perspectivas

Sexta-feira, 24 Dezembro 2010

A teoria das propensões de Karl Popper (2)

As conclusões da física quântica

Tudo o que eu possa escrever aqui sobre as conclusões mais conservadoras e prudentes da física quântica será considerado absurdo por alguns leitores. Por exemplo, se eu disser que a quântica diz que o universo é um imenso vazio com pouca matéria, o leitor provavelmente dirá que eu sou maluco — porque os nossos olhos dizem-nos exactamente o contrário. E já não falo nas teorias mais ousadas, como por exemplo, da teoria do “único electrão” de Feynman, ou da teoria dos “universos paralelos” de Everett: cinjo-me apenas àquilo que é minimamente consensual entre os físicos.

Podemos fazer aqui uma súmula de alguns conceitos básicos, a ver:

  1. As partículas sub-atómicas (ou mesmo o átomo), também chamadas de Partículas Elementares Longevas, podem assumir a condição de onda, ou seja, por exemplo, um electrão tanto pode ser uma partícula que tem massa (matéria), como uma onda que ou tem uma massa muitíssimo reduzida ou não tem massa (não-matéria; não confundir com “antimatéria”).
  2. Em termos matemáticos e lógicos, podemos definir “função” como um termo que designa a correspondência entre duas variáveis, e não implicando a natureza quantitativa dos elementos nela considerados. O modo de fazer a “tradução” da linguagem formal da matemática para o discurso corrente é, nomeadamente, através do uso do termo “função”, uma vez que este tem um carácter não-quantitativo.
  3. A Função Ondulatória Quântica (FOQS) é a que aglutina em si o carácter de onda e de partícula da Partícula Elementar Longeva. Quando falamos em Função Ondulatória Quântica, referimo-nos à característica ambivalente, digamos assim, de a Partícula Elementar Longeva se assumir ora como onda, ora como partícula/matéria.
  4. A FOQS, quando em condição de onda, medem as possibilidades de ter lugar um acontecimento.
  5. As FOQS, quando em condição de onda, são ondas de probabilidade.
  6. A FOQS, quando em condição de onda, encontram-se simultaneamente nas nossas mentes — mais ou menos controladas pelas nossas consciências — e lá fora no mundo.
  7. As leis da física clássica decorrem da regularidade dos fenómenos físicos a nível macroscópico (por exemplo: o sol nasce todos os dias). Essa regularidade resulta da acção da força da gravidade em relação à força quântica : a força da gravidade é uma força entrópica — uma força que “cristaliza as FOQS”, digamos assim — e que organiza a matéria.
  8. As FOQS, quando em condição de onda, viajam pelo universo em forma de onda, seguindo Caminhos de Acção Mínima, e fora do Muro de Luz. O Muro de Luz — que é limitado e definido pela velocidade da luz — limita e delimita a condição da matéria. Por isso, as FOQS viajam a velocidades superiores à velocidade da luz. Por exemplo e em teoria, um electrão em condição de onda pode estar quase simultaneamente em dois pontos do universo (espaço-tempo) afastados entre si em milhões de milhões de anos/luz.
  9. Em determinadas situações, as FOQS, quando em condição de onda, podem estar totalmente fora do espaço-tempo.

(continua)

4 comentários »

  1. Caro Orlando,

    O que você acha dessa refutação ao argumento ontolóico de Santo Anselmo?
    http://www.oindividuo.org/2009/07/12/o-fantastico-argumento-de-santo-anselmo/

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    Comentar por Rodrigo — Terça-feira, 28 Dezembro 2010 @ 5:26 pm | Responder

    • Ele parte de uma base errada. Por exemplo:

      «Essa definição da propriedade “algo maior do que todos os outros” não é necessariamente instanciável para qualquer relação, ainda mais no caso de conjuntos infinitos

      A teoria do conhecimento finística de Gierer demonstrou que a capacidade de conhecimento é finita (existe um limite objectivo para o conhecimento). Por isso, a noção de “infinito” é estritamente humana e pertence ao “Mundo 3” de Karl Popper — a noção humana de infinito é metafísica; a própria lógica e matemática têm raízes metafisicas (axiomáticas).
      Ver : http://goo.gl/Hprjx

      Sobre o Mundo 3 de Popper : http://goo.gl/cUfQV

      Os argumentos apresentados no site são muito fracos. Por exemplo:

      «Note-se que mesmo que ele *fizesse* sentido em termos puramente lógicos, as definições dadas são completamente arbitrárias, e não apresentam qualquer justificativa ou explicação sobre o que exactamente é ser “mais perfeito” ou por que seria “mais perfeito” existir do que não existir.»

      A pessoa que escreveu nega o absoluto de uma qualquer qualidade, o que é anticientífico, porque a própria ciência trabalha para chegar à verdade absoluta. Todas as qualidades são relativas, isso é verdade; mas tudo o que é relativo aponta para o absoluto, mesmo que esse absoluto seja apenas teórico à luz do conhecimento humano.

      É perfeitamente evidente que uma coisa que existe é mais perfeita do que uma coisa que não existe. Só um burro não vê isso. Além disso, a forma como as equações são formatadas, está errada, ou seja, existe um vício de forma na disposição das funções (a lógica foi “martelada”).

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      Comentar por O. Braga — Terça-feira, 28 Dezembro 2010 @ 6:16 pm | Responder

  2. “Além disso, a forma como as equações são formatadas, está errada, ou seja, existe um vício de forma na disposição das funções (a lógica foi “martelada”).”

    Será que a lógica que ele usou foi martelada? Parece-me que o autor do blog é professor de lógica, pelo menos passa um “ar” de que sabe o que está dizendo, não que isso signifique muita coisa, aliás pode até ser um mecanismo para disfarçar a própria ignorância.

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    Comentar por Rodrigo — Quarta-feira, 29 Dezembro 2010 @ 1:51 pm | Responder

  3. Só alguém que saiba de Lógica pode deturpar a lógica de uma forma que pareça lógica. A lógica matemática não pode ser aplicada desta forma ao princípio ontológico de S. Anselmo, porque a própria lógica matemática (repito: lógica matemática) é incapaz de resolver determinados paradoxos lógicos (ver paradoxos lógicos segundo Bertrand Russell).

    As duas grandes refutações do princípio ontológico de S. Anselmo são de Kant e de Hellin. Dessas duas refutações falarei noutro momento.

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    Comentar por O. Braga — Quarta-feira, 29 Dezembro 2010 @ 3:05 pm | Responder


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