perspectivas

Domingo, 6 Fevereiro 2011

A plutocracia sociopata da actualidade

Os recentes acontecimentos no médio-oriente devem servir de aviso para aqueles que mais beneficiam com a globalização: a nova elite plutocrata e globalista. De repente, as minas de ouro do terceiro mundo podem transformar-se num pesadelo financeiro.

Em termos gerais, a globalização que se verificou a partir dos anos 90, fez estagnar as economias da Europa e dos Estados Unidos. Essa estagnação das economias europeias e americana foi disfarçada pelo aumento dos défices públicos e aumento das dívidas externas, e pela bolha imobiliária que explodiu em 2007/2008 e mostrou a verdadeira face do problema. É certo que as populações da China e de outros países emergentes beneficiaram um pouco com a actual globalização; porém, a clivagem entre ricos e pobres, na Europa e nos Estados Unidos, aumentou de uma forma brutal.

Entre 2002 e 2007, 65% do total da riqueza produzida nos Estados Unidos foi para os bolsos de apenas 1% da população americana. Os números na Europa são semelhantes e, em alguns países, até mais desequilibrados. Os pequenos ganhos em qualidade de vida que verificamos nos países emergentes e do terceiro mundo, em resultado da globalização, servem de argumento político e económico para fazer estagnar os rendimentos da maioria da população da Europa, ao mesmo tempo que a nova elite plutocrata emergente enriquece de uma forma obscena.

O que está a acontecer hoje é uma tentativa de nivelamento por baixo dos rendimentos dos europeus, utilizando para tal uma bitola terceiro-mundista. Enquanto que os rendimentos europeus tendem a ser nivelados, por exemplo, pelos rendimentos dos chineses, a nova elite globalista aumenta a sua riqueza de tal forma que podemos dizer que existem hoje na Europa “Duas Sociedades” totalmente distintas e diferenciadas entre si, como nunca tinha acontecido no passado, mesmo considerando o tempo do absolutismo monárquico.

Essa imensa riqueza acumulada nas mãos de uns poucos tem efeitos duplamente negativos. Desde logo, os efeitos económicos; mas principalmente, os efeitos culturais. Essa riqueza descomunal detida por uma pequena elite é utilizada pelos seus detentores para tentar formatar o mundo à sua medida e segundo a mundividência dos plutocratas, através das diversas fundações privadas ditas “filantrópicas”, que são isentas de impostos.

Por exemplo, George Soros gastou já milhares de milhões de Euros a financiar causas como a legalização da venda e consumo das drogas leves, a imposição do aborto a nível global, a imposição de “direitos” esdrúxulos como o do “casamento” gay, etc. A família Rockefeller (assim como George Soros) mantém ligações com os movimentos marxistas da América latina, nomeadamente as FARC e o Foro de São Paulo, que são financiados pelas diversas “fundações filantrópicas” americanas controladas pelos Rockefeller.

Impera, de facto, entre as elites plutocratas, um sentimento de total impunidade que lhes permite ter a arrogância e a temeridade de financiar os seus próprios inimigos de há apenas 20 anos.

A actual globalização deve-se a dois factores : a evolução sem precedentes da tecnologia de informação, por um lado, e a liberalização do comércio internacional, por outro lado.

Porém, como vimos no caso recente do Egipto, a revolução da tecnologia da informação serviu de instrumento e meio para a organização de uma autêntica guerra aos plutocratas locais. O feitiço virou-se contra o feiticeiro. Aquilo que é, hoje, um instrumento essencial para o enriquecimento obsceno pode ser, amanhã, o instrumento que vai provocar uma revolução que desestabilize a economia mundial de uma forma tal que provoque uma hecatombe global. Não nos esqueçamos que a China vive hoje numa autocracia com mais de mil milhões de habitantes.

A liberdade de empreendimento e a produção de riqueza pelo trabalho árduo do empresário não podem ser, de modo nenhum, criticáveis ou postos em causa. O que devemos todos criticar é a ideia que existe hoje — por entre a plutocracia que vai a Davos ou que reúne em Bilderberg — e segundo a qual a fortuna acumulada pode ser infinita (o céu é o limite).

E mais importante : devemos criticar a ausência de valores éticos e o niilismo que estão por detrás da acção dos novos ricos globais; esses valores são o do total desrespeito pelo cidadão comum, desrespeito esse que vai ao ponto de tentarem impôr as suas mundividências privadas e delirantes — e mesmo sociopatas, em alguns casos — à maioria dos cidadãos da Europa e do mundo.

2 comentários »

  1. Um amigo(comunista por sinal) visitou recentemente a Lituânia, e a situação lá pelo que ele descreve está parecida com os países mais pobres da América Latina. Segundo ele a Lituânia seguiu a “receita” imposta pela União Européia e se desindustrializou para apostar no setor do serviços.

    A economia baseada em setor de serviços só funciona para nações continentais como o Brasil ou em países com população menor desde que ela possua um altíssimo grau de escolaridade da população. Por um motivo simples: a quem vão prestar tais serviços? de certo para estrangeiros.

    Algum tempo atrás tentaram implantar a ALCA por aqui, o que aproximaria as Américas de algo tipo a União Européia, seria um desastre total pois por mais que negassem o óbvio, o fato é que a economia americana iria arruinar as demais, e talvez no melhor cenário seria o Brasil e Estados Unidos a engolirem tudo.

    Por sorte na época tanto as esquerdas(no terceiro mundo o discurso das esquerda tende a ser nacionalista) como a direita rejeitaram a ALCA pressionando o governo, com exceção de gatos pingados, fanáticos liberais.

    Gostar

    Comentar por shâmtia ayômide — Domingo, 6 Fevereiro 2011 @ 1:28 pm | Responder

  2. A tática de FHC de certa forma foi sagaz, ao invés de meter o país num bloco econômico suicida, investiu em acordos bilaterais ao redor do globo.

    Gostar

    Comentar por shâmtia ayômide — Domingo, 6 Fevereiro 2011 @ 1:32 pm | Responder


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

AVISO: os comentários escritos segundo o AO serão corrigidos para português.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: