perspectivas

Sexta-feira, 25 Fevereiro 2011

A construção do totalitarismo politicamente correcto tendo como base a instituição da noção cultural de “pai invasor”

Uma característica da Utopia Negativa da escola de Frankfurt (marxismo cultural ou politicamente correcto) — para além da adopção de uma crítica inconsequente à sociedade capitalista (a “Teoria Crítica”) e do anúncio escatológico do seu fim — é a adopção dos conceitos freudianos de “instinto” e de “repressão”. O instinto é entendido, pela Utopia Negativa, como o regresso ao estado do bom selvagem segundo Rousseau (estado esse que nunca existiu, de facto), e a repressão é entendida como o recalcamento do instinto por parte da merda da civilização ocidental.

Porém, o que os marxistas culturais da Escola de Francoforte ignoraram ou ocultaram na sua teoria, é que essa repressão do instinto, durante a infância e adolescência, é útil mais tarde na socialização do homem através da acção do superego.

Este artigo, que comenta um livro do professor universitário americano Howard Schwartz, explica como a imposição de uma cultura em que a acção do superego na criança e adolescente do sexo masculino, é reprimida ou ignorada, está na base daquilo a que chamamos hoje de “politicamente correcto”.

Através do superego, o recalcamento do instinto é transformado em sublimação que permitirá uma sociabilização normal e saudável do homem em idade adulta. Porém, esta característica do superego é desprezada pelas ciências humanas “progressistas”, e por motivos ideológicos.

O que nós temos assistido na nossa sociedade a partir dos anos 60 do século passado, é a um sistemático ataque político-cultural ao sexo masculino e ao seu papel na sociedade e na família, através daquilo a que Howard Schwartz chama de Psicologia Anti-Édipo. Basta ouvirmos o psiquiatra Júlio Machado Vaz (ou Daniel Sampaio; ou a Isabel Leal) na RDP1 para percebermos de onde vêm as teorias do seu discurso Anti-Édipo: vêm direitinhas da Utopia Negativa da Escola de Francoforte. Existe um consenso geral positivo em torno da Psicologia Anti-Édipo, e esse consenso está literalmente a destruir a nossa sociedade.

Esta perseguição política e cultural ao sexo masculino produz um retrocesso cultural de milénios, um recuo cultural para o tempo das divindades da Mãe-Terra. Cito Howard Schwartz: «The “correctness” in political correctness is savage and sacrificial, a resurrection of primitive taboos and limitations in a resurgence of tribalism.»

Fenómenos culturais como a religiosidade neognóstica e escatológica do ambientalismo de salvação das ex-divindades da Mãe-Terra, a elevação da mulher a um estatuto de impunidade em função do aborto discricionário e até do infanticídio, a educação repressiva dos rapazes, a promoção cultural da homossexualidade e de toda uma série de comportamentos desviantes em nome da “diversidade” — tudo isso resulta de uma política cultural anti-macho que se materializou e sistematizou, como teoria e mais tarde como doutrina, na Utopia Negativa ou marxismo cultural. E hoje já se tornou em um dogma.

Um artigo a ler: “Society Against Itself: Howard Schwartz On The Suicide Of Western Civilization”, e de que voltarei a falar, com mais tempo.

12 comentários »

  1. Não é à toa que coincidem a decadência do Cristianismo no ocidente com a afluência dos valores marxistas culturais…como desacreditaram o Paraíso Celestial,a plebe se voltou para o paraíso aqui na Terra mesmo,os “paraísos utópicos terrenos”,prometidos pelas mais diversas utopias humanas(socialismo,anarquismo,nazismo,etc)

    O homem tem imensa dificuldade em aceitar a ética darwinista da Natureza(que é bem diferente do conceito de justiça,do que vem a ser ou não justo,que é um conceito humano)

    A Natureza é darwinista,e ponto final

    E o negócio é meio aleatório:

    Uns nascem bonitos,outros horrorosos,uns inteligentes,e outro débeis,e uns com boa saúde e outros aleijados
    Contra esse determinismo biológico,que é decidido já ao nascer,o homem pouco pode fazer….em alguns casos pode-se fazer mais,e em outros menos,e em muitos nada se tem a fazer…

    O homem sempre teve dificuldade de lidar com essas coisas,acha “injusto”,etc e tal….

