perspectivas

Domingo, 23 Janeiro 2011

Comentários feitos recentemente neste blogue e que não foram publicados

  • Em relação a este postal com o título “Definições de raça e etnia”, alguém escreveu :

    «A questão não é se as coisas existem ou não. É o que se faz com elas. Preciso de falar em colhões ou no que se faz ou se deixa de fazer com eles, para que entenda?»

    A ideia do comentador é esta : “a questão não está na distinção lógica (e substancial) entre raça e etnia e na existência separada das duas noções. A questão está naquilo que se faz com os conceitos de raça e etnia”. Ora, o comentador parte do princípio de que o povo é burro e composto por bestas, e portanto é preciso orientar o povo através de princípios absurdos e leis coercivas e para-totalitárias, mesmo que se tenha que impôr o absurdo através da lei. Existe, assim, aqui um comentador que se auto-arroga como pertencente a uma elite que discursa à populaça através dos colhões.

  • Em relação ao postal “A figura rija do transmontano (Portugal)”, alguém escreveu :

    “Aqui só há atraso, miséria, ignorância e imbecilidade”.

    Ora temos aqui a estratégia do Bloco de Esquerda em pleno esplendor. Se o esquerdalho não concorda com uma determinada ideia, nunca discute : em vez disso, coloca um rótulo no opinador. A ideia do comentador é esta : “Eu não concordo com as tuas ideias. Por isso, és um atrasado, ignorante e imbecil”.

  • Em relação ao postal “Richard Dawkins e a uniformização compulsiva do pensamento”, um comentador escreveu :

    «A resposta à pergunta é “não”.
    Agora, por favor, apague esta porcaria que me faz envergonhar. E vá ler Darwin só para saber de quem está a falar. E se acerta no assunto. Ao menos. (Dica: o assunto não é a vida sexual de Dawkings. Nem as crenças religiosas – nem as dele nem as minhas, nem as suas).
    Quanto ao papão “consequências políticas” talvez seja melhor ir falar com o Prof Caramba ou a Maya que sempre têm o tarot.
    Irra.
    Ah!, e sempre que se surpreender com os ingleses não tenha dúvidas: é você que está fora. Ignorant.»

    A ideia do comentador é esta: “eu não concordo com as tuas ideias. Por isso, é necessário impôr a auto-censura. As tuas ideias devem ser censuradas. Não há sequer que discutir se as tuas ideias e os teus argumentos estão imbuídos de alguma lógica : a minha resposta é simplesmente : Não ! E ponto final! Mai nada!”

    Naturalmente que o comentarista parte do princípio de que eu nunca li Darwin, por um lado, e confunde Darwin com Richard Dawkins. Ou seja : Darwin = Dawkins. Mai nada ! E por quê ? Porque eu tenho que ser, forçosamente, um ignorante. O espírito é maniqueísta : quem não é por Richard Dawkins, em particular, e pelo politicamente correcto em geral, é ignorante. Mai nada!

Reparem que em nenhum dos comentários se contestou as ideias. Parte-se sempre de um princípio de autoridade de direito, político ou científico, que está acima de qualquer discussão. As ideias do politicamente correcto não são passíveis de discussão, e quem não as acata tem que passar a falar pelos colhões.


O que se está a passar na Europa — porque estes tiques totalitários vêm do norte da Europa, principalmente de Inglaterra e dos países escandinavos — é muito preocupante. Qualquer espírito minimamente atento pode “cheirar” aqui um novo tipo de totalitarismo.

O leitor poderá eventualmente dizer-me: trata-se de uma minoria. Talvez seja verdade, mas então trata-se de uma minoria muitíssimo activa, porque consegue, por exemplo, policiar o pensamento no FaceBook e os comentários e as opiniões que as pessoas lá colocam de uma forma livre. O FaceBook chegou a um ponto em que as pessoas já têm medo de comentar o que quer que seja senão nos Chats privados; o comentário público no FaceBook está a ser sujeito à censura politicamente correcta, efectuada através do ataque concertado e em alcateia a qualquer comentário dissonante da política correcta. Em consequência, as pessoas normais e imbuídas de senso comum, retraem-se e evitam opinar.


As nuvens adensam-se e o céu da democracia obnubila-se. Como se pode combater esta crescente tendência totalitária na nossa sociedade? Com sorrisos e com abraços? Com compromissos com essas forças totalitárias? Com tolerância em relação a uma certa intolerância niilista? Como?!

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6 comentários »

  1. ” Parte-se sempre de um princípio de autoridade de direito, político ou científico, que está acima de qualquer discussão. As ideias do politicamente correcto não são passíveis de discussão”
    Perfeito, nesta frase está explicitamente denunciado o neo-totalitarismo da “ditadura soft”, ou politicamente correctas e uma das suas mais veemente características, a atomização da sociedade, atomização que de facto só vem confirmar o neo-totalitarismo.
    A característica mais perigosa do politicamente correcto é precisamente ser uma “ditadura soft”, e grande parte das pessoas não conseguirem ver para lá da fumaça, ou seja, os fins a que se destina.

    ——————————————————————————–

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    Comentar por Luis Ribeiro — Domingo, 23 Janeiro 2011 @ 1:59 pm | Responder

  2. “Lenin dizia que, quando você tirou do adversário a vontade de lutar, já venceu a briga.” http://www.olavodecarvalho.org/semana/100920dc.html

    “Patrulhamento ideológico é uma tática antiga, muito conhecida pelos que estudaram como funcionava a atitude dos subversivos na USP na época da Ditadura Militar no Brasil. Os subversivos sempre faziam isso mesmo,sem qualquer tipo de limite em termos de baixeza comportamental e ausência de moral. E hoje em dia, na Internet, há um terreno fértil para a prática do patrulhamento ideológico, dos quais o mais conhecido é o ataque em bando em comunidades ou fóruns. Como na Internet as regras não são geralmente tão claras, o mais importante é a prevenção. Evitar cair em armadilhas (e algumas comunidades ou fóruns são armadilhas) é a melhor atitude sempre..” http://lucianoayan.wordpress.com/2010/03/18/tecnica-ataque-em-bando/

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    Comentar por Jairo Entrecosto — Domingo, 23 Janeiro 2011 @ 2:49 pm | Responder

  3. Essa citação do Olavo, vem mesmo a calhar…

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    Comentar por O. Braga — Domingo, 23 Janeiro 2011 @ 3:07 pm | Responder

  4. Perante a imagem e elogio a um velhote transmontano, é permitido chamar miserável, ignorante, imbecil e atrasado ao homem.
    Se fosse a imagem de um maricas metrossexual urbano, ai de quem “discriminasse” o gay…

    Perante esse tipo de comentários, o melhor não é silêncio mas pegar na foto do transmontano e na de um gay citadino típico, e dar um upgrade neste cartoon:

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    Comentar por Jairo Entrecosto — Domingo, 23 Janeiro 2011 @ 3:34 pm | Responder

  5. O cartoon está uma maravilha!

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    Comentar por O. Braga — Domingo, 23 Janeiro 2011 @ 4:15 pm | Responder

  6. Este cartoon hilário seria de imediato recusado no Salão de Humor de Piracicaba e o autor ainda sofreria as penas da lei brasileira…

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    Comentar por Riva — Terça-feira, 25 Janeiro 2011 @ 8:02 pm | Responder


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