perspectivas

Segunda-feira, 25 Outubro 2010

Os mitos modernos

Filed under: filosofia — O. Braga @ 10:12 am
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Sartre e Che Guevara

O materialismo filosófico está directamente ligado às ideias de Engels e Karl Marx (para não falar aqui das suas origens históricas), e portanto, ao marxismo. Durante a guerra fria, a esquerda marxista nos países democráticos a ocidente, não era muito popular porque defendia uma visão totalitária para a sociedade. Por isso, essa esquerda marxista teve que se camuflar, atribuindo aos mesmos conceitos marxistas outras designações que induzissem na opinião pública a ideia de que aquilo que defendiam era coisa diferente do materialismo filosófico. Surgiu então o existencialismo ateu de Sartre e, principalmente, o Fisicalismo e o Reducionismo.

O fisicalismo reduz toda a realidade à matéria, ou seja, segue fielmente o materialismo filosófico, embora reelaborando-o e reestruturando-o; é o materialismo filosófico com outro nome e mais sofisticado. Mudou o nome mantendo a mesma essência.
O reducionismo defende a ideia de que tudo o que acontece no mundo (os factos) é passível de ser descrito em termos puramente físicos (“físicos” entendido aqui no sentido de “material” sendo que a matéria é tudo aquilo que tem massa — e não entendido aqui em termos da “Ciência Física).

O reducionismo é uma versão moderna do “mito de origem” das “sociedades arcaicas”. Reduz toda a realidade e os seus objectos à “história das coisas”, no caso do reducionismo através de uma concepção absolutista do papel dos genes e da sua evolução na história da vida, e através da redução de toda a realidade a um mero efeito da teoria de Darwin.

O fisicalismo ou materialismo filosófico reestruturado, é uma versão moderna da religiosidade arcaica da Mãe-Terra do paleolítico, que reduzia a visão da realidade ao meio-ambiente circundante e imediatista. Nos dois casos, trata-se de uma religiosidade monista imanente, em que o processo de devir e a concepção de “futuro” constituem o mito e a imanência religiosa.

Para ambas as teorias, a ideia de que possa existir alguma coisa sem massa (e portanto, não tendo massa, não é matéria) é totalmente negligenciada — como é caso da onda quântica e da noção de não-localidade quântica.
Estamos, de facto, perante dois tipos de mitos arcaicos transpostos para a modernidade. Porém, o surpreendente é que tanto os defensores do fisicalismo como os defensores do reducionismo se arrogam em uma superioridade evolucionista que alegadamente os separa dos tempos míticos das “culturas arcaicas”. É de facto surpreendente até que ponto pode ir a imbecilidade do modernismo iluminista !

A única ciência positivista propriamente dita, reconhecida pelas academias, (na minha opinião) é a Física — e isto porque a matemática não é uma ciência propriamente dita, mas é uma arte porque é axiomática e na medida em que está intimamente ligada à lógica, ou seja, ligada à essência mais profunda e fundamental da origem do universo. Tanto a física como a matemática são os sucedâneos modernos do mito cosmogónico, da mística pitagórica e do orfismo, ou seja, são os sucedâneos modernos de uma religiosidade fundamental, holística e não-parcial.

Ciências como a biologia, que não são redutíveis aos sistemas da Física, não são ciências propriamente ditas, mas antes são técnicas, como era uma espécie de técnica a elaboração dos mitos de origem das coisas, nas ditas “sociedades arcaicas”. E na medida em que os biólogos prosseguem obsessivamente uma investigação separada e divorciada das descobertas da Física mais recente, só podemos classificar essa obsessão-contra-evidência como uma espécie de religiosidade moderna e gnóstica, que transforma a esmagadora maioria dos biólogos em religiosos ateus e em neomarxistas declarados ou inconfessos.

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