    Aí é que entram as religiões(ou as utopias humanas)…

    O Cristianismo fez um grande favor ao ocidente ao ratificar de vez o casamento monogâmico…pois já li vários estudos científicos(como se precisasse,empiricamente se percebe isso) atestando que as fêmeas da espécie humana são hipergâmicas(sempre desejam o mais apto,o mais destacado,o melhor)…

    Daí que os antigos perceberam que tal ordem de coisas(ainda que a Natureza evolutiva tenha escolhido) traria no seu bojo uma sociedade sempre instável,pois cada macho,ao invés de pensar,trabalhar e produzir,estaria mais atento às disputas sexuais com outros machos,na tentativa de criar o seu harém ou de arrancar alguma fêmea do harém alheio,e assim poder espalhar os seus genes…

    O casamento monogâmico cristão deu uma fêmea a cada macho,reprimindo a hipergamia feminina por séculos,e possibilitando um mínimo de harmonia nas sociedades,permitindo que florescesse a espetacular civilização ocidental…

    Ao mesmo tempo em que manteve sob controle a imensa massa de desvalidos,ao prometer-lhes o Paraíso Celestial…quanto mais bem-aventurado(leia-se ferrado) vc é,mais garantida a sua entrada no paraíso…

    Mas os tempos hj são outros…

    O Cristianismo já não tem mesma força de antes…a massa(ou ao menos grande parte dela) já não acredita num Paraíso Celestial,acredita mais nas doutrinas marxistas culturais que varreram o mundo,e as “minorias” creem que chegou a hora e a vez delas,e dá-lhe políticas de cotas,bolsas-esmolas,etc e tal…o paraíso é aqui na Terra mesmo!

    Desde 1789 é uma revolução atrás da outra…raças ao Iluminismo e filósofos como Nietzsche

    E as fêmeas,antes reprimidas na sua hipergamia,agora dão vazão ao seu instinto evolutivo,e a promiscuidade anda à solta

    Hj é a regra

    Voltamos aos tempos tribais…diz-se que as relações humanas hj segue o Princípio 80/20,de Vilfredo Pareto:
    20% dos homens mais aptos traçam 80% das melhores fêmeas(as mais jovens e belas)

    Daí a desestruturação familiar de hj em dia,a delinquência juvenil,o homossexualismo exacerbado,etc

    Perdemos controle sobre as nossas mulheres e sobre as massas

    Gostar

    Comentar por Odonto — Sexta-feira, 25 Fevereiro 2011 @ 8:17 pm | Responder

  2. Grato pelo resumo, tenho estudado o assunto com afinco e isso muito me interessa.

    Uma das primeiras ocasiões que viu algo sinalizando a esse respeito, foi no livro o “Jardim das Aflições” de Olavo de Carvalho e no livro “Edmund Husserl contra o psicologismo”.

    No Jardim da Aflições, Olavo de Carvalho indaga: O que há de comum no Epicurismo, New Age, PNL e Marxismo? Sendo estas doutrinas aparentemente antagônicas entre si? A resposta é: uma espécie de revolta contra símbolos de autoridade.

    Gostar

    Comentar por shâmtia ayômide — Sexta-feira, 25 Fevereiro 2011 @ 11:10 pm | Responder

  3. Posteriormente encontrei Julius Evola e encerrei com Daniel Amneus. Daniel Amneus respalda a coisa na socio-biologia e J.D. Unwin na antropologia. Vários escritores de diferentes tipos de estudos convergem para a mesma idéia. Julius Evola por sua vez analisa apenas símbolos de diversas culturas.

    Segundo Daniel Amneus, o que diferencia os humanos dos animais é uma forte e longa fase de infância. Nenhum outro mamifero tem a infância tão prolongada como nos humanos. Essa característica foi possível devido a ajuda do pai.

    Gostar

    Comentar por shâmtia ayômide — Sexta-feira, 25 Fevereiro 2011 @ 11:16 pm | Responder

  4. Juntando tudo com a análise de Mário Ferreira, o que se tem é a conclusão de que o mundo passa por fases culturais hora negativas e hora positiva, o problema é quando uma das duas correntes é racionalizada como meio de salvação por um movimento gnóstico(Voegelin). Em outras palavras a utopia passa a ser uma espécie de tirania dirigida por um partido.

    A fase negativa sempre existiu, em maior ou menor grau, a diferença na atualidade é o poder de controle de massas que os governos detêm, junto com a racionalização das utopias negativas no meio acadêmico e cientifico. O que antes era apenas um ciclo cultural passou a ser divulgado como “filosofia” e até ciência.

    Gostar

    Comentar por shâmtia ayômide — Sexta-feira, 25 Fevereiro 2011 @ 11:19 pm | Responder

  5. ..
    Recentemente saiu um estudo que liga a importância a propriedade privada aos niveis de testosterona o que prova que Evola estava certo.

    Evola chama o culto a mãe-terra de culto a “mãe-comum”.

    A idéia de mãe-comum a todos, cria um novo tipo de sentimento de irmandade, onde se reduz o territorialismo e o sentimento de posse, quebra-se os tabus e inicia a promiscuidade geral. A idéia de posse sobre a mulher é eliminada para em seguida ser eliminada a idéia de posse sobre bens e propriedades. Evola chama isso de “comunismo naturalista”.

