perspectivas

Quarta-feira, 19 Janeiro 2011

O submarino

Filed under: Política — O. Braga @ 5:19 pm
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Nunca votaria em Manuel Alegre por muitas razões, mas sou obrigado pela razão a admitir que ele é frontal tanto quanto um político pode ser; confesso que me custa admitir isso, mas seria estúpido se não o fizesse.

Não simpatizo minimamente com as ideias políticas, com o passado político, e com a mundividência de Manuel Alegre, mas não posso deixar de reconhecer que o homem é directo e sem rodriguinhos — e isto é uma qualidade. Ou seja: Manuel Alegre é o que é, e não engana ninguém.

O que mais me repugna em alguns políticos — ou naqueles que estando na política se dizem “não-políticos” — são as duas caras. São os submarinos da política que falam para um auditório a pensar noutro, e apresentam-se com uma sapiente candura que só uma pretensa autoridade de direito permite. Porém, trata-se da autoridade de direito dos sofistas, uma autoridade heurística exercida sobre todas as coisas possíveis em nome de uma reputação.

Não posso conceber que um candidato à presidência da república tenha vestido a pele da ideologia do Bloco de Esquerda nas últimas eleições para o parlamento europeu, e hoje faça apelos ao voto do centro-direita. Para além de ser uma depreciação insuportável da memória do cidadão, não há heurística que aguente.

2 comentários »

  1. Esse nunca me enganou, basta somente estar à frente de uma ONG para passar a ser um forte suspeito de compadrio de interesses inconfesáveis . Mas claro, a maioria das pessoas são desatentas caiem facilmente na tanga do humanitarismo.

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    Comentar por Luis Ribeiro — Quarta-feira, 19 Janeiro 2011 @ 9:33 pm | Responder

  2. É fácil falarmos de alguém à frente de uma ONG e imputarmos responsabilidades negativas ou acrescidas de quem iniciou um empreendorismo social com as consequências inerentes a qualquer organismo público e comunitário, porém, não esqueçamos que Fernando Nobre é uma personalidade reconhecida nacional e internacionalmente, concorre a estas eleições desprovido de apoios partidários, como independente e suprapartidário, algo extremamente importante no actual contexto do panorama político português crivado de influências partidocráticas. No seu curriculo aparece-nos como uma figura multifacetada, colaborando com pessoas à esquerda e à direita e, curiosamente, para quem pretenda colocá-lo num segmento político-ideológico à esquerda do PS esquece-se que também Fernando Nobre é membro da Real Associação de Lisboa, isto significará que ele é monárquico? Penso que não, até porque concorre às eleições presidenciais, reconhecendo, contudo, legitimidade desse sector político na nossa sociedade, o que revela, em função disso, é a sua abertura ímpar, respeitadora de ideais diferenciados e conglomerando as diversas famílias ideológicas nacionais num todo uno que se identifique com a grande nação portuguesa.

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    Comentar por Paulo Sérgio — Sábado, 22 Janeiro 2011 @ 3:39 pm | Responder


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