perspectivas

Terça-feira, 15 Março 2011

O neo-ateísmo e a quântica (II)

O ateísmo como ideologia — e mais tarde, como religião política — consolidou-se a partir do século XIX com o empirismo de Stuart Mill, completado pelo evolucionismo de Spencer, o que levou os espíritos a não ver no Homem senão um autómato, a reduzir a vida espiritual a uma mecânica, ou a imagens sensíveis regidas por leis de associação — da mesma forma que os átomos supostamente actuavam em concordância com a lei da gravitação. O mundo empírico e utilitarista de Stuart Mill, na esteira ideológica do positivismo, resumia-se num conceito: WYSIWYG (“aquilo que vês é só o que existe”).

A quântica veio alterar esta visão simplista da realidade, mas a mensagem não passou para a maioria das pessoas, seja por resistência da própria religião cristã, seja pela acção política dos herdeiros culturais do empirismo utilitarista de Bentham e Stuart Mill: a quântica ganhou antigénios em ambos os lados da barricada.

S. Tomás de Aquino

Podemos aqui, e para este efeito, resumir a teoria quântica em dois postulados básicos : 1) a Função Ondulatória Quântica, segundo a equação de Schrödinger, representa a passagem do tempo, momento a momento, onda a onda, fotão a fotão ; 2) o princípio da incerteza de Heisenberg, formado pela Função Ondulatória Quântica, traduz a incerteza do futuro — tal como S. Tomás de Aquino afirmou no século XIII !

O livre-arbítrio, segundo S. Tomás de Aquino, é confirmado pela quântica basicamente da seguinte maneira: o ser humano é livre, não só porque faz parte do processo de colapso e reconstituição constantes da Função Ondulatória Quântica — e pode, por isso, escolher quando e onde efectuar o colapso da onda quântica (transformando-a em matéria e, portanto, em um evento material) —, mas essencialmente porque o Homem pode criar luz que forma novos fotões que, por sua vez, formarão novos estados quânticos tridimensionais. O ser humano cria novas realidades, através da sua liberdade.

Lá se foi o determinismo filosófico espaço-temporal-ateísta pela pia abaixo !

As ondas quânticas representam onde e quando existem probabilidades da ocorrência de algo, ou seja, medem as probabilidades de ter lugar um acontecimento. Essas probabilidades não existem apenas nas nossas mentes, mas deslocam-se também no espaço-tempo — essas ondas encontram-se simultaneamente nas nossas mentes e “lá fora no mundo”. As ondas quânticas são ondas de probabilidades que se deslocam muitíssimo mais rápido do que a velocidade da luz, e estabelecem a conexão entre as nossas mentes e o mundo físico, por um lado, e o mundo não-físico (uma vez que a onda quântica não é matéria), por outro lado.

A certeza do futuro, alegadamente possível através do progresso da ciência, que caracterizou o empirismo, o utilitarismo e o movimento revolucionário em geral, caiu estrondosamente!

Ser ateísta é coisa do passado; é pertencer à idade da pedra!

(Parte I)

1 Comentário »

  1. […] (Parte II) […]

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    Pingback por O neo-ateísmo e a quântica (I) « perspectivas — Terça-feira, 15 Março 2011 @ 1:50 pm | Responder


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