perspectivas

Segunda-feira, 14 Março 2011

O neo-ateísmo e a quântica (I)

Quando discutimos com ateus temos que falar em ciência, porque é a única linguagem que eles entendem, e é através da ciência que os argumentos neo-ateístas e neodarwinistas são reduzidos ao absurdo.

Reparem neste artigo, que é de 2008 :

This might be a rare case about which Einstein was wrong. More than 60 years ago, the great physicist scoffed at the idea that anything could travel faster than light, even though quantum mechanics had suggested such a condition. Now four Swiss researchers have brought the possibility closer to reality.

Eu já me tinha referido a este assunto aqui. Sob o ponto de vista da teoria quântica, a experiência da universidade de Genebra (Suíça) não é novidade: apenas corroborou o que a teoria previra. Aliás, o próprio Einstein escreveu: “não deveria depender da nossa escolha quais as quantidades que são observáveis, mas essas quantidades deveriam ser dadas e indicadas pela teoria.” O que se passa na ciência contemporânea, é que as quantidades observáveis são escolhidas e ditadas pelo “novo clero” de ratos de laboratório engajados na política correcta.

Porém, este tipo de notícias não passa nos telejornais nem são discutidas nas televisões. A política correcta tem feito um perfeito trabalho de bloqueio informativo.

As consequências para a filosofia, decorrentes da eliminação da velocidade da luz como a velocidade máxima do universo, são enormes. Os ateus passam a estar encostados à parede. Toda a concepção neo-ateísta baseia-se num universo estável e antigo, limitado pela velocidade da luz e pela ideia einsteiniana do universo, exactamente porque a esmagadora maioria (senão todos) dos neo-ateístas não são físicos, mas são biólogos — daí que Hawking tenha sentido a necessidade de vir a terreiro e escrever um livro com o principal propósito de afirmar que “Deus não existe”, perante a gargalhada geral da comunidade dos físicos.

Desde logo, deixa de fazer sentido falar em “sequências temporais” (ou, como se diz aqui, em “medir o tempo”, a não ser para as nossas coisas práticas da vida quotidiana). O método de construção das sequências temporais teve início antes da materialização da matéria (passo a redundância útil), uma vez que a Função Ondulatória Quântica é a própria fase de pré-matéria. A partir daqui, os neo-ateístas e neodarwinistas começam a sentir dificuldades.

Embora a Função Ondulatória Quântica (ou “função da onda quântica”) tenha sido teórica e matematicamente calculada com rigorosa exactidão, na realidade ela é nada — ou seja, não é matéria. As ondas quânticas podem não só deslocar-se a velocidades muitíssimo superiores à da velocidade da luz (como podemos ver na notícia da experiência efectuada na Suíça), como podem até permanecer totalmente “fora do espaço-tempo” do universo.

Porém, este “fora do espaço-tempo do universo” da onda quântica não é uma dimensão transcendente, mas é imanente; existe ainda uma conexão próxima com o espaço-tempo, ainda que funcional (as “ondas de probabilidades”). A transcendência engloba a matéria do espaço-tempo e a não-matéria do fora-espaço-tempo, e está ainda holisticamente para além delas — naquilo que os físicos teóricos chamam de “Além-espaço-tempo” ou, segundo a terminologia do físico francês Roland Omnès, “o imperscrutável abismo”.

(Parte II)

3 comentários »

  1. A relação entre neo-ateístas e biólogos é curiosa e até arrisco a dizer “histórica”.

    Não sei precisar quantos marxistas culturais também eram biólogos, mas já vi vários nomes. Simone de Beauvoir que se utilizava do materialismo dialético, ao escrever a bíblia feminista, “O segundo sexo”, ela inicia com argumentos biologistas fazendo referências e analogias com os animais.

    Particularmente acredito que essa tendência tem relação com uma paranóia mecanicista comum a quem descobre algum tipo de “sistema”.

    Eu mesmo quando jovem, iniciando a carreira de desenvolvedor de softwares, achava que o mundo era feito por algoritmos e havia um tipo de mecanização por trás de tudo. Por coincidência na época eu lia astronomia por hobby, o que reforçava a tendência.

    Não é incomum também encontrar biólogos que por não entenderem nada de computadores, terminam por acreditar que é possível realizar a inteligência artificial de forma a substituir a humana.

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    Comentar por shâmtia ayômide — Segunda-feira, 14 Março 2011 @ 11:21 pm | Responder

  2. Certo.

    O biólogo não tem uma visão holística da realidade, enquanto que o físico se aproxima dessa visão holística. Um físico propriamente dito tem que ser também um filósofo.

    No caso de Stephen Hawking, é um caso excepcional marcado pela revolta da sua condição decorrente de uma doença terrível.

    Os computadores não têm nem nunca terão um contacto com a realidade concreta e objectiva. Uma das condições para o contacto com a realidade é a emoção que, para além das causas biológicas, decorre da experiência humana (objectiva e subjectiva), que um computador não tem nem nunca terá.

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    Comentar por O. Braga — Terça-feira, 15 Março 2011 @ 5:49 am | Responder

  3. […] (Parte I) […]

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    Pingback por O neo-ateísmo e a quântica (II) « perspectivas — Terça-feira, 15 Março 2011 @ 1:49 pm | Responder


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