perspectivas

Sábado, 19 Fevereiro 2011

Peter Singer e a defesa da bestialização do ser humano

A ser verdade o que está escrito aqui, Peter Singer considera que 1) “a evolução é neutra no que respeita aos valores” [éticos e morais], por um lado, e que 2) “na medida em o nosso senso moral evoluiu, este serve para aperfeiçoar a nossa capacidade reprodutiva”, por outro lado.

O que Peter Singer diz, na segunda proposição, é que o nosso senso moral evoluiu; mas antes tinha dito, na primeira proposição, que a evolução é neutra em relação aos valores éticos e morais. A pergunta é: esta tese está de acordo com a realidade?


Desde logo, o termo “evolução”, quando aplicado à cultura [que é, por definição, exclusivamente humana] não é adequado; mas passemos por cima deste pormenor.

A ideia segundo a qual a evolução é neutra no que respeita aos valores éticos e morais, não corresponde à verdade dos factos. Essa ideia revela apenas uma opinião de Peter Singer, que não é cientificamente fundamentada. Pelo contrário, os factos revelados não só pela História mas também pelas ciências humanas em geral, revelam exactamente o contrário dessa ideia.

Desde o aparecimento do Neanderthal e, posteriormente, do Homo sapiens sapiens, que se constata a existência de um processo contínuo de diferenciação cultural (e não de “evolução” no sentido de “evolucionismo biológico”) que não é, de todo, neutral, no que respeita aos valores ético-morais. Parece existir uma espécie de fio condutor subjacente à diferenciação cultural que nega a alegada neutralidade referida por Peter Singer. Dizer, por exemplo, que a diferenciação cultural que baniu o canibalismo das sociedades, é produto de uma evolução cega e neutral da ética [e portanto, dos valores] é, no mínimo, de um cinismo inacreditável.

Sendo que ética e a estética “andam de mãos dadas” (estão interligadas), faço uma pergunta: será que a diferença existente entre uma pintura rupestre e um quadro de Da Vinci revela uma neutralidade da “evolução” da estética?

Aliás, a opinião de Peter Singer acerca da evolução dos valores éticos e morais, também não é neutral em termos éticos — porque é logicamente impossível a existência de uma neutralidade entre a neutralidade e a não-neutralidade.


A diferença essencial entre uma opinião (doxa) e uma proposição científica (noese), é que a primeira reflecte exclusivamente sobre os efeitos de um fenómeno, enquanto a segunda também tem em consideração as possíveis ou prováveis causas desse fenómeno. Peter Singer analisa a ética [e, consequentemente a estética] a partir dos seus efeitos na sociedade moderna, e ignorando a pesquisa sobre as causas. A proposição de Peter Singer é opinativa e não-científica.

O problema é que este tipo de merda de gente tem acesso às universidades e aos jovens, fazendo propaganda das suas opiniões políticas e escamoteando os factos constatados não só pela experiência milenar humana (que não é neutral, porque está sujeita ao juízo e à vontade) e pelo senso-comum, mas também pelas ciências humanas.

Na minha opinião, Peter Singer deveria ser proibido de ensinar em universidades. Ser professor universitário não dá o direito a que se faça passar a ideologia política por ciência. Filosofia não é a mesma coisa que ideologia política.

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