perspectivas

Quinta-feira, 28 Abril 2011

Um exemplo do dilema entre a razão e a emoção da novidade

A mim parece-me que a Isabel Stilwell, à semelhança da maior parte das mulheres actuais, é uma pessoa que se debate entre a emoção da novidade, por um lado, e a Razão, por outro lado (“Razão” entendida no sentido filosófico); e sendo mulher, essa ambivalência entre a emoção da novidade, e a razão, assume uma proporção maior do que nos homens (em termos de juízo universal, bem entendido), porque essa ambivalência feminina é, regra geral, genuína — ao contrário dos homens actuais, em que este tipo de ambivalência coeva é, de modo geral, fabricada e interesseira (eu costumo dizer que um homem que apoia a sub-cultura feminista é o mais machista que existe).

Este artigo da Isabel Stilwell (ler em PDF) reflecte bem essa característica.

Entre a emoção da novidade inerente ao libertarismo contemporâneo, que as mulheres actuais, normal e mesmo inconscientemente, associam a uma série de “conquistas” culturais femininas (e até feministas), por um lado, e a razão que se impõe na conduta humana, por outro lado — surge uma certa ambivalência entre aquilo que é “novo” e é, por isso, potencialmente encarado como uma forma de “progresso”, e a razão que nos diz que a estrutura fundamental da natureza humana não pode ser mudada através de engenharias sociais e/ou revoluções culturais radicais, sob pena de destruirmos o ser humano e a sociedade por dentro.

Aquilo a que no artigo se chama de “Doenças Amorosas Transmissíveis” é a transferência interpessoal sistémica de lacunas emocionais, em uma sociedade culturalmente marcada pela sobrevalorização da “novidade” e daquilo que é considerado “novo”; vivemos numa sociedade culturalmente marcada pela falácia ad Novitatem. Existe um desejo colectivo irreprimível e uma ânsia do “novo”, em que a “novidade” se transforma numa espécie de alienação e um escape em relação à realidade objectiva. E quando as pessoas se apercebem de que, afinal, “a novidade não é nova”, entram em dissonância cognitiva em relação à própria realidade, o que alimenta ainda mais o fenómeno colectivo de transferência de handicap emocional. É um fenómeno de “bola de neve”.

O feminismo radical alimenta esta fuga à realidade, este escape característico da nossa cultura neognóstica. E outros fenómenos se lhe acrescentam, como o gayzismo que pretende alienar a própria identidade do ser humano em nome da fuga à realidade. Pertencemos a uma cultura “moderna” que nega e repudia a realidade concreta e objectiva, não só em relação à realidade da nossa condição humana, como em relação a toda a realidade que nos é envolvente.

Para que a cultura da novidade possa prevalecer em toda a sua glória, a sociedade organiza-se culturalmente de uma forma presentista, fazendo com que o passado passe a ser desconhecido. O passado deve ser escondido, desconstruído e mesmo erradicado, para que o “novo” possa ser sistematicamente celebrado — não vão as pessoas dar-se conta de que, afinal, muito daquilo que é considerado “novo”, já tem barbas.

Falhos de religião mas não podendo viver sem ela, inventamos novas religiões básicas, primitivas e imanentes, como é o caso da religião do aquecimento global e da salvação do planeta; ou a religião da extensão dos direitos humanos aos animais, quando existem seres humanos que morrem de fome e de doenças curáveis através de cuidados médicos primários; ou as religiões políticas, totalitárias quase todas. E alimentamos assim uma cultura obscurantista que acusa a religião cristã, e a sua ética, de obscurantismo; passamos a ser uma espécie de novos bárbaros que, ao contrário dos da antiguidade tardia, não conseguem sequer ter a mínima intuição da racionalidade do humanismo cristão.

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