perspectivas

Sábado, 27 Agosto 2011

A violência do Bloco de Esquerda sobre a sociedade justifica a própria violência

Adopção de crianças por duplas de gays: “Bloco de Esquerda vai levar tema a debate na Assembleia da República ainda durante esta sessão legislativa”


« (…) a lógica do liberalismo político leva-o a tolerar ideias ou movimentos que têm como finalidade destruí-lo. A partir daí, perante a ameaça, o liberalismo está condenado, quer a tornar-se autoritário, isto é, a negar-se ― provisória ou duradouramente ― a si mesmo, quer a ceder o lugar à força totalitária colocada no poder por meio de eleições legais (Alemanha, 1933) » — Edgar Morin


1Eu penso que o Estado de Direito já não existe em Portugal, porque o Direito Positivo (assim como a ética) é racionalmente fundamentado, para além de que quando a norma passa a ser adequada ao facto, o Direito deixa de existir como tal — uma coisa semelhante se passa na ética: não devemos deduzir um sistema ético a partir da natureza humana, nem devemos adequar as normas éticas aos factos (falácia naturalista).

A Razão de Estado — que nos chega de Botero — defende os interesses da sociedade como um Todo, e não apenas alguns interesses particulares. Portanto, o Estado de Direito já não existe em Portugal, e em dois sentidos: o Direito Positivo deixou de ser racional, por um lado, e, por outro lado, a Razão de Estado passou a ser letra morta.

2A subversão do Estado de Direito passa pela interpretação ad Litteram do princípio de “vontade geral” de Rousseau, que não é a “vontade da maioria”. A “vontade geral” de Rousseau é a vontade da elite política e à revelia do povo e, em muitos casos, mesmo contra o povo. Porém, o próprio Rousseau previu, nos seus escritos, a possibilidade do abuso do conceito de vontade geral, quando escreveu que um direito digno desse nome nunca poderá ser “um direito que caduca quando a força (do Estado) acaba”. E isto remete-nos para a lei natural e para a condição da criança e dos seus direitos dentro deste quadro.

3A partir do momento em que o Estado de Direito não existe, todas as acções políticas passam a ser justificadas. O que o Bloco de Esquerda — e não só — está a fazer é exercer um determinado tipo de “violência legalizada” sobre a sociedade: é uma espécie de violência cultural sobre o colectivo, que pode perfeitamente justificar outras formas de violência — desta feita, formas de “violência não-legalizadas” — sobre os lideres do Bloco de Esquerda (e não só).

Quando o Direito se afasta da Razão e dos princípios ontológicos auto-evidentes, passam a ser legítimos todos os meios necessários para repor a lógica do Estado ao serviço da sociedade, do seu futuro e da sua auto-preservação. E esses meios necessários incluem, sem dúvida, a violência contra aqueles que exercem a “violência legalizada” sobre a sociedade.


A ler : A árvore genealógica proibida


Deixe um Comentário »

Ainda sem comentários.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

AVISO: os comentários escritos segundo o AO serão corrigidos para português.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: