perspectivas

Sábado, 20 Novembro 2010

É necessária a obrigatoriedade da disciplina de filosofia a partir de tenra idade

Eu fico surpreendido com certo tipo de raciocínios, e um exemplo foi aqui mencionado pelo Jairo Entrecosto, extraído do pasquim on line do neo-ateísmo.

Desde logo, a seguinte definição de livre-arbítrio, está errada: “o poder de escolher ou não escolher um acto ou uma atitude, quando não temos razão para nos inclinarmos mais para um lado do que para o outro.”

Para definirmos o livre-arbítrio, em termos da ética e /ou da metafísica, temos que consultar um dicionário de filosofia, e não um dicionário comum.

Eu desafio daqui os autores dessa definição do dicionário da Porto Editora a mencionar os fundamentos que a sustentem. Neste aspecto particular, esse dicionário está errado.

Se não temos razão para nos inclinarmos mais para um lado do que para o outro” entre duas opções possíveis, não pode existir arbítrio ou liberdade de escolha, porque o livre-arbítrio existe sempre baseado em valores que determinam a nossa possibilidade de escolha. E esses valores revelam-se ao Homem a partir da problematização da realidade, ou seja, surgem do confronto racional do Homem com os problemas.

O livre-arbítrio é exactamente a possibilidade de um ser humano escolher quando existem razões diferentes que aconselham a opção para um lado e/ou para outro. Se não existem razões para escolher entre uma coisa e outra, o Homem não é livre, mas antes é um animal irracional. O dicionário da Porto Editora deveria estar a referir-se, certamente, aos animais (por exemplo, os ateístas) que vivem da percepção que não distingue os problemas existentes na realidade.

Se não existem valores que sustentem uma inclinação para um lado, em detrimento de outro ou outros lados, a decisão do Homem não é livre, mas antes é aleatória. O ateísta de serviço confunde “aleatoriedade” com “liberdade”.

Se “não temos razão para nos inclinarmos mais para um lado do que para o outro”, encontramo-nos na posição do Asno de Buridan : sem valores em que nos baseemos para tomar a decisão, acabamos por ficar paralisados na escolha, ou entrar numa lógica de decisão aleatória e não fundamentada racionalmente.

Portanto, não só a definição do dicionário da Porto Editora está errada, como o uso dessa definição naquele contexto é despropositada.


Quando o cristão diz que “o futuro pertence a Deus”, o que ele está a fazer é simplesmente a reconhecer a impossibilidade objectiva do ser humano em conhecer o futuro, pelo menos de uma forma detalhada. E isso não tem nada a ver com “o planeamento das férias para o próximo ano”. Ou seja, o cristão está simplesmente a ser inteligente.

Porém, a mente revolucionária gay-ateísta dá o futuro utópico — neste caso, o da promiscuidade sexual gay obrigatória, e estendida a toda da sociedade — como certo, e o passado histórico é entendido como sendo falso.

4 comentários »

  1. O argumento do Livre Arbítrio

    A objeção dos cristãos a este argumento envolve o livre-arbítrio. Eles dizem que um ser humano deve ter o livre arbítrio para ser feliz. O Deus todo-bondade não queria criar robôs, então ele deu aos humanos o livre arbítrio para que possam experimentar o amor ea felicidade. Mas os humanos usaram este livre-arbítrio para escolher o mal, e introduziram a imperfeição ao Universo originalmente perfeito de Deus.Deus não tinha controle sobre esta decisão, então a culpa por nosso Universo imperfeito é dos humanos, não de Deus.

    Primeiro, se Deus é onipotente, então a assunção de que o livre arbítrio é necessário para a felicidade é falsa. Se Deus pôde fazer a regra de que apenas seres com livre-arbítrio poderiam experimentar a felicidade, então ele poderia facilmente ter feito a regra de que apenas robôs poderiam experimentar a felicidade. A última opção é claramente superior, visto que robôs perfeitos nunca poderiam tomar decisões que tornassem eles ou seu criador infelizes, enquanto seres com livre-arbítrio poderiam. Um Deus perfeito e onipotente que cria seres capazes de arruinar sua própria felicidade é impossível.

