perspectivas

Sexta-feira, 15 Outubro 2010

Os sinais de fumo que a crise nos traz

Ontem ouvi na SICN o discurso de Manuel Alegre em Oliveira do Hospital. Tratou-se de um discurso de radicalização da política portuguesa. “Vamos a eles!” — berrou Manuel Alegre referindo-se aos empresários portugueses; fez-me lembrar o PREC, ou os relatos históricos sobre a comuna de Paris de 1870.

Manuel Alegre entrou numa lógica da Teoria Crítica do marxismo cultural: critica, critica, critica; e como solução apresenta o descalabro da estatização da economia — ainda mais do que ela já está !

Portugal está numa situação muito difícil. Uma maior estatização da economia — como defende Manuel Alegre — conduz certamente ao abismo, mas um corte drástico na despesa pública não garante, à partida, um maior investimento privado nacional — e sobretudo internacional — que inverta a tendência depressiva actual.

Temos a certeza de que aquilo que Manuel Alegre defende é mau, mas não temos a certeza de que aquilo que Passos Coelho defende dê frutos. Corrermos o risco de adoptar os princípios de Passos Coelho e a economia continuar a ir por água abaixo, simplesmente porque o investimento produtivo (não me refiro à especulação em Bolsa) nacional e internacional está praticamente paralisado.

As fronteiras escancaradas de Portugal, a cultura republicana e maçónica segundo a qual “o que é estrangeiro é que é bom”, e o alto valor cambial do Euro não incentivam o investimento produtivo na nossa economia.

Mas não podemos continuar neste impasse por muito tempo. José Sócrates no governo é a morte lenta e agonizante do país. Precisamos renovar, e já! Uma solução de governo integrando os três partidos do arco democrático é preferível a José Sócrates.


Recentemente, a eleição de Portugal para o Conselho de Segurança da ONU mereceu a hostilidade de praticamente todos os países da União Europeia. Isto significa que Portugal não é um país bem-quisto na União Europeia — a começar pelos próprios alemães. Existe aqui um problema cultural profundo, uma vez que a União Europeia se deslocou para leste e sofre hoje uma grande influência dos países eslavos, com quem a cultura portuguesa — greco-latina e judaico-cristã por excelência — não tem grandes afinidades.

Portugal começa a “estar a mais” na União Europeia. Isto é um facto insofismável. A recente recusa de três magistrados portugueses para integrar o tribunal europeu de Estrasburgo é outra prova da hostilidade europeia em relação a Portugal.

A eleição de Portugal para o Conselho de Segurança da ONU foi garantida pelos PALOP e por apoios massivos de países do chamado “Terceiro Mundo”, o que nos indica claramente qual o nosso caminho do futuro. Este é apenas um exemplo entre muitos que fundamentam a hostilidade da União Europeia em relação a Portugal, entre outras razões porque Portugal é um país com 900 anos de História e com as suas fronteiras praticamente definidas desde o princípio da nacionalidade. Ou seja: Portugal não cede facilmente como nação às políticas impositivas do directório do leviatão europeu.

Um governo português responsável deveria elaborar um “Plano B” que passasse, a médio/longo prazo, pela saída, discreta e sem alarde, do Euro — embora a nova moeda se mantivesse, dentro do possível, nas esfera do Euro / Dólar. O descalabro económico e financeiro português teve a sua origem no Euro: desnacionalização da economia, encerramento das empresas nacionais, importação em massa (compramos tudo feito lá fora) o que aumenta o desemprego (importamos o desemprego estrangeiro), inflação artificial dos custos de produção por via do valor cambial do Euro, etc.

Vai chegar o momento em que nos vamos confrontar com a realidade dos factos. E das duas uma: ou temos as coisas já preparadas para o que der e vier, ou vamos ter uma revolução sangrenta, com intervenção militar estrangeira, que pode ter como consequência o fim de um país quase milenar.

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