perspectivas

Quarta-feira, 22 Dezembro 2010

A filosofia de vida com o estatuto lógico de um peido

Filed under: A vida custa,Esta gente vota,Helena Damião — O. Braga @ 1:15 am

A Helena Damião, que segundo me dizem é professora de filosofia, escreve aqui o seguinte :

«A dúvida não pode, pois, deixar de se instalar em qualquer um: não valerá mais ter paraísos terrenos, concretos, de acesso imediato, do que paraísos celestes contingentes e adiados? Na dúvida, é de aproveitar os que temos, tão à nossa mão, num hipermercado perto de nós.»

Eu escrevi aqui o seguinte :

«A ideia de que a vida tem um sentido em si mesma obedece a um estatuto lógico de um peido.

Quando alguém come fartamente e com prazer e mais tarde vai ao WC completar o ciclo do carbono, a lógica do sentir-se bem e satisfeito com a comida obedece à mesma lógica do peido: qualquer animal doméstico subscreveria esta ideia da “vida com um sentido em si mesma”.

Portanto, a educação que temos nas nossas escolas e universidades, e os valores culturais que a nossa elite política veicula (salvo excepções), tendem a animalizar o homem do futuro e a imbuir a sua vida com a autoridade da lógica do peido

Se a Helena Damião é, na realidade, professora de filosofia, e a julgar pela amostra, estamos tramados…!

5 comentários »

  1. A psicologia da dúvida é uma das coisas mais pobres que existem.

    Mário Ferreira é onde encontrei a melhor explicação, se a inteligência é capaz de perceber diferenças e exceções a regra para negar as coisas(filosofias de negação/psicologia da dúvida) também o é capaz de perceber semelhanças e assim criar generalizações, grupos, hierarquias, tradições, moral e classificações(filosofias de afirmação).

    Os adeptos da psicologia da dúvida que elevam esta a status máximo de inteligência, se esquecem da segunda capacidade mencionada por Mário Ferreira, ou seja é gente que só é capaz de perceber uma das capacidades da inteligência.

    A ausência das filosofias da afirmação e o combate a tudo que se pareça com ela, é o ponto crucial para o entendimento da “crise da masculinidade”, objeto de meus estudos.

    Através da afirmação, se une os semelhantes, criando assim a força, como aquela velha analogia dos freixos de paus unidos.

    O multiculturalismo moderno é uma tentativa ilógica e suicida de criar força(ou nem isso, vai ver a intenção é acabar com tudo mesmo) através da união dos diferentes!

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    Comentar por shâmtia ayômide — Quarta-feira, 22 Dezembro 2010 @ 3:17 am | Responder

  2. Curiosamente há muita semelhança entre a afirmação da Professora mencionado e o Epicurismo denunciado por Olavo de Carvalho. Epicuro conclui que tudo é irregular e “incompreensão” e por isso nos preocupemos apenas com o prazer já que o resto não importa!

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    Comentar por shâmtia ayômide — Quarta-feira, 22 Dezembro 2010 @ 3:20 am | Responder

  3. Numa discussão permeada por negação, todos concluem que “ninguém está certo”, desenvolvendo assim o relativismo moral. Se comigo aconteceu de uma maneira e com o outro aconteceu de outra maneira, a conclusão que o negativista chega é que ninguém está certo.

    O próximo passo é a hipervalorização da subjetividade pessoal, do sentimentalismo, romantismo como os motores máximos da ação humana. Quando chega neste ponto os negacionista estão a um passo de avalizar a lei do mais forte.

    A negação é importante para que ninguém se amarre somente a transcedência, as teorias, fazendo com que seja necessário buscar novas informações na realidade, afastando o individuo da masturbação intelectual.

    Contudo quando a negação e a dúvida entram num esquema como que expliquei acima, ela se torna um motor da destruição de toda forma de inteligência humana, terminando na apologia da animalidade e da lei do mais forte.

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    Comentar por shâmtia ayômide — Quarta-feira, 22 Dezembro 2010 @ 3:28 am | Responder

  4. Obrigado (Shamtia) pelos comentários. Só queria acrescentar alguma coisa.

    O discurso da professora é ambíguo. A ambiguidade dos pseudo-intelectuais — os que têm um alvará de inteligência passado por uma qualquer universidade — está na moda. Existe uma diferença entre ambiguidade e ambivalência — não são coisas idênticas nem sequer semelhantes.

    Um texto pode ser ambivalente quando expõe claramente dois conceitos diferentes e até mesmo opostos. Eu posso, por exemplo, escrever um texto em que enuncio a posição marxista sobre um determinado assunto, com todos os dados e informações possíveis e necessários a um bom entendimento por parte dos leitores e, em acto contínuo, faço o mesmo em relação a uma outra posição diferenciada (por exemplo, a posição hayekiana), e em relação ao mesmo assunto. Estamos perante um discurso ambivalente — que seria aquele que deveria ser o mínimo expectável e exigível de uma pessoa que se diz “intelectual”.

    Um texto é ambíguo quando tenta fugir à argumentação racional através da imposição da subjectividade implícita na conclusão ou ilação a retirar do sentido do texto. A Helena Damião não diz, de uma forma peremptória, que devemos adoptar a lógica do peido para o sentido das nossas vidas; ela insinua, através da dúvida existencial que todo o ser inteligente tem, que a lógica do peido aplicado à existência humana faz todo e único sentido. A insinuação é uma das características do discurso ambíguo.

    Ela procede assim porque sabe que a sua posição tem imensas fragilidades. A melhor forma de proteger uma posição fraca é através da ambiguidade. Para isso, ela começa por fazer uma analogia entre os deuses do Olimpo e o Deus de Xenófanes, metendo tudo no mesmo saco — sabendo-se que Xenófanes fez a crítica dos deuses do Olimpo.

    A mim não me preocupa sobremaneira a posição ambígua da cidadã Helena Damião; antes preocupa-me a posição da professora (segundo me dizem, ela é professora). São professores destes que nos recordam que as Humanidades têm que ser salvas das garras da estupidez; por causa de “intelectuais” destes é que as disciplinas da área das Humanidades (filosofia, história, etc.) estão a ser condenadas ao ostracismo.

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    Comentar por O. Braga — Quarta-feira, 22 Dezembro 2010 @ 7:32 am | Responder

  5. Esse papinho de estilo de vida hedonista é muito comum nos círculos neoateus.

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    Comentar por Jobson Coutinho — Terça-feira, 8 Outubro 2019 @ 8:25 pm | Responder


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