perspectivas

Terça-feira, 19 Julho 2011

Richard Dawkins e a sua cabeça de galinha que põe ovos para procriação

«Uma besta moderna como Richard Dawkins, afirma implicitamente que, para além de não podermos encontrar provas da existência de Deus, podemos encontrar na beleza do universo, na sua harmonia grandiosa, um substituto.»

Os primórdios do ateísmo e a física quântica


O neodarwinismo, como teoria de explicação para a origem da vida, está morto; apenas os neodarwinistas ainda não se deram conta disso. Porém, convém dizer que pelo facto de neodarwinismo estar morto, isso não significa que o universo tenha tido o seu início há seis mil anos, como alguns criacionistas defendem… nem oito, nem oitenta!

As nano-máquinas intracelulares foram os testes de falsicabilidade da teoria neodarwinista, que se revelou falsa, por um lado, e a entropia genética foi o pesadelo dos darwinistas inteligentes — porque os burros ateístas continuam a ver elefantes cor-de-rosa —, por outro lado.

A teoria de Darwin, depois de reinterpretada pelo neodarwinismo como visão do universo (que não chega a ser uma visão completa), está na base da sociobiologia que se dedica ao estudo do comportamento social dos animais, transpondo estes conhecimentos animalescos para o comportamento do ser humano. Por aqui podemos ver a barbaridade a que nos levou a ciência contemporânea…

Para explicar as formas contraditórias de comportamento animal — por exemplo, os leões matam as crias de uma fêmea quando se “apropriam” dela —, a sociobiologia introduz o princípio do interesse próprio e da vantagem própria. Vemos aqui como a sociobiologia, o darwinismo e o utilitarismo exacerbado “se unem”, tentando formar uma mundividência que não é só “científica”, mas sobretudo ética e, portanto, política.
Segundo a sociobiologia, o interesse próprio explica por que motivo o leão mata os jovens da sua espécie — para o leão, não se trata da preservação da espécie, mas antes da transmissão dos seus próprios genes. Foi deste conceito que nasceu a ideia do “gene egoísta” aplicado também ao ser humano, segundo Richard Dawkins.

Partindo do princípio utilitarista do interesse próprio (o espaço aqui é curto e não dá para mais detalhes sobre este princípio), Richard Dawkins e os neodarwinistas concluem que o comportamento social ou altruísta é apenas um “truque dos genes”: o ser vivo (incluindo o Homem) não passa de uma multidão de moléculas à procura da transmissão da informação genética.

Richard Dawkins encontra-se na tradição determinista de Descartes, que compreendeu, no século XVII, o ser humano como uma máquina com sistemas de tubagens e roldanas — trata-se de um modelo através do qual tudo no ser humano é explicado em termos de mecânica. Para Richard Dawkins, o ser humano é uma máquina de sobrevivência de genes egoístas, que construíram o seu organismo, o comportamento e o modo de funcionamento, com o objectivo único de transmissão das “linhas germinais” às gerações futuras. Escreve Dawkins: “Nós somos máquinas de sobrevivência — robôs programados cegamente para a manutenção das moléculas egoístas, que se chamam genes”.

Segue-se — segundo Richard Dawkins e o neodarwinismo — que nenhum ser humano age verdadeiramente bem, porque o interesse de sobrevivência dos genes está para além do bem e do mal — e vemos como se entronca Nietzsche nesta mundividência e nesta ética!…vemos como as ideias se entrecruzam!

Em vez do bem e do mal, e segundo Richard Dawkins, a natureza produz-nos habilidosamente através de mecanismos do prazer — como por exemplo, as cobiças, os desejos, os prazeres e a satisfação (vemos aqui claramente a “mão invisível” de Bentham). A natureza, segundo Dawkins, oferece-nos estas prendas prazenteiras para nos subordinar à escravatura dos seus interesses. Richard Dawkins chega ao ponto de supor que o cérebro humano ganhou as dimensões que tem, em resultado dos enganos dos seres humanos uns para com os outros, no sentido da defesa do interesse próprio que mantém os genes egoístas felizes e bem dispostos.

Esta mundividência levou a que Richard Dawkins se questionasse sobre se Hitler não teria agido de uma forma correcta, porque ela terá necessariamente que achar compreensível que, em muitas culturas, o infanticídio e o aborto estejam muito difundidos e que não provoquem nenhuma agitação na consciência pública — porque, para determinados grupos humanos, a partir de um determinado número de crianças, uma criança a mais já não constitui um investimento razoável, se com isso se dificulta a sobrevivência dos pequenos portadores de genes já existentes. Do ponto de vista da sociobiologia, o infanticídio revela-se, de facto, como uma estratégia económica de reprodução, embora suponhamos que nenhum sociobiólogo apoie ou aprove esta estratégia.

