perspectivas

Sexta-feira, 21 Janeiro 2011

A nova barbárie política e o Novo Totalitarismo

Um blogue que deve ser seguido quase como uma obrigação, é o blogue das Famílias Portuguesas. Nele, aconselho a leitura de um artigo com título “O Inimputável”.

«A família transmite princípios, valores e directrizes morais que os defensores da modernidade abominam. Com efeito, é através da família que é imprimida na mente e no coração dos jovens uma ideia insubstituível e estruturante: a estabilidade.»

Virá brevemente o dia em que um cristão será equiparado pela política correcta a um membro do Ku Klux Klan.
Hoje existe uma política imposta pelo Estado de “don’t ask, don’t tell” em relação à ética e à moral. A razão foi substituída pela razoabilidade.
Hoje, o casamento foi transformado em uma espécie de amizade reconhecida pela polícia, e a família natural está a ser combatida de uma forma feroz e odienta.
Os bárbaros já não estão às portas da cidade; já nos governam há algum tempo.

A pergunta que se deve fazer, neste contexto, é a seguinte : por que é que os defensores da modernidade abominam a família natural ?

O artigo não faz esta pergunta porque se trata de uma abordagem ética, moral, histórica e antropológica acerca da família. Porém, qualquer espírito inquieto deve fazer a pergunta : por que é que os defensores da modernidade abominam a família natural ?

Repare-se que no artigo se fala em “defensores da modernidade”, e não especificamente de uma determinada tendência política ou movimento político — e na minha opinião, a premissa está muito bem colocada. Os “defensores da modernidade” resultam de uma espécie de metástase ideológica que penetra em quase todos os quadrantes políticos contemporâneos. Praticamente nenhum movimento ou partido político actual escapa à acção dessa metástase ideológica.

A esmagadora maioria das pessoas do povo, saudáveis e normais, não entende por que este fenómeno “anti-família natural” está a acontecer na nossa sociedade, promovido pelas elites políticas e culturais. As pessoas normais e saudáveis sentem-se confusas; ora é exactamente essa a intenção das elites políticas e culturais: instalar a confusão entre as pessoas.

Há aqui dois fenómenos que se interligam. O primeiro é o que decorre do sacrifício do espírito em prol do progresso. A este primeiro fenómeno, chamemos de “Bestialização das Massas” (a transformação do Homem numa besta).

  1. “A morte do espírito é o preço do progresso. Nietzsche revelou este mistério do apocalipse do Ocidente quando anunciou que Deus estava morto e que Ele tinha sido assassinado” (Eric Voegelin). Para que exista o progresso — segundo o conceito político modernista de “progresso” — é necessário eliminar a espiritualidade humana. E portanto, é necessário eliminar Deus das nossas vidas, porque segundo a metástase ideológica modernista, Deus e progresso são incompatíveis. Existe, portanto, aqui um maniqueísmo gnóstico moderno: ou Deus, ou o progresso — com terceira hipótese excluída.

    A eliminação da espiritualidade humana, necessária ao “progresso”, corresponde à animalização do homem. Por isso é que as ideologias políticas incorporaram noções darwinistas que dessacralizam a vida humana — por exemplo, segundo o marxista cultural Peter Singer, a vida humana não vale mais do que a vida de um outro animal qualquer. Portanto, para que exista “progresso” — segundo a noção que a modernidade dá à ideia de “progresso” — é necessário que o ser humano se transforme em um animal mais ou menos irracional. É absolutamente necessário que o Homem se transforme numa besta, e embotado de espírito, para que possa existir “progresso”.

