perspectivas

Domingo, 26 Setembro 2010

Homem e mulher: complementaridade ou igualdade ?

Do ponto de vista da lógica, não é correcto falar em “género” quando hoje o politicamente correcto se refere ao “sexo”. O género é anterior à espécie. Por exemplo: o ser humano pertence ao género dos antropóides, e à espécie humana (uma vez que as outras espécies de hominídeos — como por exemplo, a espécie do Neanderthal — desapareceram, podemos falar em género antropóide em vez de género hominídeo e família antropóide).

Ora, se existe a espécie humana, não pode existir, dentro da espécie humana, um ou mais géneros. A própria raiz etimológica de género (generum) refere-se ao geral e universal, e não a uma sub-categoria da espécie humana. Quando o politicamente correcto se refere ao género masculino e género feminino, atenta contra a lógica; não existem dois géneros na espécie humana: apenas existem dois sexos.

Da próxima vez que alguém te falar em “papéis de género”, em vez de falar em “papéis de sexo”, manda-o dar uma volta ao bilhar grande (ou ir tomar onde tomam as galinhas).

Portanto, não existem géneros humanos, mas existem sexos humanos. E os sexos são dois: masculino e feminino — e mais nenhum. Em termos identitários e biológicos, só existem dois sexos. Mesmo nas aberrações cromossómicas, um dos dois sexos prevalece sempre.

Portanto, dizer que o homem e a mulher são iguais, é ilógico. Não podemos dizer que duas coisas diferentes são iguais. Se o princípio da identidade (A=A) se aplica ao indivíduo, também se aplica aos dois sexos, à espécie humana e mesmo ao género antropóide. O género antropóide também possui uma identidade própria — no seu nível identitário, ou seja, ao nível da identidade de género.

Idêntico significa que é único. Por exemplo, se eu digo que sou idêntico ao meu vizinho, isso significa que entre mim e o meu vizinho existem diferenças que nos tornam, a ambos, únicos. Se eu digo que o homem e a mulher são idênticos, significa que entre o homem e a mulher existem diferenças que os tornam únicos entre si, ou seja, únicos ao nível do sexo — mas não únicos ao nível da espécie. Portanto, podemos dizer que os dois sexos, ou seja, o homem e a mulher, são idênticos, mas não podemos dizer que são iguais.


Princípio da identidade aplicado aos dois sexos:

homem = homem
mulher = mulher

Porém, também existe a identidade da espécie (espécie humana = espécie humana). A identidade de alguma coisa depende da noção comum (noção ≡ conteúdo do conceito) que temos dessa coisa, e não apenas de um conceito (conceito = abstracção genérica sobre determinada coisa).

A espécie humana tem uma identidade (identidade da espécie humana = noção de ser humano ≡ um animal mamífero bípede, dotado de inteligência e razão, e eminentemente social) que engloba os dois sexos. E é a nível da espécie humana que podemos falar em direitos humanos. Ou poderíamos falar em direitos do género antropóide, que engloba os símios, mas que teriam necessariamente de ser diferentes dos direitos da espécie humana. Por isso, os direitos humanos aplicam-se à espécie humana, e não aos animais em geral, e não aos dois sexos humanos que são uma subdivisão da espécie.

Por exemplo, falar em “extensão dos direitos humanos aos símios superiores”, é outro absurdo do politicamente correcto. O mais que os símios poderiam ter seriam direitos do género antropóide (género antropóide = género antropóide ≠ espécie humana).

A nível dos dois sexos humanos, aplicam-se os direitos da espécie humana em termos gerais e os direitos de cada um dos sexos em particular. Por isso, podemos falar em “direitos da mulher” e “direitos do homem” (homem com letra minúscula, que diz respeito ao sexo, e não Homem com maiúscula que pode querer dizer “espécie humana” ou “Humanidade”). Se devem existir direitos da mulher e direitos do homem, os dois sexos não têm os mesmo direitos específicos, embora possam ter iguais direitos de espécie.

Em conclusão:

Por uma questão de pura lógica, o homem e a mulher não podem ter direitos iguais na sua identidade sexual específica — embora existam direitos iguais considerados no contexto da identidade dos direitos da espécie humana. E não podendo ter direitos iguais na sua identidade sexual específica, o homem e a mulher são complementares e não são iguais em direitos específicos.

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