perspectivas

Quinta-feira, 17 Fevereiro 2011

A ignorância do esquerdalho acerca da História da Palestina

A esquerda, frustrada pela queda retumbante do muro de Berlim, tende agora a reconstruir a História de uma forma muito parecida com o método utilizado por Estaline para erradicar Trotski da História da ex-União Soviética. Depois da fuga de Trotski da URSS, Estaline mandou apagar o nome do relapso comunista de todos os documentos do Estado soviético — incluindo as fotografias. A nova esquerda marxista cultural faz exactamente o mesmo em relação a alguns factos históricos bastamente documentados.

«o Torá (base da bíblia) é a única fonte das informações sobre a existência do povo judeu.»

Desde logo, a Torá não é propriamente a base da bíblia — até a insuspeita e esquerdista Wikipédia pode confirmar isso. A Torah é a Lei ( e nada mais do que isso), e é composta pelos seguintes livros : Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio.

Para além da Torah, do Neviim (profetas) e do Khetuvim (escritos), temos a base histórica propriamente dita da Bíblia : os Livros Históricos : Pentateuco, Josué, Juízes, Rute, Samuel (1 e 2), Reis (1 e 2), Crónicas (1 e 2), Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, Macabeus (1 e 2). Portanto, se alguma coisa pode e deve servir de base documental histórica acerca da existência do povo judeu, são os Livros Históricos, e não a Torah.

Porém, os Livros Históricos não são a única fonte de informação acerca da História do povo judeu. Desde logo, e a partir do Exílio (século IV a.C.), a informação sobre a existência do povo judeu na Palestina é mais do que muita — existem documentos arqueológicos e escritos encontrados em todo o médio oriente que assinalam o exílio da elite judaica para a Babilónia — isto para não falar da época helenística (Alexandre o Grande), onde a documentação histórica da existência do povo judeu no território da Palestina, é prolixa.

Antes do exílio dos judeus para a Babilónia, a presença do povo judeu na Palestina é documentada não só através de vestígios arqueológicos no Egipto, como também por toda a Mesopotâmia.

«O próprio Moisés tem chances de ser um personagem fictício (…)»

O negacionismo esquerdista de figuras históricas é recorrente. Por exemplo, a esquerda nega a existência do Jesus histórico, mesmo contra todas as evidências, documentação diversa e testemunhos avalizados pela esmagadora maioria dos historiadores. A ideia de que Moisés não existiu é uma crença que é contrariada pela documentação histórica existente; o que podemos discutir é se Moisés foi aquilo que se diz dele; mas que ele existiu, disso não há dúvidas.

«Mas como nação, os judeus nunca existiram. Uma nação só é uma nação quando tem em comum a língua, o passado, os hábitos culturais. Os judeus não têm isso.»

Esta proposição padece de uma falácia lógica: a falácia de Parménides, que consiste em olhar o passado histórico longínquo com os olhos do presente. Imaginemos uma outra proposição :

“O Portugal que se seguiu a D. Afonso Henriques, D. Sancho I e D. Afonso Segundo, não era uma nação porque não tinha um ministério da cultura nem uma universidade onde a língua de Camões pudesse ser ensinada; além disso, Portugal não tinha uma força-aérea nem submarinos que defendessem as suas águas territoriais. O Portugal desse tempo também não tinha hábitos culturais: por exemplo, não existiam o cozido à portuguesa, o corridinho do Algarve e a espetada à moda da Madeira. Portanto, o Portugal de D. Afonso II não era uma nação.”


Por fim, o textículo nega a Diáspora judaica depois da destruição do templo de Jerusalém, cerca do ano 70 d.C. Porém, os melhores especialistas da História do médio oriente atestam a existência dessa Diáspora — por exemplo, António de Macedo no seu livro “Esoterismo da Bíblia”, fornece uma série de dados bibliográficos altamente credíveis que atestam a existência da Diáspora. Naturalmente que uma parte dos judeus ficou na Palestina, e outros emigraram muito depois da repressão romana à rebelião judaica; porém, é um facto histórico adquirido e pacífico de que essa Diáspora judaica existiu realmente.

5 comentários »

  1. Essa do “textículo”? Não havia necessidade!

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    Comentar por Textículos — Quinta-feira, 17 Fevereiro 2011 @ 5:29 pm | Responder

  2. Também há de mencionar os judeus etiopes de pele negra na Etiópia, cuja existência era desconhecida até a chegada de exploradores britânicos, que se espantaram com aquele povo que se utilizava de costumes judaicos. Tempos depois, alguns rabinos especialistas vindo da Europa foram examiná-los e concluiram: “definitivamente eles são judeus, provavelmente descedentes diretos das primeiras tribos”

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    Comentar por shâmtia ayômide — Quinta-feira, 17 Fevereiro 2011 @ 10:41 pm | Responder

  3. Desculpem o pleonasmo acima: judeus etiopes de pele negra na Etiópia.

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    Comentar por shâmtia ayômide — Quinta-feira, 17 Fevereiro 2011 @ 10:42 pm | Responder


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