Os genes não querem saber nem do sentido da vida, nem do sofrimento, nem da felicidade; os genes não querem saber absolutamente de nada. No mundo dos genes não se pode encontrar qualquer sentido de justiça. “O universo que observamos tem precisamente as características com as quais se conta quando, por trás dele, não existe nenhum plano, nenhuma intenção, nenhum bem ou mal, nada, além da cega e impiedosa indiferença” (Richard Dawkins).


O leitor repare bem num facto incontestável: os robôs não têm dignidade. A velha ideia segundo a qual a galinha existe apenas para produzir ovos para a procriação, só pode vir da cabeça de um burro altamente sofisticado, embora com um curso superior que lhe garante um alvará de inteligente. E se esta ideia aplicada à galinha é absurda, mais absurda é quando aplicada aos seres humanos. Naturalmente que sabemos que o princípio do interesse próprio explica muita coisa, mas não explica tudo — a não ser que uma besta neodarwinista, como é o caso de Richard Dawkins, também explique uma sinfonia de Beethoven ou um quadro de Rembrandt por via do princípio do interesse próprio…

Se aplicarmos esta teoria a si própria, ainda se torna mais absurda. Assim, ela seria o produto de uma máquina de sobrevivência genética inglesa especial, de tipo Richard Dawkins, cujos genes egoístas procuram a sua vantagem de selecção através da formulação desta teoria — e, para enganar os outros, esta máquina Richard Dawkins afirma que a sua teoria é verídica. No entanto, visto que qualquer outra máquina de sobrevivência pode formular, exactamente com o mesmo direito, uma teoria oposta, então terá que ser o direito do mais forte a decidir — e isto explica a razão pela qual a sociobiologia é tão popular entre racistas e entre adeptos de um capitalismo brutal!

No caso de o próprio Richard Dawkins considerar a sua própria teoria como sendo verídica, ele tornou-se vítima de um feito extraordinário, na medida em que ninguém engana melhor do que aquele que é capaz de se enganar a si próprio…!

7 comentários »

  1. “Frequentemente, os críticos compreenderam erradamente que O Gene Egoísta advogava o egoísmo como um princípio pelo qual devíamos reger a nossa vida! Outros pensaram que eu estava a dizer que, quer queiramos, quer não, o egoísmo e outros comportamentos maldosos são uma parte inescapável da nossa natureza, talvez porque apenas leram o título do livro ou nem sequer passaram das primeiras duas páginas.”

    Richard Dawkins em O Gene Egoísta, pág 353. 3º edição

    O conceito de gene egoísta parece-me compreensível, inclusive, sem se ler o livro. Mas a alguns a leitura ajuda.

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    Comentar por Nuno Dias — Quarta-feira, 20 Julho 2011 @ 12:38 am | Responder

    • Nuno Dias:

      1. Eu li o “Gene Egoísta” ainda Vc não tinha nascido; na melhor das hipóteses, Vc ainda não tinha dentes e mamava na teta da sua mãe. Vc não sabe com quem está a falar. Vc é um puto que ainda não foi desmamado. Ganhe juízo nessa cabeça de galináceo!

      2. A besta do Dawkins pode alegar “erro de interpretação”. Também eu posso mandar alguém para a puta-que-pariu e alegar depois que fui mal-interpretado.

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      Comentar por O. Braga — Quarta-feira, 20 Julho 2011 @ 9:21 am | Responder

  2. Caro Orlando Braga. Não sei se leu um livro deste senhor, Dawkins, chamado a desilusão de Deus, eu cheguei a lê-lo embora não o tenha terminado. Nesse livro vem lá coisas escritas que eu nunca pensei ler em lado algum, é de bradar aos ceús tanta incoerência e ódio pelo divino criador, epara mais partindo de premissas falsas como ele costuma fazer. Mas parece-me que isso é usual em todos os ateístas.

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    Comentar por Filipe Crisóstomo — Quarta-feira, 20 Julho 2011 @ 8:52 am | Responder

  3. Tenho livro. Não podemos falar da besta sem a conhecer minimamente. Mas confesso que li o livro em “leitura oblíqua”. A última citação da besta foi retirada desse livro.

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    Comentar por O. Braga — Quarta-feira, 20 Julho 2011 @ 9:14 am | Responder

  4. “Nós somos máquinas de sobrevivência — robôs programados cegamente para a manutenção das moléculas egoístas, que se chamam genes”. — respigado do “Gene Egoísta”.

    Será que nós estamos a ler mal? Nuno Dias: explica-me por que é que gostas de dizer asneiras? Sentes-te bem na merda? PQP…!

