perspectivas

Quarta-feira, 31 Agosto 2011

O ateísmo e a realidade de “Ohsskmdss”

Filed under: Tempo de Café — O. Braga @ 11:28 am
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A nossa liberdade não consiste em criar as condições em que existimos; antes consiste em escolher o tempo e o espaço em que agimos, por via da nossa consciência, sobre a complementaridade onda / partícula. Neste sentido, Sartre tinha alguma razão quando dizia que “somos livres mesmo não agindo”: neste caso, apenas escolhemos não intervir no colapso da onda quântica.

A liberdade de Deus consiste em criar as condições em que existimos e que tornaram possível a nossa existência. Isto significa que a própria complementaridade onda / partícula é uma criação de Deus e, simultaneamente, um instrumento da acção de Deus na realidade material com a qual Deus não se confunde: a Consciência de Deus está presente na nossa realidade sem se confundir com ela. A acção de Deus consiste também na observância conscienciosa de todo o universo, decidindo em absoluta liberdade quando e onde intervir na complementaridade onda / partícula a um nível total do universo — e não só a um nível restrito, limitado, e finito, como é o nosso.

John Locke resumiu a ideia dos dois parágrafos anteriores afirmando que se existem leis da natureza e leis da física, então terá que existir um legislador. E se existe uma ordem no universo, logo terá que existir um ordenador. Porém, um exercício de lógica tão simples parece não se coadunar com a mente de um ateu.

Parece-me que o problema dos ateus em relação a Deus tem a ver com a História, com a cultura e com a nossa linguagem fonética.

Se em vez de “Deus”, Lhe chamássemos “Ohsskmdss”, provavelmente muitos ateus passariam a estar de acordo com John Locke; e já outros ateus, em vez de adoptar o nome de Deus, ou o de “Ohsskmdss”, optaram por “Evolucionismo”; a fé não deixou, por isso, de existir.

Lá no fundo dos seus íntimos e da suas consciências, os ateus sabem que Locke tem razão, mas é a revolta interior conduzida pelas paixões exacerbadas, por um lado, e a negação da História que é por eles considerada como um “mal ontológico”, por outro lado, que os leva à recusa do nome de “Deus”. Porém, esquecem-se que a responsabilidade do passado humano pertence essencialmente à liberdade dos homens; Deus apenas nos ajuda a ser mais livres.

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