perspectivas

Domingo, 17 Abril 2011

O determinismo protestante e a liberdade católica (1)

Filed under: cultura,filosofia — O. Braga @ 7:14 pm
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O Pedro Arroja tem vindo a insistir na teoria da “cultura feminina” que alegadamente “infecta” os povos católicos da Europa. No fundo, o que ele tenta fazer é explicar os fenómenos do presente de uma forma tal que a explicação se apresente desligada do passado histórico. Trata-se de uma tentativa de explicação presentista.

A tradição da Igreja Católica, mesmo depois do concílio de Trento (1545 – 1563) que instituiu a denominada Contra-Reforma, seguiu principalmente a filosofia metafísica de S. Tomás de Aquino. E a principal característica da metafísica de Aquino é o conceito de “futuros contingentes”, que concedia ao ser humano o livre-arbítrio (a liberdade de proceder de uma forma, e não de outra).

Este conceito de Aquino, e a sua negação por parte do protestantismo, é essencial para se perceber aquilo a que o Pedro Arroja chama de “cultura feminina” dos povos católicos.

A principal característica dos movimentos protestantes foi a negação da liberdade do Homem (o determinismo). Essa visão do ser humano como sendo destituído de liberdade, evoluiu até hoje através de uma diferenciação cultural que levou à actual corrosão da religião (e mesmo da religiosidade!) nas sociedades ditas “protestantes”, por um lado, e à manutenção de uma cultura do “dever social” que resultou dessa visão protestante e determinística da realidade, por outro lado.

Ou seja, nos países do norte da Europa, o protestantismo e a sua religiosidade já não existem, em termos gerais, na sua essência, mas ainda existem por lá os resquícios da cultura determinística protestante e luterana do “dever social” — estes últimos traduzidos na herança cultural do determinismo do Homem.

É nesta dicotomia cultural e na sua diferenciação ao longo de séculos, entre a visão determinística da condição humana, por um lado, e a visão que concede a liberdade ao ser humano, por outro lado, que devemos situar as diferenças culturais que caracterizam os povos do norte e do sul da Europa. Naturalmente que existem outras variáveis — por exemplo, as diferenças climáticas, ou genéticas; mas estas variáveis não explicam o fenómeno cultural per se.

(segue)

2 comentários »

  1. e chamar a Suécia de cultura masculina é algo muito hilário. Ainda mesmo dentro da própria definição que ele propõe não vejo aonde a Suécia se encaixa. O sujeito não esta bem do juízo

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    Comentar por shâmtia ayômide — Domingo, 17 Abril 2011 @ 10:50 pm | Responder

  2. […] postal anterior falei do determinismo protestante que ditou grande parte da clivagem cultural a que assistimos hoje […]

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    Pingback por O determinismo protestante e a liberdade católica (2) « perspectivas — Segunda-feira, 18 Abril 2011 @ 5:26 pm | Responder


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