tem tido, até agora, muita dificuldade em impor os seus automóveis e a sua maquinaria pesada no mercado global — então a Alemanha tem sucesso quando submete a sua competitividade a critérios de produtividade. Em contraponto, por exemplo, a China submete, por enquanto, a sua produtividade a critérios de competitividade.

Porém, se num futuro muito próximo a China conseguir inverter a relação entre estas duas categorias de critérios, a Alemanha perderá ambas as vantagens que tem hoje: ou seja, perderá a competitividade que decorre da sua produtividade. Será nessa altura que a Alemanha exigirá à União Europeia a protecção do mercado europeu à importação de determinados produtos oriundos da China; ou seja: será nessa altura que a Alemanha exigirá para si o que sempre recusou para os países de economia mais fraca pertencentes à União Europeia, como é o caso de Portugal.

É em nome desse equilíbrio entre produtividade e competitividade, que Portugal deve sair da zona Euro.

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