perspectivas

Sábado, 15 Janeiro 2011

O argumento ad Hominem na blogosfera

Filed under: A vida custa,Blogosfera,Esta gente vota — O. Braga @ 9:53 pm
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  1. Não é falacioso, por exemplo, chamar a José Sócrates de “mentiroso”. Neste caso, o epíteto resulta de uma conclusão e não de um princípio de que se parte para desenvolver um raciocínio. Portanto, se eu digo, à laia de conclusão, que José Sócrates é mentiroso, terei que previamente ter elencado uma série de situações que sustentem a minha conclusão.

    Noutros casos, o nosso raciocínio e conclusão assentam naquilo a que se convencionou chamar de modus ponens, ou seja, a partir da crença na verdade empírica apresentada por outros ou por gerações anteriores. Por exemplo, se eu tomo conhecimento, de fontes distintas entre si, que José Sócrates fez determinada falcatrua, posso partir do princípio de que essas fontes dizem verdade, e portanto, concluir que José Sócrates é um aldrabão.

  2. Coisa diferente da conclusão desonrosa acerca de determinada pessoa, é o ataque ad Hominem. O ataque ad Hominem não resulta de uma conclusão proposicional, mas antes é um princípio primeiro que rege a retórica e argumentação (preconceito negativo). Enquanto que no ponto 1., o insulto é uma consequência de um determinado raciocínio que constata factos e resulta destes, no argumento ad Hominem o insulto é o ponto de partida para a própria argumentação.


Dois exemplos:

  • José Sócrates mentiu ali e acolá (exemplos concretos), estes factos estão comprovados, e portanto, José Sócrates é mentiroso.
  • José Sócrates é ladrão, e portanto não tem legitimidade para ser primeiro-ministro.

No primeiro caso, são alegadas razões que sustentam o epíteto de “mentiroso”. No segundo caso, a argumentação parte de um ataque ad Hominem porque não são apresentadas evidências (indícios ou mesmo provas) de que José Sócrates seja um ladrão.


Existem principalmente dois tipos de argumento ad Hominem : a forma abusiva :

  • O Fulano diz que 1 + 1 = 2;
  • O Fulano é feio, burro, tem o nariz comprido, os pés tortos, e é retardado mental;
  • Logo, e exactamente por essas características, é por demais evidente que o Fulano não tem razão quando diz que 1 + 1 = 2.

A forma circunstancial :

  • O Sicrano defende que o comportamento sexual gay é negativo;
  • Ora, acontece que o Sicrano não é gay !
  • Portanto, o Sicrano não pode julgar objectivamente em causa alheia.

Na forma circunstancial, o ataque ad Hominem alega que Sicrano raciocina e tira conclusões exclusivamente por razões egoístas, e por isso, o raciocínio e as conclusões do Sicrano não merecem sequer ser analisados.

Neste blogue, comentários com argumentos ad Hominem não são publicados. Nos comentários dos blogues, não pode valer tudo !.

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2 comentários »

  1. […] chamar a José Sócrates de mentiroso é um ataque ad hominem: será falacioso? O. Braga responde aqui. E o leitor acha que é? Esta entrada foi publicada em 11º ano com as tags Lógica. ligação […]

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    Pingback por Argumentar ad hominem | filESEN — Sábado, 15 Janeiro 2011 @ 10:25 pm | Responder

  2. […] Braga responde aqui. E o leitor acha que […]

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    Pingback por O meu baú » Arquivo do Blogue » Argumentar ad hominem — Segunda-feira, 7 Novembro 2011 @ 10:46 pm | Responder


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