perspectivas

Terça-feira, 8 Março 2011

A economia torta precisa de uma política conservadora que a endireite

“Eu tenho uma licenciatura, sou qualificada, logo, quero trabalhar” — leio aqui.

1. Na Tunísia, 57% das pessoas que entram no mercado são licenciados em universidades. Cinquenta e sete porcento. Nesse país, a taxa de desemprego entre licenciados é de 45%, ou seja, três vezes mais do que a média nacional tunisina. Esta é a razão por que os jovens licenciados tunisinos têm tempo disponível para participar em Manifes e “arranham” a língua inglesa.

Em Portugal, os números não são muito diferentes: em 2007 a taxa de desemprego entre os licenciados era de 59,3%. Existem outras estatísticas que estão disponíveis na Internet.

2. Portugal está a viver hoje as consequências das sucessivas reformas de Esquerda na política de educação desde o 25 de Abril de 1974. Em regra geral, a Esquerda ignora o mercado — e isto inclui grande parte do Partido Socialista, e mesmo alguma parte do Partido Social Democrata.

3. Temos que ter em conta também o desenvolvimento das novas tecnologias que substituem até algum do trabalho intelectual, por um lado, e a peculiar situação portuguesa que tem as fronteiras escancaradas e abertas a políticas comerciais estrangeiras (como é o caso da venda abaixo do preço de custo ou dumping) e à concorrência desleal de mercados muitíssimo maiores e mais fortes do que o português, como são os casos dos países do directório da União Europeia, por outro lado.

4. O conhecimento comporta basicamente duas vertentes distintas.: a vertente humanista, que é aquela que mune os cidadãos com ferramentas culturais para a construção e/ou manutenção da civilização, e a vertente prática do conhecimento, que é aquela que é útil à sociedade através da acção, e que transporta consigo valor económico acrescentado.

No sentido da sua utilidade, o conhecimento não é, em si mesmo, válido. Para o mercado de trabalho, pode ser indiferente que alguém conheça as equações mecânica quântica de cor e salteado, ou que conheça a tabela periódica dos elementos. A ideia segundo a qual a base de conhecimento individual adquirida possibilita automaticamente o indivíduo a ser mais produtivo, é uma falácia esquerdista.

5. O acesso do indivíduo ao mercado de trabalho depende de três factores essenciais: A) o tipo de conhecimento do indivíduo, B) a capacidade e a vontade do indivíduo em transformar o conhecimento em acção, e C) a utilidade dessa acção no sentido de produção de bens e serviços que o mercado necessita.

5.1 — O conhecimento da área das humanísticas é crucial em relação à § B — a capacidade e a vontade do indivíduo em transformar o conhecimento em acção —, e por isso é que a língua portuguesa e a filosofia, por exemplo, deveriam ser disciplinas complementares dos curricula na área de ciências.
O tipo de conhecimento (§ A) deveria ser exigido pelo mercado aos diversos tipos de estabelecimentos de ensino, e não imposto pela política. A única coisa que o Estado e a política podem e devem fazer é criar as condições para que a utilidade da acção individual no sentido da produção nacional de bens e serviços (§ C) seja apoiada pela comunidade e protegida através das leis.

6. Em função do ponto 3, Portugal não se levanta do chão enquanto não prosseguir uma política paulatina mas determinada para sair do Euro — não imediatamente, mas a curto/ médio prazo — mantendo-se a nova moeda, e dentro possível, indexada ao Euro. O Tratado de Schengen poderá ser mantido na livre circulação de pessoas, mas não na circulação de todos os bens e serviços.

7. A alternativa ao ponto 6, e mantendo-se Portugal no Euro, será a crescente desertificação do país. Portugal acaba, como nação, porque não existe — nem existirá jamais — na União Europeia o mesmo tipo de dinâmica nacionalista que existe em países com estados federados, como é o caso dos Estados Unidos.

8. A alternativa ao ponto 2 será a de endireitar — literalmente — a educação. Sem uma cultura (seja esta antropológica ou intelectual) e uma educação às direitas, teremos sempre uma economia torta.

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