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Sábado, 26 Março 2011

Breve história da Reforma luterana (1)

Filed under: curiosidades,Europa — O. Braga @ 10:30 am
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As causas da Reforma luterana não foram de índole religiosa ou teológica, mas foram de cariz económico e político. Os protestantes existem hoje por causa do dinheiro e das lutas pelo poder político na Europa da Alta Idade Média.

O Papa Leão X, da casa dos Medici, precisava urgentemente de dinheiro para reconstruir e aprimorar a basílica de S. Pedro, no Vaticano. Para arranjar dinheiro, o Papa enviou monges mendicantes por toda a Europa vendendo indulgências (certificados papais atestando o perdão de todos os pecados a quem as comprasse). Para que os monges mendicantes pudessem actuar sem restrições, o Papa pediu consentimento aos príncipes e reis dos países da Europa, mas por razões políticas, “esqueceu-se” de Frederico, O Sábio, do principado do Saxe (Alemanha).

Em consequência desse “esquecimento” papal, Frederico, O Sábio, proibiu a venda de indulgências no Saxe. Um dos monges medicantes, dominicano e de seu nome Tetzel, não se fez rogado: plantou-se na fronteira do Saxe, e a partir daí fez passar a mensagem da sua presença, e começou a vender indulgências ao povo do Saxe que a ele acorria à fronteira; Tetzel não violou a proibição de Frederico, O Sábio, ao mesmo tempo que vendia os certificados papais ao povo do Saxe.

Irritado com tamanha ousadia do frade mendicante, Frederico, O Sábio, contactou a universidade de Wittenberg (no Saxe) para saber da autenticidade e validade teológica dos ditos certificados. Aconteceu que um dos professores dessa universidade era um clérigo católico de seu nome Martinho Lutero. Aliás, foi o próprio Vaticano que exerceu influência no sentido de o promover a professor universitário da universidade de Wittenberg; sem a influência do Papa, Lutero teria sido um zé-ninguém da História.

Acossado e incentivado por Frederico, O Sábio, Lutero saiu à rua e afixou na porta da igreja católica do castelo, um cartaz com a recusa da fé católica explicitada em 95 teses. Estávamos no dia 31 de Outubro de 1517.

O Vaticano reagiu às 95 teses de Lutero, e Frederico, O Sábio, jogou a cartada: se o Papa vier com mais impostos, “solto-lhe o buldogue Lutero”. Lutero era, para Frederico, O Sábio, uma espécie de carta na manga e uma arma de arremesso ideológico para impedir a colecta de mais impostos papais. Entretanto, Frederico, O Sábio, manteve Lutero em “banho-maria” e em prolixas discussões académicas sem importância política.

Porém, o Papa Leão cometeu, neste contexto, um segundo erro: mandou colectar impostos pela Europa fora, alegadamente para se realizar uma nova cruzada à Terra Santa. A partir daí, Frederico, O Sábio, ficou pelos cabelos e “retirou a trela” a Lutero, dando-lhe total apoio político para disseminar as suas ideias.

As ideias de Lutero existiam, mais ou menos semelhantes, por toda a Europa. Não fora o apoio político de Frederico, O Sábio, Lutero teria sido mais um entre os inúmeros clérigos católicos com ideias próprias e privadas acerca da fé.

Parte II

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