perspectivas

Segunda-feira, 28 Março 2011

O erro de Espinoza

Espinoza foi o avô do positivismo de Comte e do utilitarismo de Bentham.

Se, em um ensaio de Espinoza, substituíssemos o termo “Deus” por “universo”, teríamos, por exemplo e grosso modo, um ensaio filosófico de Carl Sagan ou de Stephen Hawking, e se substituíssemos o termo “Deus” por “natureza”, teríamos um ensaio filosófico do neurologista António Damásio ou do zoólogo Richard Dawkins.

Espinoza consegue a proeza, embora em modos diferenciados, de ser mais absurdo do que Nietzsche.

Espinoza é de um cinismo e de uma hipocrisia indizíveis: na sua teoria, começa por dizer que Deus é um “ser perfeitíssimo”, para depois e através da sua “crítica das causas finais”, retirar totalmente a perfeição a Deus. Espinoza consegue ser ainda menos coerente, em relação à sua doutrina, do que Nietzsche em relação às suas teorias: trata-se de uma incoerência cínica e propositada.

Um comentário à parte: na vida de Espinoza nunca se lhe “conheceram” mulheres, e apenas “amigos íntimos” — ao contrário (do que dizem) de Kant, que “conheceu”, de facto, mulheres, esteve noivo, quase deu em casamento e nunca teve “amigos íntimos”.

Rebater as teorias de Espinoza é um trabalho fastidioso, não porque seja trabalhoso e difícil, mas porque é tão penoso (pelo menos) como ensinar um burro a ler : é difícil saber por onde começar.

Os princípios de que parte Espinoza estão errados, e — segundo o mestre Aristóteles — “se os princípios estão errados, a teoria está errada”.

O grande e o maior problema da filosofia europeia foi a influência dos filósofos judeus; não há um que se salve, para amostra. Acabaram todos, sem excepção, em panteísmo — incluindo Henri Bergson, pelo menos no princípio da sua vida. No caso de Espinoza, o problema toma foros de maior acuidade: o panteísmo de Espinoza era apenas formal: estávamos em presença de uma pessoa revoltada contra a sua própria natureza e insatisfeita com a sua identidade (conforme referido acima), e portanto, de um ateu.

Através deste postal, abri as hostilidades em relação a Espinoza, que serão desenvolvidas mais adiante.

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1 Comentário »

  1. o que tais Deuses(dos homens citados) tem em comum é um determinismo.

    Lutero pelo que li no outro postal, também tinha uma ligação fortíssima com determinismo. Se na época dele houvesse teorias evolucionistas, de certo ele teria sido um.

    Gostar

    Comentar por shâmtia ayômide — Segunda-feira, 28 Março 2011 @ 1:25 pm | Responder


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