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    Comentar por O. Braga — Quarta-feira, 20 Julho 2011 @ 9:34 am | Responder

  5. Nesta dispersão de ideias e, para estabelecer mais confusão ainda, agradeço a quem me educou e me formou enquanto pessoa, ter-me proporcionado a oportunidade de me tornar ateu, até porque não vejo que o Deus do Braga ou do Crisóstomo, se tenha dado a esse trabalho, por demasiado inócuo, não só em relação a mim, mas também, a todos os seres vivos, humanos ou não.

    É demasiado simplista, a ideia que um Deus super inteligente, nos tenha criado e colocado nesta vida, para depois nos abandonar e porque não, maltratar com guerras insanas entre religiões, por uma hegemonia, com injustiças e outros males à mistura, dependentes de uma crença, ou da sua ausência.

    Se esse Deus nos criou, não tenho a menor dúvida que também nos abandonou e isso não é desculpável para um humano, muito menos para um suposto Deus criador.

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    Comentar por Manuel Araújo — Segunda-feira, 8 Agosto 2011 @ 2:24 pm | Responder

    • 1. Meu caro amigo, em primeiro lugar, você é o que é e ninguém tem nada a ver com isso. Aquilo que você é, só passa a ser do domínio dos outros se você pretender proibir, através da sua religião política, as manifestações religiosas de outrem.

      2. Em segundo lugar, a sua ideia do “Deus dos Outros” é um objecto, ou seja, esse Deus faz parte da realidade do sujeito/objecto. Essa sua ideia é constatável através, por exemplo, da seguinte expressão: “um Deus super inteligente”. A ideia que você faz do Deus dos Outros é um Objecto que é colocado perante as pessoas (os Sujeitos) que O adoram. Nesse sentido, você tem toda a razão: esse “Deus Objecto de Sujeitos”, não existe.

      3. Normalmente, referimo-nos a Deus como Objecto por uma questão de facilidade de linguagem e de comunicação com os outros. Quando dizemos que “Deus existe”, é incorrecto, porque Deus não existe: em vez disso, “Deus É”. “Existir” é o ser na dimensão da realidade do sujeito / objecto. “Ser” é mais do que existir simplesmente. Por exemplo, os princípios da Lógica são imateriais, ou seja, SÃO; e não “existem” como “objectos”.

      4. A ideia de “abandono da divindade em relação ao Homem” é muito antiga, e já existia pelo menos no neolítico inferior — ou seja, a ideia segundo a qual o Criador fez o mundo e se afastou dele já existia nas culturas de transição da religiosidade da Mãe-Terra para a religiosidade cósmica.

      Esta ideia do abandono da divindade foi retomada pelos gnósticos da antiguidade tardia (incluindo os gnósticos cristãos), e foi nela que Nietzsche foi buscar a “morte de Deus”. Nietzsche era um notável literato mas pouco teve de original, do ponto de vista das suas teorias; por exemplo, o Eterno Retorno de Nietzsche é origem hindu (a teoria dos Yuga).

      5. A ideia da possibilidade da construção imanente do Paraíso na Terra, que é comum aos gnósticos antigos e aos modernos (como é o seu caso), não é normal, do ponto de vista psicológico. Deixo ficar aqui um texto de Eric Voegelin:

      « Quando o coração é sensível e o espírito contundente, basta lançar um olhar sobre o mundo para ver a miséria da criatura e pressentir as vias da redenção; se são insensíveis e embotados [o coração e o espírito], serão necessárias perturbações maciças para desencadear sensações fracas.

      É assim que um príncipe mimado se apercebeu pela primeira vez de um mendigo, de um doente e de um morto ― e tornou-se assim em Buda; em contrapartida, um escritor contemporâneo vive a experiência de montanhas de cadáveres e do horroroso aniquilamento de milhares de indivíduos nas conturbações do pós-guerra na Rússia ― e conclui que o mundo não está em ordem e tira daí uma série de romances muito comedidos.

      Um, vê no sofrimento a essência do ser e procura uma libertação no fundamento do mundo; o outro, vê-a como uma situação de infelicidade à qual se pode, e deve, remediar activamente. Tal alma [a segunda] sentir-se-á mais fortemente interpelada pela imperfeição do mundo, enquanto a outra [a primeira] sê-lo-á pelo esplendor da criação.

      Um [o segundo], só vive o além como verdadeiro se ele se apresentar com brilho e com grande barulho, com a violência e o pavor de um poder superior sob a forma de uma pessoa soberana e de uma organização; para o outro [o primeiro], o rosto e os gestos de cada homem são transparentes e deixam transparecer nele a solidão de Deus. »

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      Comentar por O. Braga — Segunda-feira, 8 Agosto 2011 @ 3:01 pm | Responder


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