    Em segundo lugar, mesmo que estivéssemos a permitir a necessidade do livre-arbítrio para a felicidade, Deus poderia ter criado humanos com livre-arbítrio que não têm a capacidade de escolher o mal, mas de escolher entre várias opções boas.

    Em terceiro lugar, Deus supostamente possui livre-arbítrio, e mesmo assim ele não toma decisões imperfeitas. Se humanos são imagens miniaturizadas de Deus, nossas decisões deveriam ser similarmente perfeitas. Além disso, os ocupantes do céu, que presumivelmente precisam possuir livre-arbítrio para ser feliz, nunca vai usar esse livre-arbítrio para tomar decisões imperfeitas. Por que o ser humano perfeito originalmente faria diferente?

    O problema continua: a presença de imperfeições no Universo refuta a suposta perfeição de seu criador.
    Tudo bem, Deus deliberadamente cria sofrimento futuro
    Deus é onisciente. Quando ele criou o Universo, viu os sofrimentos que humanos suportariam, como resultado do pecado daqueles humanos originais. Ele ouviu os gritos dos condenados. Certamente ele saberia que teria sido melhor para os seres humanos nunca ter nascido (de fato, a Bíblia diz isso mesmo), e certamente tudo deidade compassiva que teria antevisto a criação de um universo destinado à perfeição no qual muitos dos humanos estavam condenados ao sofrimento eterno. Um perfeitamente compassivo que deliberadamente cria seres que ele sabe que está condenado a sofrer é impossível.
    Infinita punição por pecados finitos
    Deus é perfeitamente justo, e ele ainda sentencia os imperfeitos humanos que criou ao sofrimento infinito no inferno por pecados finitos. Claramente, uma ofensa limitada não justifica uma punição ilimitada.’s Condenação Deus dos humanos imperfeitos a uma eternidade no inferno por um mortal vida simples do pecado é infinitamente injusta.
    O absurdo desta punição infinita parece ainda maior quando consideramos que a fonte última da imperfeição humana é o Deus que os criou. Um Deus perfeitamente justo que sentencia sua criação imperfeita à punição infinita por pecados finitos é impossível.
    Crença mais importante que a ação
    Considere todas as pessoas que vivem em regiões remotas do mundo que nunca ouviram falar do “evangelho” de Jesus Cristo. Considere as pessoas que aderiram naturalmente à religião de seus pais e nação, como eles tinham sido ensinados a fazer desde que nascimento.
    Se formos a acreditar que os cristãos, todas essas pessoas irão perecer no fogo eterno por não acreditarem em Jesus.
    Não importa quão justos, bondosos e generosos eles foram com seus semelhantes durante sua vida: se eles não aceitarem o evangelho de Jesus, estão condenados. Nenhum Deus justo jamais julgaria um homem por suas crenças em vez de suas ações.

    Revelação imperfeita da perfeição
    A Bíblia supostamente é a perfeita Palavra de Deus. Ele contém instruções para a humanidade para evitar o fogo eterno do inferno.
    Como é maravilhoso esse tipo de presente que Deus nos fornece esse os meios para superar os problemas pelos quais ele é responsável!

    O Deus-todo poderoso poderia ter, por um simples ato de vontade, eliminar todos os problemas que os humanos devem suportar, mas, em sua sabedoria infinita, ele optou por oferecer esse indecifrável amálgama de livros chamado Bíblia como um meio para evitar o inferno que ele preparou para nós.
    O Deus perfeito decidiu revelar sua vontade através desta obra imperfeita, escrita na linguagem imperfeita dos humanos imperfeitos, traduzida, copiada, interpretada, votada, e narrada por homens imperfeitos.
    Não há dois homens nunca irão concordar que esta palavra perfeita de Deus é suposto significar, uma vez que grande parte dela ou é auto-contraditório, ou obscurecido por enigma. E ainda assim o Deus perfeito espera que os imperfeitos humanos, entendamos este enigma paradoxal utilizando as mentes imperfeitas com as quais ele nos equipou.

