perspectivas

Sexta-feira, 2 Setembro 2011

O feminismo e a esterilização das relações humanas

O conceito de “violência simbólica” traduz a expressão do novo machismo, muito mais perigoso, para as mulheres, do que o machismo tradicional: o machismo de Esquerda e politicamente correcto.

Chegou-me às mãos este texto publicado em um sítio alegadamente católico, e verificamos nele o aproveitamento político do feminismo que, aparentemente, já se infiltrou na Igreja Católica. Esse aproveitamento político confunde propositadamente, em uma mesma instância de análise, a violência física, por um lado, com aquilo a que se chama de “violência simbólica” aplicado ao sexo masculino, por outro lado.

Desde logo, o que é repugnante é que o feminismo e o politicamente correcto ignorem ostensivamente a violência física exercida por mulheres em relação aos seus companheiros. Embora o número de casos de violência feminina sejam inferiores aos da violência masculina, esses números não são despiciendos, e as estatísticas dos Estados Unidos podem ser consultadas na Internet. Este “fazer de conta que a violência feminina não existe”, e a incidência e o foco da atenção em apenas uma parte da realidade, para além de ser um atentado à nossa inteligência, é absolutamente nojento.

Para além da visão parcial da realidade e política e ideologicamente orientada, o feminismo adopta o conceito de “violência simbólica” que não é só de Pierre Bourdieu, mas foi essencialmente desenvolvido pelo desconstrutivismo que culminou em Derrida, conforme escrevi aqui. Aliás, o conceito de “violência simbólica” não tem uma definição, mas antes baseia-se em puras análises subjectivas da realidade — ou seja, a violência simbólica é aquilo que eu quero, tu desejas, e eles e elas imaginam. No próprio texto não consegui encontrar uma definição de violência simbólica aplicado ao sexo masculino.

No conceito de “violência simbólica” pode caber tudo o que tu quiseres e achares necessário à sustentação da tua ideologia, com a vantagem de não existir uma definição.

Assim, qualquer acto ou comportamento do homem, pelo simples facto de ter alguma característica marcadamente masculina, pode ser considerado como sendo “violência simbólica”, o que significa, em termos práticos, a tentativa da negação cultural da essência masculina. Por exemplo, o simples facto de o homem, em termos gerais, falar menos do que a mulher, pode ser considerado como uma forma de “violência simbólica” da parte do homem em relação à mulher, porque alegadamente recusa ou não participa na forma feminina de se expressar. E o facto de o homem urinar de pé, pode ser considerado um acto de violência simbólica.

O conceito de violência simbólica masculina pode aplicar-se a tudo o que quisermos: é só escrevermos o menu. E exactamente porque o uso do conceito é arbitrário e discricionário, é irracional. Não é por acaso que este e outros conceitos desconstrutivistas aproveitados pelo feminismo, foram elaborados por homens: o desiderato é ideológico (religião política), e portanto, apela à irracionalidade do ser humano em geral, e especialmente à irracionalidade das mulheres.

Na melhor das hipóteses, este tipo de conceito ideológico alargado (violência simbólica) e não susceptível de definição, levará à esterilização das relações humanas, onde a emoção é substituída pela hipocrisia politicamente correcta, onde os planos de vida em comum (a família) e os compromissos assumidos entre as pessoas são efémeros e apenas exteriores — e não interiorizados —, e onde é, paradoxalmente, a mulher que menos ganha com o “negócio”.

O conceito de “violência simbólica” traduz a expressão do novo machismo, muito mais perigoso, para as mulheres, do que o machismo tradicional: o machismo de Esquerda e politicamente correcto.

2 comentários »

  1. Sobre o site, aquela organização se trata de mais uma estratégia grotesca do politicamente correto.

    A tal organização foi fundada por ex-católicas, mas se apresentam como católicas, o nome confunde os leigos e assim alguma paróquias e organizações católicas abrem as portas para elas, achando que se tratam de verdadeiras católicas.

    Nada impede que um nazista abra uma organização intitulada de “pelo bem dos judeus”, na verdade o maior site antisemita que já existiu tinha o nome de “Jewish Library” e na descrição do site tinha “A maior biblioteca virtual sobre judeus e o judaísmo”. A primeira vista, um leigo a ver tal site imaginava que o site era feito de judeus para judeus, mas era na realidade a maior compilação de escritos anti-semitas.

    No Brasil essa estratégia vem sendo largamente usada por aquilo que aqui se chama de “representantes da sociedade civil”, não sei como eles me representam, pois não me lembro de ter votado em nenhum deles.

    Gostar

    Comentar por Shamtia Ayomide — Sábado, 3 Setembro 2011 @ 12:39 am | Responder

  2. A origem da “Católicas pelo direito de decidir”.

    Como a Igreja Católica se opusesse à lei abortista de Nova Iorque, três membros do grupo pró-aborto NOW (“National Organization for Women” – Organização Nacional para as Mulheres) fundaram em 1970 a organização CFFC (“Catholics For a Free Choice” – Católicas pelo Direito de Decidir). Seu primeiro ato público foi o de ridicularizar a Igreja Católica, coroando uma feminista, na escadaria da Catedral de São Patrício em Nova Iorque , com o título de papisa Joana I. A primeira sede das CFFC localizou-se em Nova Iorque , nas dependências da “Planned Parenthood Federation of América” (PPFA), a filial estadunidense da IPPF[1], e atualmente a proprietária da maior cadeia de clínicas de aborto da América do Norte.

    Via: MontFort

    Gostar

    Comentar por Shamtia Ayomide — Sábado, 3 Setembro 2011 @ 12:54 am | Responder


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

AVISO: os comentários escritos segundo o AO serão corrigidos para português.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: