perspectivas

Quarta-feira, 29 Junho 2011

A Suécia e a redução behaviourista do ser humano

“A desigualdade injusta não se cura com igualdade, mas com desigualdade justa” — Nicolas Gomez Dávila

Recentemente surgiu a notícia de que uma escola pré-primária pública (pré-escolar) na Suécia baniu o tratamento de género, ou seja, proibiu que as crianças se tratem por “ele” e “ela”. O argumento básico daquela escola pré-primária para este tipo de educação é, alegadamente, o de erradicar aquilo a que chamou “papéis de género”, que alegadamente atribuiu a “construções sociais” e “estereótipos sociais”.

Pergunta: é possível que, através da educação das crianças, um homem deixe de ser homem?

A minha resposta é não. A única coisa que pode acontecer é que os actuais estereótipos de género sejam substituídos por outros estereótipos de género, diferentes, não na essência, mas apenas na forma. Por exemplo: a cor azul é associada, na nossa cultura antropológica, ao homem, e o cor-de-rosa à mulher; se substituírem estas associações culturais de género por outras, apenas mudam os tipos de associação, mas mantém-se a mesma lógica de distinção de género.

A única forma de evitar a supracitada alteração — apenas formal — da distinção de género, será sempre através da repressão psicológica sobre o masculino — a castração do homem — por via do poder político instituído. Portanto, dentro desta lógica educacional, o rapaz será um futuro homem reprimido na sua natureza fundamental — e por isso, infeliz — por via de uma ideologia política que impõe coercivamente — por via do poder político — determinados valores feministas à sociedade.

Não é despiciendo o facto de, nessa escola, se transformarem as crianças em cobaias de uma experiência que se baseia na crença ideológica de que é possível alterar a estrutura fundamental da realidade e da natureza humana.


Está também presente, nesta experiência com crianças, a noção freudiana de “bissexualidade psíquica”, segundo a qual todo o ser humano tem, biológica e fisicamente, disposições sexuais simultaneamente masculinas e femininas — ou seja: alegadamente, a identidade sexual não é definida exclusivamente pelo sexo biológico, mas é antes produto de uma elaboração progressiva. É neste sentido que o politicamente correcto diz que o género é uma “construção social”, e defende a noção de “bipolaridade sexual” (que se traduz em termos práticos e de comportamento humano, e não apenas segundo a noção freudiana de “bissexualidade psíquica”) como alegada medida de equilíbrio.

O objectivo da argumentação politicamente correcta, feminista e gayzista, é fazer crer que uma criança, seja qual for a pertença sexual e a “orientação sexual” dos seus “pais” (impera aqui a noção de “parentalidade”, em oposição às noções de “maternidade” e “paternidade”), terá sempre a possibilidade de se referir a um pólo masculino e a um pólo feminino.

Esta ideia politicamente correcta é fraudulenta, porque a “bissexualidade psíquica” — segundo Freud, que é, ele próprio, tipicamente um caso freudiano — não é a mesma coisa que “bipolaridade sexual”. A “bissexualidade psíquica” resulta da identificação do indivíduo com os dois sexos — e em primeiro lugar, com os sexos dos seus pais. Isto significa que a noção freudiana de “bissexualidade psíquica” é a capacidade de estar em relação com o outro sexo, e não é a “bipolaridade sexual” que se entende como comportamento sexual.


A perversidade ideológica subjacente a esta experiência com seres humanos indefesos, é a de que o conceito de “mulher” é positivo, mas o conceito de “feminilidade” é negativo; e que o conceito de “homem” é positivo, mas o conceito de “masculinidade” é negativo. Existe aqui uma tentativa de separar aquilo que existe, por um lado, da sua origem axiomática, por outro lado — como se o ser humano pudesse ser exclusivamente um produto de construção humana.
Mesmo se virmos esta experiência com crianças do ponto de vista estritamente evolucionário e darwinista, pretende-se com ela um corte com o próprio processo de evolução da espécie humana, como se fosse possível que todo o passado evolutivo pudesse deixar de existir.

E por isso, o politicamente correcto (que inclui o feminismo) tem a ilusão de que pode alterar a natureza humana por via da modificação da linguagem: alegadamente, basta que se eliminem os pronomes para que os sujeitos sejam alterados na sua essência. A filosofia subjacente a esta experiência é também behaviourista.

O materialismo behaviourista (behaviourismo) contesta a existência do espírito — e por esta via, recusa a liberdade humana e a subjectividade humana —, uma vez que tudo o que poderíamos observar seria o comportamento exterior que corresponde literalmente ao comportamento animal que, no caso do ser humano, inclui o comportamento linguístico. A sociobiologia é a expressão contemporânea do behaviourismo em todo o seu esplendor.

A teoria ética do behaviourismo é tenebrosa e deve ser combatida com todas as nossas forças, porque parte da teoria do condicionamento do reflexo condicionado (Pavlov), que alegadamente explica todo o comportamento humano através do adestramento positivo e negativo (neste caso, das crianças). Sobretudo, o behaviourismo não tem em consideração o facto de nenhuma teoria ética ser inferível ou dedutível a partir da natureza humana.

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