    Certamente, o todo-sábio e todo-poderoso Deus saberia que teria sido melhor revelar sua vontade perfeita diretamente a cada um de nós, ao invés de permitir que ela seja distorcida e pervertida pela imperfeita linguagem e equivocada interpretação do homem.

    LEITURA SUGERIDA:

    ” O problema com Deus”
    As respostas q a Bíblia não dá ao sofrimento!

    BARTH D. ERHMAN

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    Comentar por Oiced Mocam — Segunda-feira, 22 Novembro 2010 @ 1:08 am | Responder

    • Mocam: o seu comentário passou desta vez porque vai servir de exemplo sobre o absurdo. Mais nenhum outro comentário seu será publicado.

      1.Você parte de um pressuposto errado, e segundo a lógica dedutiva, a conclusão é verdadeira se TODAS as premissas também forem verdadeiras. Basta que exista uma premissa (um pressuposto) que seja falsa para que a conclusão seja falsa também.

      2.O pressuposto errado é o seguinte: “Eles dizem que um ser humano deve ter o livre arbítrio para ser feliz”. O que você faz, é ligar, de uma forma exclusiva, a ideia de livre-arbítrio ao Cristianismo, como se apenas os cristãos (ou os religiosos em geral) seguissem a ideia de que o Homem tem livre-arbítrio. Segundo o seu pressuposto, um agnóstico não aceitaria nunca a ideia de livre-arbítrio — o que é rotundamente falso.

      3.Porém, a verdade é que a ideia dos acontecimentos em devir como meras possibilidades, é uma ideia científica e filosófica, e não apenas religiosa. A física quântica considera como uma verdade absoluta — no sentido de verdade objectiva — o facto de o tempo em devir ser apenas uma conjectura que depende de acontecimentos como materialização de possibilidades quânticas.

      4.Perante esta realidade, que a própria ciência já constatou como sendo verdadeira (realidade conforme referida no ponto anterior), o Homem lida com essa realidade com mais um valor acrescentado, em relação aos outros animais: a capacidade de problematizar a realidade. E é, em grande parte, desta capacidade de transformar os objectos da percepção em problemas, que distingue o Homem de um outro animal qualquer.

      5.Portanto, os cristãos nada mais fazem do que seguir os princípios científicos da física moderna sobre a imprevisibilidade do tempo em devir como possibilidades de acontecimentos, por um lado, e admitir como verdadeiro o facto científico-filosófico evidente de que as fontes de conhecimento humanas não se limitam à percepção ou ao empirismo puro, mas antes se devem principalmente à capacidade humana de transformar os objectos da percepção em problemas (intuição intelectual, imaginação, racionalidade), por outro lado.

      6.Na medida em que você parte de um pressupostos errado — conforme enunciado no ponto 2 —, e segundo a lógica dedutiva, a conclusão da sua teoria está necessariamente errada, e portanto, confesso que nem sequer a minha leitura do seu texto passou do terceiro parágrafo.

      7.Você tem falta de prática, meu filho: você precisa de estudar, a ver se você ganha a esperança de deixar, um dia, de ser burro.

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      Comentar por O. Braga — Segunda-feira, 22 Novembro 2010 @ 5:21 am | Responder

  2. Este sujeito “Oiced Mocam”(ou seria “Décio Maçom?”) estava complentamente embriagado ou utilizou um software de tradução para “colar” este amontoado de palavras desconexas?

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    Comentar por Riva — Terça-feira, 23 Novembro 2010 @ 3:05 pm | Responder

  3. Confesso que não passei do terceiro parágrafo, e nem vou passar.

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    Comentar por O. Braga — Terça-feira, 23 Novembro 2010 @ 3:13 pm | Responder


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