  2. Decorrente do primeiro fenómeno (a bestialização das massas), existe um outro fenómeno que é o da auto-afirmação da excepcionalidade por parte de uma elite política e cultural — os modernos “Pneumáticos” do gnosticismo contemporâneo. Para que possa existir uma elite gnóstica moderna (os novos Pneumáticos), tem necessariamente que existir uma classe de novos Hílicos ou bestas humanas, desprovidas de vontade e embotadas do ponto de vista espiritual. A este segundo fenómeno, chamemos de “Novo Totalitarismo”.
  3. A estratégia política para se construir este Novo Totalitarismo gnóstico contemporâneo, consiste basicamente na conjunção ideológica de dois factores. O primeiro é o incentivo político a toda a espécie de contra-cultura; o segundo é a imposição cultural daquilo a que Theodore Dalrymple chamou de “culto tóxico do sentimentalismo”.
  4. O “culto tóxico do sentimentalismo” é imposto pelas elites neognósticas tirando partido do sentimento natural de justiça que existe na cultura popular, e serve como rolo compressor cultural da diferenciação dos valores em circulação na sociedade. Através da imposição cultural da indiferenciação dos valores e da dissociação desses valores da realidade concreta e natural, a elite política e cultural neognóstica acentua a clivagem política e existencial entre os novos Hílicos e os novos Pneumáticos.
  5. O incentivo cultural e político às sucessivas contra-culturas culminou em um vácuo cultural actual. Podemos ler aqui : “chegamos a um ponto na nossa civilização em que a contra-cultura se transformou num vácuo estético auto-obsessivo”. Ora, sabemos todos que a estética e a ética estão intimamente ligadas; através de uma expressão estética podemos deduzir a respectiva substância ética. O vácuo estético da actual contra-cultura — de que se deduz um vácuo ético — é o ponto ideal (o “ponto-rebuçado”) para a imposição do Novo Totalitarismo.
  6. O grande problema dos gnósticos, hoje como desde há dois mil anos, é a Igreja Católica. É imperioso o ataque político à Igreja Católica (e à religião em geral) porque esta é a principal barreira à instalação do Novo Totalitarismo neognóstico. A Igreja Católica defende ideias e valores que se constituem como dificuldades para bestialização do ser humano, quando luta contra o aborto e defende a excepcionalidade da vida humana, por exemplo, ou quando defende a ideia de família natural.

Virá brevemente o dia em que um cristão será equiparado pela política correcta a um membro do Ku Klux Klan. Hoje existe uma política imposta pelo Estado de “don’t ask, don’t tell” em relação à ética e à moral. A razão foi substituída pela razoabilidade. Hoje, o casamento foi transformado em uma espécie de amizade reconhecida pela polícia, e a família natural está a ser combatida de uma forma feroz e odienta.

Os bárbaros já não estão às portas da cidade; já nos governam há algum tempo.

6 comentários »

  1. Isto explica o “nivelamento por baixo” do estudo tal como o conhecemos. Aliás, o desmantelamento do ensino tradicional, a desresponsabilização da educação por parte dos pais para que sejam os professores a dá-la à massa amorfa, mentalmente dissociada praticamente desde o berço, and so on… and on.
    Isto está criminosamente bem planeado, não há dúvida. Governantes incompetentes? Claro que não, bem pelo contrário. A “agenda” está a ser magistralmente cumprida. Nem os Bárbaros foram capazes de semelhante razia!

    Parabéns pelo blog. Apesar de não ser grande “comentadeira”, não deixo de o ler sempre que posso.

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    Comentar por fatima — Sexta-feira, 21 Janeiro 2011 @ 12:02 pm | Responder

  2. Por isso é que é um erro dizer que Sócrates, Lula, Obama ou outros líderes socialistas “falharam” quando lemos que a dívida aumentou, a economia está mais débil, e a família está destruída.

    Isto só é um falhanço para aqueles que este post identifica de saudáveis e normais. Para os gramscianos, não houve falhanço nenhum.

    Segundo a filosofia esquerdista, as coisas estão a “progredir” como esperado.

    A Única Força que pode parar ou suster (temporariamente) o avanço da barbárie é o Próprio Deus. Como já vimos no passado, isso pode ser (e vai ser) muito mau para muita gente,

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    Comentar por Mats — Sexta-feira, 21 Janeiro 2011 @ 10:54 pm | Responder

  3. **********

    Mats:

    Não concordo com visões escatológicas dos “fins dos tempos” e do “fim do mundo”. Quem defende essa ideia está exactamente a cometer os mesmos erros de interpretação da realidade do Novo Totalitarismo e dos gnósticos de todos os tempos. Ninguém pode ter uma pequena ideia do futuro. Não podemos substituir-nos a Deus e dizer: “Ele vai fazer isto e aquilo”, como se nós tivéssemos uma ideia daquilo que Deus vai fazer.

    O que podemos fazer é constatar factos. Aquilo que eu fiz neste postal foi constatar factos. Compete-nos contrariar a tendência actual, independentemente daquilo que Deus quer, porque só Ele sabe exactamente o que quer.

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    Comentar por O. Braga — Sexta-feira, 21 Janeiro 2011 @ 11:28 pm | Responder

  4. toda vez que passo aqui e vejo essa foto do socrates caio na gargalhada. hahahahahahaha.

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    Comentar por shâmtia ayômide — Sábado, 22 Janeiro 2011 @ 12:55 am | Responder

  5. Vale mais uma imagem do que mil palavras… 🙂

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    Comentar por O. Braga — Sábado, 22 Janeiro 2011 @ 1:40 am | Responder


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