perspectivas

Terça-feira, 19 Julho 2011

Para os políticos actuais, a medida do verdadeiro bem é a vida animal

O Homem moderno não consegue distinguir o “utilitário” do “útil”; para ele, o útil não faz sentido se não for utilitarista. O útil passou a ser um fim em si mesmo, e por isso, passou a ser utilitário.

Desde a Grécia Antiga até à Idade Moderna, o útil era, do ponto de vista cultural e aceite como paradigma, predominantemente um meio, e não um fim em si mesmo. O útil era visto, regra geral, como um meio para se atingir o Bem e a Virtude. Naturalmente que sempre existiram utilitaristas, e foram estes que ganharam a batalha da História e da Cultura. Porém, como diz Nicolás Gomez Dávila : “El mundo moderno parece invencible. Como los saurios desaparecidos.”

Segundo Sócrates — a julgar por Platão — o útil (khrêstos) submete-se à ordem (taxis) e à harmonia (kosmos), e assim nasce a virtude e o bem. Sendo verdade que na Antiguidade Clássica não existia o conceito de “pecado”, este era substituído pelo conceito de “vício” que se opunha à virtude. E o vício era precisamente a desordem que era inadequada ao útil (khrêstos).

No Górgias, Platão [Sócrates] argumenta que os únicos prazeres verdadeiros são os que nos fazem bem — os que nos trazem proveito.

O útil não era, na Antiguidade e na Idade Média, concebido como é hoje: a contemporaneidade vê o útil como era visto por Filebo (no diálogo de Platão com o mesmo nome): o útil é hoje o prazer concebido como um bem absoluto e desmesurado, ilimitado e excessivo — e por isso não é útil, mas fruto do desejo insaciável utilitário. Porém, até mesmo Cálicles, no Górgias — que seguia a mesma opinião de Filebo —, foi forçado a admitir que apenas devem ser procurados os prazeres do corpo que contribuem para a saúde e, consequentemente, importa procurar o que nos agrada tendo em vista o nosso bem, e evitar prazeres que nos prejudicam.

A medida do verdadeiro bem é — hoje, como o era para Filebo — a vida animal.


O governador da Califórnia assinou uma lei que obriga o ensino da “história homossexual” nas escolas públicas. Isto significa que o comportamento sexual gay é visto como uma virtude, uma vez que são escondidas das crianças as consequências, para a saúde individual e pública, do comportamento sexual gay.

É sabido que um gay sexualmente activo tem, em média, uma expectativa de vida equivalente a um homem do século XVIII. Segundo Sócrates, o comportamento gay não é útil, mas antes vicioso e é fruto do desejo insaciável utilitário. Para o governador da Califórnia, e segundo Sócrates, a medida do verdadeiro bem é a vida animal; e é esse tipo de “bem animalizado” que ele quer que seja ensinado às crianças.

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