    Gostar

    Comentar por shâmtia ayômide — Sexta-feira, 25 Fevereiro 2011 @ 11:29 pm | Responder

  6. Na maior parte dos homens do paleolítico, os níveis de testosterona não deixaram de ser os normais; e mesmo hoje, o Thumos do macho vive dissimulado. O que pode acontecer é uma cultura de repressão da masculinidade, que é o que está a acontecer agora, mas que nunca tinha acontecido antes.

    A cultura da divindade da Mãe-Terra do paleolítico e do epipaleolítico, e mesmo já entrando no neolítico em algumas regiões e culturas do globo, era eminentemente masculina, ou seja, eram os homens que a promoviam.

    Atenção: os índios da América do Sul não são paradigma do paleolítico e do neolítico. Não servem de exemplo !

    Os homens do paleolítico e neolítico eram extremamente agressivos porque praticamente só viviam da caça a animais de enorme porte (búfalos, mamutes, etc.) — ainda não conheciam a agricultura. Os homens desse tempo tinham os níveis de testosterona bem altos. Eu tenho grande dificuldade em aceitar determinadas teorias de Evola.

    O que acontece hoje é original: recupera-se parte da cultura da Mãe-Terra, mas reprimindo o macho — coisa que não acontecia no paleolítico e epipaleolítico.

    É verdade que os níveis de promiscuidade sexual, no paleolítico, eram elevados, mas isso tem a ver com a poligamia que então existia, em que o macho mais forte levava quantas mulheres podia; logo que esse macho perdia força, as mulheres mudavam de dono. O homem do paleolítico não gostava de ser corno (coisa que não acontece exactamente em algumas tribos índias do Brasil).

    A ideia de “comunismo naturalista” segundo Evola, vem de Platão, e mais tarde, de Engels. É verdade que em algumas tribos índias do Brasil, esse modelo aproxima-se da realidade; porém, isso já não acontecia em nenhuma tribo de índios da América do Norte, que exigia homens fortes para a caça do bisonte e outros grandes animais.

    Repito: o que está acontecer hoje é algo de novo, na medida em que é uma mistela cultural em que conceitos antigos são misturados com novos conceitos.

    Gostar

    Comentar por O. Braga — Sexta-feira, 25 Fevereiro 2011 @ 11:49 pm | Responder

  7. Está muito interessante a discussão

    Gostar

    Comentar por Odonto — Sábado, 26 Fevereiro 2011 @ 1:00 am | Responder

    • Engraçado que Howard Schwartz defende a seguinte ideia:

      «We can see this sociological shift in the prolongation of adolescence, in the fascination of devices and toys over people who are chronologically adult while psychologically still children, and in the massive contemporary loss of understanding about the function of institutions.»

      Quando um adulto se dedica a jogos de crianças, ao mesmo tempo que perde a noção do valor e das funções das instituições sociais (como, por exemplo, o casamento, ou a família), estamos em presença de um efeito da Psicologia Anti-Édipo.

      Portanto, é o jogo de computador para crianças de que o adulto gosta, e que cria uma realidade independente, que deve ser criticado, e não apenas determinados jogos. Hoje vemos adultos com 30 anos, ou mais, a jogar Playstation, e solteiros. O adulto actual não amadureceu.

      Gostar

      Comentar por O. Braga — Sábado, 26 Fevereiro 2011 @ 9:20 am | Responder

  8. […] ( Asshole)A ideia de Isabel Stilwell acaba por ter alguma relação com o conteúdo de um postal anterior: os jovens adultos não amadureceram, são produto de uma cultura anti-macho politicamente […]

    Gostar

    Pingback por Espantoso como eu concordo com a Isabel Stilwell ! « perspectivas — Sábado, 26 Fevereiro 2011 @ 10:31 am | Responder

  9. “Hoje vemos adultos com 30 anos, ou mais, a jogar Playstation, e solteiros.” Imagine-se! Só falta ver homens cinquentões e mais velhos a gostar de futebol para o mundo estar definitivamente perdido…

    Gostar

    Comentar por tiroliro — Domingo, 27 Fevereiro 2011 @ 3:11 pm | Responder

    • Ó “Tiroliro-abana-o-cu” :

      Uma coisa é lidar com a realidade concreta e objectiva.

      Outra coisa é viver uma realidade paralela e ficcionada.

      Bem sei que os teus neurónios migraram do teu cérebro para o teu cu. Porém, há coisas que uma pessoa com um só neurónio consegue perceber:

      • o futebol é um fenómeno real, pertence a uma realidade concreta e objectiva;
      • em contraponto, a maioria dos jogos de Playstation constrói um mundo fictício e um escape à realidade.

      Faz um esforço que possibilite um retorno migratório de alguns neurónios do teu cu para o teu cérebro, a ver se consegues perceber a diferença entre merda e massa cinzenta.

      Gostar

      Comentar por O. Braga — Domingo, 27 Fevereiro 2011 @ 3:25 pm | Responder


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

AVISO: os comentários escritos segundo o AO serão corrigidos para português.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: