perspectivas

Sexta-feira, 8 Abril 2011

John Locke e o mundo anglo-saxónico actual

Das teorias de John Locke, concordo com a da liberdade política que, aliás, está em contradição com a sua metafísica. Da teoria de Locke em relação à religião, a minha posição é ambígua porque a de Locke foi, ao longo da sua vida, ambivalente.

É curioso constatar que o país onde Locke nasceu e onde a sua filosofia foi, em primeiro lugar, aplicada, ou seja, a Inglaterra, é o país que se serviu da filosofia de Locke para chegar hoje à sua negação em termos práticos, e isto alegadamente em nome dessa mesma filosofia. O único país do mundo onde Locke ainda é minimamente respeitado, é nos Estados Unidos.

O empirismo de Locke é uma espécie de “metafísica não-metafísica” — uma metafísica que nega a metafísica, na esteira de Occam, e que depois teve o seu seguimento nos utilitaristas ingleses (Bentham, Stuart Mill, etc), e mais tarde os pragmatistas americanos (Peirce, etc) e que, depois de assimilado e “amassado” pelo neopositivimo, por um lado, e pelo marxismo cultural, por outro lado, evoluiu para o actual neo-ateísmo utilitarista de Peter Singer, Daniel Dennett, Richard Dawkins, Christopher Hitchens, Sam Harris, etc.

Uma má interpretação de Locke, no que respeita ao seu conceito de Direito Natural ligado à Moral, poderiam justificar, já no século XVII, as engenharias sociais que hoje pretendem alterar a estrutura fundamental da natureza humana. Mas trata-se, como disse, de uma má interpretação.
A noção de Locke da necessidade de “consenso social” em torno das leis poderá ter inspirado a ética de Bertrand Russell, segundo a qual a ética é apenas um produto de um mero consenso social: ou seja: segundo Russell, se eu conseguir convencer a maioria da população de que o racismo é eticamente válido, então e por consenso, o racismo passaria a ser um valor ético — e foi o que se passou na Alemanha de Hitler.

Para compensar as falhas que um “consenso social” em torno das leis poderia eventualmente ter na validação social da ética, Locke considera imprescindível a adopção, por parte da sociedade, dos valores do humanismo cristão — e é esta última parte que os actuais ingleses eliminaram: a filosofia de Locke continua presente em Inglaterra mas já sem esta última parte fundamental da filosofia de Locke. Em Inglaterra, por exemplo, a herança filosófica de Locke foi truncada e adulterada.

A importância que Locke dá à influência do humanismo cristão na feitura das leis é de tal modo, que ele chega a afirmar o seguinte: “os que negam a existência de Deus não podem ser tolerados de modo algum” (in “Epístola”). Ele afirmou isto não porque fosse um crente religioso; aliás, a sua metafísica empirista e negativa demonstram que não era esse o seu caso. Ele escreveu isto porque compreendeu que o simples consenso social em torno da ética — e, consequentemente, em relação ao Direito Positivo — não era suficiente para evitar a barbárie. E na sequência deste seu raciocínio, Locke escreveu um ensaio (“Racionalidade do Cristianismo”) onde defende a ideia segundo a qual o Cristianismo é perfeitamente compatível com a Razão.

O que se está a passar hoje em países anglo-saxónicos como por exemplo a Inglaterra, a Austrália, Canadá, e mesmo nos Estados Unidos de Obama, é uma situação em que a herança ideológica de Locke perdura mas já amputada da sua componente fundamental: a importância crucial e fundamental do Cristianismo como guia da Razão. Entra-se, assim, na barbárie e, alegadamente, em nome da herança filosófica de Locke.

2 comentários »

  1. Finland: Priest May Be Defrocked, Facing Criminal Charges For Calling Chechen al-Qaeda Leader a “Terrorist” A priest in Finland faces being defrocked after describing one of the world’s most-wanted criminals as a ‘terrorist’. He was referring to Doku Umarov — the man behind the Moscow metro and airport bombings, among other crimes.He received death threats and when he reported them to police, he was prosecuted for hate speech crimes. He is now considering moving to Russia because he believes it there is more liberty there than in politically correct Finland.

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    Comentar por ( — Sexta-feira, 8 Abril 2011 @ 7:39 pm | Responder

  2. UK: Muslims seek 100ft minaret on mosque overlooking Sandhurst military college…

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    Comentar por ( — Sexta-feira, 8 Abril 2011 @ 7:41 pm | Responder


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